Quando falamos de nossos sentimentos e emoções, muitas vezes encontramos dificuldades para expressar com clareza aquilo que sentimos. Faltam palavras ideais, organização… os sentimentos se misturam, a confusão pode ser geral. Já pensaram como essa tarefa pode ser ainda mais complicada para as crianças?

Elas muitas vezes não têm compreensão suficiente sobre a situação que vivem, estão em uma fase de construção contínua, quando passam do choro às gargalhadas em um piscar de olhos. Nessa fase, as crianças são espontâneas, vivem todas as suas emoções de maneira escancarada, não as reprimem, não as escondem, até que um adulto ensine-as como fazê-lo.

Porém, isso não quer dizer que as crianças vivam seus sentimentos todos de maneira equilibrada. Podem (e com grande frequência) extrapolar todos os limites… sofrem além da conta, se zangam com prejuízos aos móveis, paredes, brinquedos, irmãos (e por aí vai…), vibram com tanta intensidade que se esquecem de todo o resto.

O papel da família no autoconhecimento das crianças

1. Dê nome às emoções. Os adultos devem orientar as crianças em um caminho de autoconhecimento. Somos nós, adultos, que inicialmente nomeamos as emoções, ajudando os pequenos a definirem suas experiências.

2. Permita que as crianças falem sobre elas. É importante que digam: “estou bravo porque…”, “estou triste porque…”, estou feliz porque…”.

3. Conversem juntos sobre os medos… Deixe que as crianças expressem todos os seus temores, para, aos poucos, ganharem segurança e enfrentarem suas fantasias.

4. Trate as emoções como algo natural. Os sentimentos trancados muito tempo podem provocar dor… é preciso que eles sejam colocados para fora. As crianças devem saber que todas as emoções são naturais, e qualquer pessoa pode senti-las, sejam elas emoções boas ou ruins.

5. Encontrem, juntos, formas saudáveis de expressar os sentimentos. As crianças precisam entender que, ao sentir uma emoção ruim, nunca devem machucar ninguém. Pense com elas maneiras saudáveis de liberar as tensões. Alguns exemplos são: desenhar, brincar, escrever um diário, rabiscar sentimentos em uma folha velha e jogá-la no lixo, dar socos em uma almofada, fazer atividades físicas.

6. O choro também ajuda! Pode chorar? Claro que sim! Deixe que as crianças chorem quando tiverem bons motivos… chorar deixa a tristeza sair e ajuda a acalmar. É preciso, no entanto, que elas entendam que chorar alivia, mas não resolve um problema. Pense com elas soluções objetivas para seus conflitos.

O que as crianças querem (e precisam) é atenção e dedicação, para que possam aprender e entender de onde vêm seus sentimentos e emoções, e assim assumir a responsabilidade por eles, permitindo-se sentir, livre de culpas e restrições, com o manejo adequado de seus afetos.

Leia também:

Profile photo of Flávia Carnielli

Mãe da Maria Clara, mestre em psicologia clínica, especialista em psicologia perinatal e formada em psicoterapia infantil. Carinhosamente, contribui com seu conhecimento aqui no Blog, à convite da Leiturinha.