Conseguimos. Trazemos aquele ser ao mundo, o primeiro parto, a primeira luz. Damos um último suspiro, longo e profundo: o adeus ao que éramos, o olá ao que somos agora.

Temos o despertar do que há de mais animal em nós, o acordar dos instintos. Quando cobrimos, pela primeira vez, aquele pequeno com nossos braços, quando o trazemos ao lugar mais seguro que há, nosso seio, nos deparamos com o segundo parto.

As primeiras noites são assustadoras. Há um filho que chora com medo do mundo novo, e os pais com medo da vida nova. O filhote acha segurança em nosso seio: é quente, mata a fome e dá para ouvir o coração da mamãe batendo, como antes, quando o útero era tudo o que existia. É nessa hora que quebra-se o mito da mágica da amamentação e da maternidade instintiva, pois descobrimos que o seio pode machucar, que o excesso de leite empedra, que o cansaço assola e as opiniões nos fazem duvidar de nós mesmas.

Vai passar…

O elo brota, aprende-se as técnicas com a prática. Não obrigatoriamente no primeiro segundo, no primeiro dia, no primeiro mês, mas eu acredito que maternar seja viver constantemente à prova de limites, e aprender que o que conhecíamos como ápice, nem se aproxima da força que temos.

Amamentar não é compromisso exclusivo nosso. Se não existe a rede de apoio protegendo-o, ele se rasga com um sopro. Ficamos tão ocupadas com a missão de fortificar e nutrir nossos filhotes, além de alentar a nós próprias, que qualquer oposição nos desmonta. E é assim mesmo, ninguém nunca nos preparou para esse momento.

O corpo agoniza por uma pausa e sei que não nos é certo se a dor passa. Mas passa, como até os momentos de descanso que virão, irão, tão rápido quanto. As eternas madrugadas, amanhecem, e nascerão os dias em que notaremos o porquê de ter sido tão difícil.

Tinha de ser.

Os pequenos nos mostram desde nascidos, que a vida está sempre nos colocando em momentos em que será necessário parir. Nos mostram que os partos doem, mas que são certos de existirem, caso contrário, não há sonho.

Por isso, quando sentir dificuldades na amamentação, pense que:

1. Um dia essa dor será esquecida, que a única memória que perdurar, será a de que foi difícil, e só isso.

 

2. Somos mamíferas. Por mais que seja doloroso, estamos prontas para confrontar as adversidades que surgirem no caminho. 

 

3. O seu corpo gerou o seu bebê, portanto, não duvide que ele pode ser capaz de nutrí-lo.

 

4. Ter a presença de um consultor em amamentação, pode fazer com que esse início seja muito mais leve.

 

5. Quando você ultrapassar o que imagina ser a estrema, você vai se deparar com um orgulho grandioso de si mesma, por não ter desistido.

 

6. Mesmo que pareça, você não está sozinha. Há uma grande rede de mulheres emanando força para que você ultrapasse esse entrave.

 

7. Não se sinta culpada se precisar de uma pausa. Não se sinta culpada. Está tudo bem deixar o bebê com o pai, avôs, amigos e tomar um banho demorado. É saudável ter um tempo para retomar o fôlego e reorganizar os pensamentos.

 

8. Nem sempre, seu bebê vai querer mamar para se alimentar. Às vezes, ele pode apenas estar sentindo saudades de quando vocês eram um só, portanto, não reprima os seus instintos e dê colo ao pequeno. Vocês precisam um do outro, amor não faz mal.

 

9. Apesar de mãe, você ainda é uma mulher. Com sonhos, desejos, manias e inspirações. Mesmo que em alguns momentos ela possa se sentir apagada. Se isto acontecer, lembre-se de que esta mulher ainda está viva aí dentro e logo esses sonhos voltarão a fazer parte dos seus pensamentos cotidianos.

 

10. Um dia, seu pequeno irá te olhar nos olhos, e você sentirá a recompensa por todo esse esforço. Eu prometo.

 

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Sou Victória Silveira, escrevo como convidada para o Blog da Leiturinha e, no amanhecer dos meus 19 anos, acabei por me reconhecer como escritora, amante das Artes e mãe da Helena.