Os benefícios que a amamentação traz à mãe e ao bebê são bastante conhecidos. Além de todos os ganhos físicos (como o aumento da imunidade da criança, por exemplo), do ponto de vista psicológico, o vínculo entre eles é fortalecido, ocorre uma redução do efeito traumático de separação provocado pelo parto e o bebê aprende a se comunicar com o mundo externo.

No entanto, algumas vezes amamentar não é uma tarefa tão simples e prazerosa e podem surgir obstáculos que dificultam ou até interrompam esse processo. As causas dessas dificuldades podem ser inúmeras, de ordem fisiológica (como a mastite ou fissuras no seio, por exemplo), social ou emocional. Agitação, cansaço, estresse ou um ambiente não favorável também podem atrapalhar a amamentação.

O drama da dificuldade para amamentar

Diante de situações como estas, muitas mães acabam se sentindo frustradas e desanimadas por não darem de mamar ao filho da maneira como esperavam. Elas recorrem a remédios, chás e dietas especiais, buscando a solução para seus problemas e, quando não encontram alternativas, podem se sentir culpadas, diminuídas ou desqualificadas em relação à maternidade.

As emoções afetam a lactação por meio de mecanismos psicossomáticos específicos, já que os hormônios do estresse inibem a ação dos hormônios responsáveis pela produção e descida do leite. Situações adversas que deixem a mãe emocionalmente abalada poderão levar ao fracasso da amamentação.

Quais as situações mais frequentes que dificultam ou impedem a amamentação?

Dor: Se a mulher tem dor ao dar de mamar, ela pode associar esse momento a algo extremamente desagradável, o que aumenta o estresse e a ansiedade nos horários das mamadas. É importante que ela converse com seu médico e busque ajuda e orientação.

Preocupações com o trabalho: Para algumas mulheres a ideia de permanecer afastada do trabalho pode ser preocupante. Algumas têm receio de serem dispensadas, outras são autônomas e não podem ficar longe de suas tarefas para não comprometer o orçamento familiar. Isso pode ocasionar um acúmulo de ansiedade e estresse que possivelmente irá influenciar na lactação. É importante que elas conversem com os colegas de trabalho para dividir as funções na tentativa de priorizar suas atividades, sem ficarem sobrecarregadas.

Preocupações com a casa: As atividades do dia a dia também podem ser muito estressantes, já que os cuidados com a limpeza da casa, com as roupas e com as refeições podem deixar a mulher mais cansada. Nesse momento, é importante que ela tenha com quem contar para dividir as tarefas.

Preocupações com outros filhos: Quando existem outros filhos, a mulher pode ficar preocupada com o ciúme entre irmãos e com a necessidade de dividir a atenção entre as crianças. Nessa hora, é fundamental a ajuda do companheiro (ou de outra pessoa que possa auxiliá-la) para ficar com as outras crianças enquanto a mulher está com o bebê. E vale lembrar que algumas vezes será mesmo necessário dividir a atenção entre os filhos, mas o amor de mãe sempre se multiplica.

Falta de apoio no relacionamento: O apoio é fundamental para a mulher nesse momento. Sentir-se acolhida, protegida e cuidada pode ajudar a mãe a ficar mais calma e segura para desempenhar suas atividades, sabendo que pode contar com o companheiro sempre que precisar. Questões referentes à sexualidade do casal também podem influenciar a amamentação, pois para algumas mulheres o papel de esposa não combina com o de mãe, geralmente destituído de sensualidade. O diálogo com o parceiro deve existir, para que o casal possa pensar junto sobre essas questões.

Medos: Ser mãe é uma responsabilidade imensa, isso não se discute. Por esse motivo, algumas mulheres sentem medo de não conseguir cuidar bem do filho ou de não dar conta das funções maternas. É importante que a família esteja atenta e procure encorajar a mulher, mostrando sempre suas qualidades como mãe.

Depressão Pós-Parto: Quando a mulher não consegue elaborar seus medos e ansiedade diante da maternidade, ela pode entrar em um quadro de Depressão Pós-Parto que provavelmente irá dificultar a amamentação. Nesse caso, é muito importante procurar ajuda médica e psicológica, pois muitas vezes o uso de medicação é recomendado. A compreensão e o apoio da família fazem toda a diferença na recuperação da mulher.

Família: Algumas mulheres sentem-se cobradas e julgadas diante de seus familiares que, na tentativa de ajudar, podem interferir em um momento que deveria ser da mãe e do bebê. Falam sobre a melhor posição, sobre o que comer, sobre cólica e até sobre o “leite fraco”. Isso pode passar à mãe uma mensagem de inadequação ou incapacidade para alimentar o filho. As atitudes críticas e desencorajadoras devem ser evitadas para que a mulher se sinta segura com a amamentação e com seu bebê.

Idealizações: É comum que as mulheres passem boa parte da gestação sonhando com o nascimento do bebê e fantasiando a respeito da amamentação e dos cuidados com ele. Isso pode gerar expectativas e, caso alguma coisa não saia exatamente conforme o planejado (o que geralmente acontece), surgem frustrações que podem desorganizar a mãe emocionalmente. É importante que a amamentação (assim como a maternidade) não seja idealizada, para que a mãe se permita conhecer seu bebê com o passar dos dias.

Mamãe acolhida, mamãe feliz!

Outras situações podem afetar a mãe emocionalmente e dificultar o processo de amamentação, por isso é importante que a mulher esteja atenta às suas emoções e se sinta confortável para falar sobre elas. Vale lembrar que a mãe pode (e deve!) ser ajudada pelo companheiro e pela família.

Ainda assim, caso ela não consiga amamentar por algum motivo, é importante que a mãe não se culpe por isso. É necessário que ela busque orientação profissional e procure ficar o mais tranquila possível. Dessa forma, ela poderá continuar disponível ao bebê, garantindo a segurança e o carinho que são fundamentais ao seu desenvolvimento.

Esse é um momento de descobertas e adaptação e para cada mãe vai acontecer de maneira específica, já que nenhum bebê é igual ao outro. Quanto mais a mulher se sentir protegida, compreendida e segura, mas fácil será a maternidade com um todo.

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Mãe da Maria Clara, mestre em psicologia clínica, especialista em psicologia perinatal e formada em psicoterapia infantil. Carinhosamente, contribui com seu conhecimento aqui no Blog, à convite da Leiturinha.