Chegaram os seis meses do bebê e os dentinhos já começaram a dar sinais de que vão começar a surgir. Será que é esse o momento certo para começar a complementar o leite materno com outros alimentos?

Na realidade, a introdução alimentar pode ser feita entre os quatro e seis meses, mas nem sempre comer é uma atividade tão tranquila para os bebês como imaginam alguns adultos. Existem vários fatores que determinam se a criança está preparada para receber alimentos ou então se precisa de uma ajuda profissional para desenvolver essa atividade tão importante e essencial para qualquer ser humano.

Como saber qual o momento certo para começar a introdução alimentar?

Em primeiro lugar, o bebê estar com uma boa saúde nesse momento tem um papel importantíssimo na alimentação e também na relação que seu filho terá com a refeição. Isso significa que se a saúde da criança está boa, geralmente as refeições são bem menos estressantes.

Se a criança não está 100% bem, seu apetite pode ser impactado pela falta de conforto e suas habilidades para aprender a comer também. Até mesmo a dor do nascimento dos dentinhos pode interferir, mas o ideal é que depois de resolvido o problema, a alimentação volte ao normal.

Para a criança se alimentar, ela depende de um bom desenvolvimento motor e físico, de habilidades orais e sensoriais, assim como a motivação, o contexto familiar e as emoções estão envolvidos. Se o bebê não está se sentindo muito bem, é normal que rejeite novas experiências e fique menos curioso para experimentar novos alimentos, por isso é preciso prestar muita atenção aos sinais.

Nessa fase da vida, a boca é o que proporciona os principais sentidos do bebê, porque ele consegue explorar e sentir aquilo que vem do ambiente externo. Além disso, é pela boca que conseguem sugar, engolir e mastigar. A recusa alimentar, em grande parte, pode estar relacionada a não eficiência do bebê de realizar essas funções.

Como preparar meu bebê para a introdução alimentar?

Algumas pesquisas indicam que cerca de 30% dos bebês com desenvolvimento normal podem encontrar dificuldades ao começar a ingerir outros alimentos além do leite materno. Mas como deixar o bebê o mais preparado possível para esse momento?

O ideal é treinar a criança para conseguir sugar, engolir e mastigar direitinho, e esse desenvolvimento depende muito das experiências e sensações que ela vivencia ao longo dos meses. Colocar as mãos e objetos na boca é um bom exemplo, pois exige que façam movimentos ativos com a língua, mandíbula, bochechas e lábios. Por isso, deixar que o bebê leve objetos adequados à boquinha, como mordedores, já é um excelente treino para se darem bem na hora de experimentarem novos alimentos, além de ajudar a desenvolverem um amadurecimento neuromotor.

A falta desse tipo de experiência pode trazer dificuldades para os pequenos no momento em que forem aprender a mastigar e, com isso, acabam perdendo o interesse e a curiosidade pelos novos alimentos, aumentando as chances de se tornarem seletivos e optarem apenas por ingerir líquidos ou alimentos pastosos.

O que o bebê precisa para aprender a se alimentar?

1. Aprender a mastigar: mastigar é uma função que precisa ser aprendida junto com o desenvolvimento da criança. Para isso é preciso estimular que o bebê treine com objetos apropriados e leve-os à boca se preparando para as novas texturas dos alimentos.

2. Ter habilidades neuromotoras: o bebê precisa estar com o desenvolvimento motor em dia para conseguir mastigar e ingerir alimentos.

3. Receber estímulos: a boquinha da criança precisa sempre ser estimulada, seja com alimentos ou com outros objetos, como mordedores e brinquedos – que não soltem pedaços, é claro.

4. Estruturas orais adequadas: a boca do bebê e todas as estruturas que estão envolvidas ali precisam estar com funcionamento correto para auxiliarem no exercício de mastigação.

5. Deixar o bebê confortável para receber alimentos: quando for ingerir alimentos, a criança vai receber novos estímulos e texturas. Se isso nunca tiver acontecido antes, as chances dele se sentir desconfortável são maiores, e de acontecer a recusa também.

6. Exemplo: é importantíssimo que os pais sentem-se para comer junto com a criança e sirvam de exemplo para o aprendizado. Assim, fica mais fácil, também, identificar mais rapidamente qualquer dificuldade apresentada.

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Profile photo of Flávia Puccini

Fonoaudióloga, mestre em processos e distúrbios da comunicação e especialista em motricidade orofacial. É consultora de amamentação e laserterapeuta. Carinhosamente, contribui com seu conhecimento no Blog, à convite da Leiturinha.