Cada ano deixado para trás, parece guardar consigo um pouquinho da inocência e sinceridade que nascem com as crianças. Parece ser inerente aos adultos uma máscara de boa convivência e receios. É certo que intercepta diversos conflitos, por outro lado, que seria do mundo se não existissem pequenos seres disseminadores da verdade?

A sinceridade das crianças

Bem sabemos que as crianças agem de acordo com suas cabeças e vontades, mas isso não quer dizer que seus atos sejam injustificáveis, pelo contrário, são repletos de motivos. Abraçam, beijam, correm, dormem, todos os verbos no tempo de seus sentidos.

É exatamente aí que surge um grande conflito, que pode perdurar para o resto da vida. Nascemos sabendo respirar, enxergar, ouvir e… Sentir. Por que motivo então, tentamos ensinar a nossos filhos como e a quem amar?

Presentear x Estar Presente

Os pequenos são dotados de grande sensibilidade, sentem o carinho, bem como qualquer resquício de dissimulação. Eles sabem quem está sempre lá, e quem não está. Não há máscara para camuflar esse sentimento.

Por esse motivo, quando dizemos aos pequenos como agir perante uma pessoa que nunca está presente, passamos a mensagem de que o amor é essa pessoa que nunca está lá, mesmo não fazendo sentido.

É notável que se sintam desconfortáveis diante de um desconhecido, mesmo que seja um parente ou amigo de infância nosso, e por que não? Também nos sentimos assim. Não é porque nós temos um relacionamento com uma pessoa, que nossos pequenos também devem ter. Como dizer-lhes para abraçar, ou dizer que amam uma imagem que ainda não existe?

O amor presente

Assim, nascem adultos que amam alguém que não abraça, não beija, que não diz uma palavra de conforto e não suporta os momentos difíceis. Amam alguém que aparece vez ou outra, sem acrescentar nada de bom.

Mas, pior que isso, é criar um adulto que nunca está lá. É fazer-lhes esquecer como se sente, como se ama, e trocar brilhos nos olhos por pedras apáticas.

Não tente ensinar seu pequeno a amar uma máquina de distribuir presentes, mas uma pessoa de presença. Amor é mágica e beleza. Ele está lá mesmo quando não é visto, pois é sentido. E se os pequenos são tão sensíveis, é improvável que não sintam a presença do amor. Vai por mim, eles sabem…

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Sou Victória Silveira, escrevo como convidada para o Blog da Leiturinha e, no amanhecer dos meus 19 anos, acabei por me reconhecer como escritora, amante das Artes e mãe da Helena.