Coluninha | Por Lílian Kuhn.

Oferecer (ou não) a chupeta a um bebê é uma escolha totalmente particular dos pais/cuidadores e deve ser respeitada por todos. Combinado? Mas, para que a decisão seja consciente e responsável, acho que os papais de primeira viagem devem estar bem informados a respeito desse tema. Vamos lá?

Primeiramente, é importante lembrar que a sucção (ato de sugar) é involuntária nos bebês que, como qualquer outro mamífero, nascem programados para se alimentar através do ato de sugar a mama das mães.  Nesse iniciozinho de vida, a ação é sinônimo de sobrevivência. Por isso, ainda nos primeiros meses, ao aproximarmos qualquer objeto – inclusive a chupeta – da boca da criança, ela sugará imediatamente. Mas, com o passar do tempo, a sucção acaba trazendo conforto para os bebês que, muitas vezes, mamam para se acalmar e não para se alimentar.

Infelizmente, a sociedade atual não possibilita e nem favorece condições de trabalho em que a mães esteja disponível para o seu bebê todas as vezes que ele precise mamar para se confortar. E então inventamos um novo produto: a chupeta, a que costumo chamar de “malvada favorita”. Culturalmente utilizada há muitas gerações, hoje ela já faz parte dos itens obrigatórios de um enxoval. Mas, será mesmo que é necessário?

Inicialmente, tudo parece estar resolvido: bebês calmos e mamães tranquilas para seguir em frente no trabalho e na vida pós-parto… Mas, exceto por esse único ponto positivo, não existem outras vantagens pelo uso do acessório plástico. E aí, faço uma pergunta aos leitores: vale mesmo a pena continuar oferecendo a chupeta aos bebês? Como reflexão, listei aqui os principais prejuízos:

  1. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já constatou que o uso da chupeta (e de mamadeiras) diminui consideravelmente o tempo de Aleitamento Materno e/ou traz dificuldades no processo de amamentação. Isto porque a criança passa a fazer confusão de bicos. E todos nós sabemos que, quanto maior for o tempo de amamentação, mais saúde terão a mãe e o bebê!
  2. O uso de chupetas durante muitas horas ao dia e/ou por muitos anos de vida ocasionará na alteração da posição da língua, que é um dos órgãos responsáveis pela produção de fala. É muitíssimo comum que crianças com 3-4 anos de idade tenham alteração de fala decorrente desse hábito.
  3. Além da fala, a chupeta é uma vilã perigosa para os dentes: deformação da arcada dentária e problemas na mastigação são as principais consequências do uso prolongado do item. Em muitas crianças, é possível observar o espaço exato entre os dentes superiores e inferiores… E isso demandará um possível tratamento ortodôntico no futuro do pequeno.
  4. Mais uma má notícia? O padrão de respiração também pode ser prejudicado pelo sugar contínuo. Com a boca sempre aberta por causa da chupeta, a criança passa a ter uma respiração oral/bucal ao invés de nasal. Com essa modificação, o risco aumenta drasticamente para otites (infecções de ouvido), infecções de laringe e respiratórias e até sapinho.
  5. Alguns estudos indicam que os materiais utilizados para a confecção de chupetas (e bicos de mamadeiras) podem ser cancerígenos. Fique atento!
  6. As crianças que usam chupeta inicialmente para ter um conforto imediato, passam a ter o vício de sugar e, por isso, aumentam gradativamente a dependência ao objeto.

Vejam bem, não oferecer a chupeta não significa deixar o bebê chorar desesperadamente! Existem outros meios, que não é a sucção, para acalmar a criança: dar colo, cantarolar, fazer carinho e amamentar – o método mais eficaz e calmante de todos!

Você vai ler tudo isso e pensar: “Mas meu sobrinho/filho/vizinho usou chupeta até 04 anos e não teve nada!”, certo? Eu acredito em você, claro! Mas, sabendo que os riscos para alterações e doenças (citadas acima) aumentam de dois a três vezes para usuários de chupetas, não vamos pagar para ver, né? 😉

Um beijo e até a próxima!


Lílian Kuhn é fonoaudióloga com especialização em Audiologia e Mestrado e Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem. Há dez anos atende crianças e adultos com distúrbios de linguagem.

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Fonoaudióloga

Fonoaudióloga com especialização em Audiologia e Mestrado e Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem. Há dez anos atende crianças e adultos com distúrbios de linguagem.