Estimular que a criança cresça com uma boa autoconfiança pode ajudá-la em seu desenvolvimento sócio-emocional. Mostrar para nossos filhos que confiamos neles e que acreditamos que eles são capazes pode influenciar na maneira como eles se portam e enxergam a si próprios.

Quando a criança se sente segura e confiante ao realizar uma tarefa ela tem mais facilidade e maiores chances de obter sucesso. E essa confiança que ela tem sobre si é um resultado do que aprendeu com sua família, cuidadores e amigos. Ao notar que uma ação dela foi aprovada pelos adultos, que vibraram com a conquista, ela se sentirá mais segura e motivada a fazer mais.

Portanto quando os pais ou os cuidadores elogiam certas ações da criança estão dando ferramentas para que ela se sinta competente e tentar realizar tarefas e sinta-se segura o bastante para superar obstáculos.

No entanto, os elogios e incentivos não devem ser falsos. Mesmo que para você colocar uma meia seja uma tarefa simples, para uma criança que está desenvolvendo a coordenação motora, isso é desafiador! Na maioria das vezes, as crianças estão superando obstáculos típicos de sua fase de desenvolvimento, por isso encorajá-las e elogiá-las por realizarem tais tarefas é uma forma de mostrar que ela está se dando bem, gerando a sensação de segurança que ela precisará para progredir.

O mesmo raciocínio pode ser usado mesmo quando ela tenta, mas não consegue fazer algo. Se houve a real tentativa, elogie o esforço não o resultado e estimule que ela continue tentando em outras ocasiões.

Como aplicar isso no dia a dia?

Elogiar a criança por seus feitos é importante, mas não é só isso que impactará positivamente na construção da autoestima dela. Por exemplo, quando os pequenos fazem algo que consideramos errado ou inapropriado, tendemos a criticá-los, nessas horas troque a crítica a eles pela crítica às ações deles. Quando você diz que ele é malcriado ou feio, por ter feito algo de errado, está estimulando que ele construa essa auto-imagem. Nessas horas tente falar algo como: “eu não gostei do que você fez”, ou, “que coisa feia que você está fazendo”.

Em momentos de birra, por mais difícil que seja, tente não gritar nem perder o controle. Saia de perto da situação, se puder, ou mantenha uma expressão neutra ao tirá-lo daquele espaço (dependendo do grau de irritação da criança a conversa será nula, pois ela não conseguirá sequer prestar atenção ao que você diz). E quando a birra acabar ou ele decidir voltar para o mesmo cômodo que você, diga que está feliz por ele ter decidido se comportar bem. Isso mostra que todo o comportamento dele é responsabilidade dele, então se ele faz birra está apenas nas mãos dele de parar e se controlar.

Estou criando um filho mimado?

O excesso de elogio, assim como qualquer outro excesso, não é positivo para a criança. Elas precisam de incentivos, especialmente dos pais e de seus cuidadores que são pessoas em que ela confia, mas receber um “parabéns” por cada coisa que ela fez pode trazer a falsa sensação de que tudo o que faz é ótimo.

Evite elogiar, também, quando ele está fazendo algo que é de responsabilidade dele, como guardar os brinquedos depois de brincar, fazer a lição de casa ou escovar os dentes. A diferença é tênue, portanto pense na seguinte lógica:

  • A ação que a criança fez ou está tentando fazer está fazendo com que ela supere barreiras?
  • Ela realmente se esforçou para fazer aquilo?
  • Ela teve que construir uma linha de raciocínio (mesmo que simples para crianças mais novas) para chegar a esse resultado?
  • A ação dela a ajudou ou ajudou outras pessoas?
  • Ela está passando por dificuldades e precisa de uma apoio extra?
  • A ação tomada foi resultado de uma solução de problema ou conflito?

Se a resposta para alguma dessas perguntas for sim, elogie e incentive! E se você achar que ela merece um elogio, mesmo que não tenha feito nenhum dos itens acima, elogie também! Como pai, mãe ou cuidador, você tem um bom termômetro para reconhecer os feitos de seu pequeno e encorajá-lo a realizar os próximos.

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Profile photo of Ariane Donegati

Jornalista e entusiasta do desenvolvimento infantil, acredita que brincar é sinônimo de aprendizado e felicidade para as crianças.