A infância é um período de descobertas, em que tudo é novo! Nessa fase, os pequenos têm contato, pela primeira vez, com as diversas situações e sentimentos que irão vivenciar ao longo da vida. Raiva, medo, insegurança, ciúme, inveja, tristeza, ansiedade, baixa autoestima… São muitas as sensações que as crianças descobrem em seus primeiros anos de vida e lidar com tudo isso nem sempre é uma tarefa fácil. Com a ajuda da família e muito diálogo, enfrentar essas situações pode ser um pouco mais simples. No entanto, caso não haja atenção e acompanhamento devidos por parte dos pais ou, até mesmo, em decorrência da própria personalidade da criança, situações de estresse podem resultar em comportamentos agressivos na infância. Vamos falar sobre isso?

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Morder, bater e xingar: quando devemos nos preocupar?

Até uma certa idade é comum que as crianças manifestem comportamentos como morder, gritar e bater. Isso acontece porque os pequenos ainda não sabem se comunicar efetivamente através da fala e precisam se utilizar disso para expressar suas necessidades e desejos. Segundo Sarah Helena, psicóloga e curadora da Leiturinha, “é importante saber que esse tipo de comportamento nem sempre significa agressividade. Como no início da vida as crianças experimentam tudo com o corpo todo, e, principalmente pela boca, elas podem morder, apertar, bater, para simplesmente interagir e experimentar o mundo a sua volta”.

Conforme a criança cresce, aprende a falar, a expressar suas vontades de maneira mais eficiente e compreende o que é certo e errado, é fundamental que os pais expliquem que determinados comportamentos não são legais e que podem, inclusive, magoar ou machucar outras pessoas. Para a psicóloga, “os pais devem se preocupar quando perceberem que as crianças já entendem o que fazem e, mesmo repreendidas, insistem no comportamento agressivo”. Nesse caso, se mostrar presente, conversando e orientando a criança agressiva é essencial para que ela reflita sobre sua atitude, “a melhor maneira de lidar com a agressividade é se aproximar da criança” afirma Sarah.

Escola e família: um trabalho em conjunto

Caso o seu pequeno esteja praticando ou sofrendo agressão no ambiente escolar é essencial que isso seja reportado e conversado com a escola a fim de que, juntos, encontrem a melhor maneira de resolver essa questão. Assim como em tantas outras situações complicadas da infância, lidar com o comportamento agressivo da criança se torna mais fácil quando escola e família atuam em conjunto. Pais e educadores devem trabalhar juntos para que as crianças cresçam mais compreensivas e empáticas. Conversar sobre o respeito ao próximo e realizar atividades com essa temática são atitudes fundamentais na educação de crianças mais tolerantes. A psicóloga Sarah ressalta que as brincadeiras também podem ser um poderoso recurso para que as crianças compreendam melhor seus comportamentos, pensamentos e sentimentos, além de ser uma boa alternativa para ensinar a criança a se colocar no lugar do outro e repensar seu comportamento.

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Porém, se o seu filho é quem sofre a agressão, lembre-se que a criança que pratica também sofre com essa situação. Por isso, realizar um diálogo com os pais da criança é fundamental para que o pequeno seja orientado e acompanhado pela família de maneira adequada. Outro ponto importante é ensinar seu filho a se defender, o que não quer dizer revidar. Incentivar comportamentos agressivos não é a melhor opção. Converse com seu pequeno e escute o que ele tem a dizer, mostre que ele pode confiar em você, explique que determinados comportamentos dos colegas não são aceitáveis e o estimule a dizer o que o incomoda e o magoa. Assim, com o tempo, ele vai aprendendo a se impor.

A literatura também pode ajudar!  

Por se adequar ao imaginário das crianças e se utilizar de uma linguagem simples, a literatura infantil possibilita que os pequenos se identifiquem com as situações da história e reflitam sobre seus próprios comportamentos, abrindo espaço para o diálogo.

Segundo a psicóloga Sarah, as crianças, muitas vezes, são agressivas porque não conseguem expressar de outra maneira sentimentos como raiva, mágoa e ciúmes. Nesse caso, os personagens das histórias podem contribuir para que a criança entre em contato com esses sentimentos de forma leve e indireta, “a partir dos livros é possível dialogar com os pequenos sobre as possibilidades de extravasar os sentimentos agressivos sem precisar ferir o outro” afirma a psicóloga.

Dica Leiturinha:

a raiva

A raiva

Editora: Pequena Zahar
Autor e ilustrador: Blandina Franco

Quem é que já sentiu raiva? Pode ser uma raivinha à toa, que mesmo sem razão de ser, começa a se alimentar das pequenas coisas. Esta é história de um sentimento que vai crescendo, crescendo, crescendo até explodir e dar muito trabalho para arrumar! Uma ótima oportunidade para conversar sobre emoções e explorar a inteligência afetiva do seu pequeno.

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Jornalista e autora no Blog da Leiturinha, é fascinada por tudo que envolve o mundo da leitura, das histórias às poesias. Acredita que as palavras aproximam pessoas, libertam a imaginação e modificam realidades. Gosta de escrever, viajar e aprender sempre.