Poucas coisas são melhores do que ouvir a risada sincera de um bebê. E ela não faz bem somente para os que estão em volta. Um estudo realizado pela Universidade Paris Descartes mostrou que bebês de 18 meses que deram risada ao assistir a uma demonstração engraçada de como pegar um brinquedo com uma ferramenta tiveram mais facilidade para realizar a tarefa, em comparação aos que assistiram a uma demonstração séria.

Os pesquisadores concluíram que risadas e emoções positivas fazem com que o cérebro libere dopamina e endorfina, substâncias que aumentam momentaneamente a capacidade de solução de problemas e a criatividade.

Como foi feito o estudo

Os 53 bebês analisados foram divididos em dois grupos. Trinta e sete crianças assistiram à versão engraçada da demonstração e 16 delas riram pelo menos uma vez durante o vídeo. Entre os “risonhos”, 93,7% usou a ferramenta corretamente para pegar o brinquedo. Dos 21 bebês que não riram, apenas 19% usou a ferramenta da forma demonstrada. Já entre as crianças que assistiram à versão séria da demonstração, 25% conseguiram usar a ferramenta adequadamente.

Bebês têm humor exigente

Os benefícios de ensinar de forma bem humorada são claros, mas, é bom avisar: fazer um bebê rir não é uma tarefa fácil. Luiz André Cherubini, fundador do Grupo de Teatro Sobrevento, que tem montagens voltadas para o público da primeira infância, afirma que a exigência do humor dos bebês é muita alta e a comicidade precisa ser sincera.

“O bebê não ri por uma pressão social. Ele não tem ideia se deve rir ou não. E isso é o bonito no teatro dos bebês. A gente percebe um riso muito verdadeiro quando acerta. O humor pelas palavras também funciona com eles porque, apesar de não saberem falar, conseguem compreender diversas palavras e até inflexões”, disse Cherubini.

Como fazer um bebê rir?

Nem todo riso significa uma demonstração de contentamento para os bebês. Até os três meses de idade os sorrisinhos podem ser apenas movimentos involuntários do músculo da face. Depois disso, a criança passa a sorrir quando sente prazer. Por volta dos oito meses, ela já é capaz de reconhecer o rosto de familiares mais próximos e sorri para expressar contentamento ao vê-los.

De acordo com Rita Calegari, psicóloga do Hospital São Camilo (SP), o humor, para as crianças, está associado principalmente a algo que foge da rotina ou é considerado proibido. “Pense no comportamento do palhaço: ele costuma ser desajeitado, fazer tudo ‘errado’, ele deixa as calças rasgarem em público, tropeça, chora, faz escândalo, ri mais escandalosamente ainda… O palhaço é engraçado para a maioria das crianças, pois é uma versão piorada do comportamento delas, daquilo que elas estão aprendendo que não “se deve fazer” – e o palhaço, que é um adulto, vai lá e faz”, explica.

Antônio Catalano, artista italiano dedicado ao teatro para bebês, ressalta que os pequenos são capazes de compreender diferentes tipos de humor, como o físico, o sonoro e o verbal. Por exemplo, movimentos desajeitados, barulhos esquisitos e até diálogos engraçados são capazes de fazer os bebês rirem.

Segundo ele, é importante que os pais tentem acostumar as crianças a todos os tipos, sendo eles mesmos os autores da graça ou levando os filhos para sessões de cinema e teatro em que isso será exercitado. “Os bebês têm diferentes gradações na hora de reagir ao humor. Eles sorriem e riem e não aceitam estruturas cômicas prontas. Eles têm uma grande compreensão; não se pode subestimá-los. O riso dos bebês entra na região do encantamento”, conclui.

Por Revista Crescer.