O diagnóstico do autismo do meu filho foi feito quando ele tinha um ano e onze meses. No seu caso, o diferencial foi o diagnóstico precoce. Enquanto a maioria das crianças recebe tratamento médico só a partir dos quatro ou cinco anos – quando recebe – Bernardo fez sessões diárias de psicanálise desde os dois anos. Era ainda um bebê: tomava mamadeira, chupava chupeta, usava fraldas, dependia de mim para tudo. Conto toda a trajetória do seu tratamento aqui no Blog da Leiturinha  em O que está acontecendo com o meu filho.

O diagnóstico do autismo

O fundamental para a melhora do quadro, é que o diagnóstico do autismo seja feito antes dos três anos de idade. Nesses três primeiros anos de vida, o Sistema Nervoso Central (embora seja leiga, essas informações estão à disposição de todos) experimenta um processo de maturação que combina de um modo plástico as condições genéticas constitucionais com a estimulação e organização proposta pelo ambiente tanto físico quanto social. Isso significa que completa, desenha e articula sua rede de conexões (sinapses) para funcionar o mais de acordo possível com o modelo familiar, social e cultural que lhe seja proposto.

Traduzindo: em nenhuma outra época da vida nosso cérebro é tão plástico como nesse período inicial. Portanto, se nosso filho nascer com predisposições adaptativas desfavoráveis, esses primeiros três anos constituem o melhor momento para se tentar resolver suas dificuldades. Os especialistas confirmam que é desse modo que se obtêm os melhores resultados terapêuticos.

Para tanto, é essencial a detecção precoce, com instrumentos e profissionais especialmente preparados e dirigidos a diferenciar os modos de funcionamento mental que caracterizam e anunciam precocemente os riscos de se configurarem graves perturbações nas estruturas psíquicas e emocionais, já que essas perturbações são capazes de transtornar o conjunto das funções do desenvolvimento.

Sociabilidade

Não é apenas saber que a motricidade funciona bem, que a criança é inteligente, que vê e escuta adequadamente, que sua cabeça e seu corpo crescem de acordo com as tabelas, mas, trata-se também de saber como ela se relaciona com seus cuidadores e semelhantes, quais seus sentimentos, como ela entende, acolhe ou rejeita as significações afetivas e a compreensão que tem ou não das situações familiares, sociais e culturais das quais participa ou nas quais é incluída.

A verdade é que se não houver uma abordagem na criança com suspeita de autismo antes que ela complete três anos, teremos desperdiçado o melhor momento para tentar sua recuperação. Por tudo isso, é crucial que os pais não percam tempo precioso negando o óbvio e que quando surgirem os primeiros sintomas de autismo, eles procurem especialistas que possam orientá-los sobre as opções de tratamento. Negar o quadro só fará com que ele se agrave.

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Profile photo of Luciana Mendina
Jornalista

Autora do livro “O autismo tem cura?", publicado pela Editora Langage.