A introdução alimentar é um momento muito delicado e cheio de incertezas e inseguranças tanto para a família, quanto para o bebê. Para passar por essa fase confortavelmente, mesmo com todos os problemas e imprevistos que podem surgir, é preciso ter em mente que cada criança reage de uma maneira única e é preciso aprender a lidar com isso.

Alguns bebês aceitam facilmente qualquer tipo de alimento, e ainda pedem mais. Outros aceitam alguns grupos de alimentos e recusam outros. E também existem aqueles que são mais restritivos e aceitam pouquíssimas variações de comidas e associam o momento da alimentação ao stress.

Apesar de muitos pais e adultos acreditarem que o ato de se alimentar é simples e intuitivo, é sempre importante sabermos que o corpo humano funciona por inteiro e relaciona as áreas motoras, sensoriais e comportamentais e, se o pequeno estiver enfrentando desafios em outras áreas, é provável que um problema alimentar surja como reflexo disso.

5 mitos sobre introdução alimentar

Diante disso, nos deparamos com muita informação, dicas e opiniões de pessoas próximas que nem sempre conseguem solucionar o problema central. Por isso, é preciso conseguir filtrar essas informações e entender qual é o caso que o seu pequeno está enfrentando especificamente e deixar de lado os mitos e crenças sobre esse assunto. Mas afinal, o que é mito ou verdade quando se trata de alimentação?

1. Comer é fácil e instintivo

O instinto age para que o ser humano se alimente somente no primeiro mês de vida, pelos reflexos primitivos da sucção e deglutição, por exemplo, até que seja possível realizar a tarefa complexa de ingerir alimentos. Comer é complexo e exige o funcionamento de todos os sistemas e órgãos, além de coordenação de todo o sistema sensorial. Portanto, comer é complexo.

2. Não se pode brincar ou tocar na comida

Antes de aprender a comer, a criança aprende a tocar e sentir as texturas dos objetos. Para comer não é diferente. Brincar e tocar na comida é uma forma dos pequenos se aproximarem e se acostumarem com diferentes texturas, cheiros, temperaturas, etc. Portanto, brincar e mexer nos alimentos faz parte do processo de introdução alimentar.

3. Se a criança está com fome, ela come qualquer coisa

Isso se aplica à maioria da população. O problema é que se a criança apresentar dificuldade ou recusa alimentar, a história muda completamente. Nesses casos, o pequeno sente um desconforto enorme ao ingerir alimentos diferentes do que está acostumado, ás vezes chega a ser até um sofrimento. Nesses casos, somente ter fome não é suficiente para conseguir ingerir qualquer tipo de alimento.

4. A dificuldade alimentar vai passar com o tempo

Se o quadro for de recusa alimentar é necessário um esforço maior do que o tempo para revertê-lo. Se o seu pequeno não aceita com facilidade a grande maioria dos alimentos é melhor procurar um especialista para uma análise e diagnosticar, o mais rápido possível, fazendo uma intervenção para que não tenha prejuízo no desenvolvimento.

5. Se o pequeno conviver com colegas que comem, vai comer também

É possível, sim, aprender a se alimentar vendo os outros amiguinhos comerem bem. Mas isso só acontece se a criança tiver habilidade e conforto para comer, caso contrário também é preciso uma intervenção de um profissional.

Meu filho come mal: o que fazer?

Uma alimentação saudável é fundamental para o crescimento e desenvolvimento dos pequenos. Bons hábitos alimentares contribuem para um melhor rendimento e para a maturidade física e psicológica da criança. Por isso, é muito importante que a família introduza, desde cedo, alimentos nutritivos e ricos em vitaminas na vida dos pequenos. Descubra como fazer isso com seu pequeno.

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Fonoaudióloga, mestre em processos e distúrbios da comunicação e especialista em motricidade orofacial. É consultora de amamentação e laserterapeuta. Carinhosamente, contribui com seu conhecimento no Blog, à convite da Leiturinha.