Da noite para o dia, sem avisar, a gagueira aparece e se instala na fala das crianças, assustando pais e filhos. Esse tema fonoaudiológico gera um grande número de dúvidas. Em meu consultório ou nas redes sociais, respondo perguntas sobre o tema semanalmente. “O que causa gagueira?”; “Existe gagueira temporária?”, “Até quando é aceitável gaguejar?”; “Meu filho começou a gaguejar, devo corrigir?”. Então, vamos lá:

Coluninha | Por Lílian Kuhn.

  • A disfluência – popularmente chamada de gagueira – é uma alteração no ritmo normal da fala. O quadro se caracteriza por repetição de sons, sílabas, palavras, prolongamentos ou até um bloqueio total da linguagem. Tudo isso pode estar associado a movimentos corporais e faciais involuntários (os famosos “tiques”) e ser visto em diferentes graus e tipos (fisiológicos, funcionais e orgânicos) de gagueira. 
  • É por volta dos 2 anos e meio/3 anos de idade que normalmente a gagueira começa a acontecer. De imediato, não é possível saber se é uma questão de alteração temporária ou se será um quadro permanente. Isso porque tanto aquela gagueira que é um distúrbio de linguagem real quanto a chamada “disfluência  do desenvolvimento”(ou orgânica), que tem caráter passageiro e intermitente (oras acontece, oras não), são muito comuns durante essa etapa do processo de desenvolvimento de linguagem. Independente do tipo, uma avaliação com fonoaudiólogo é imprescindível para que a família seja orientada e a criança acolhida! Após essa idade (a partir dos 3 anos e meio), não é mais esperado que a criança sem o distúrbio de comunicação/disfluência gagueje. Se você perceber que seu filho maiorzinho (5, 6, 8 anos de idade) está gaguejando, leve-o imediatamente para uma avaliação fonoaudiológica. É pouco provável que nessa idade ainda seja uma simples fase passageira. 
  • Hoje em dia já se sabe que há fatores genéticos e neurológicos associados ao aparecimento da disfluência. Na fonoaudiologia, existem diversas linhas teóricas sobre o estudo da gagueira, desde considerações sobre o processamento motor da fala e aspectos de  fluência até questões subjetivas e socioculturais. O que é importante saber: “Gagueira tem solução!”. Então, se você não concorda ou não observa melhoras com a linha de tratamento definida pelo profissional, converse com ele e esclareça as suas dúvidas. Se não resolver, busque um profissional com outro direcionamento terapêutico.

Por fim, quais são as funções dos pais quando se tem uma criança com gagueira?

– NÃO ria, faça piada ou ridicularize a criança. Lembre-se: essas atitudes trarão consequências emocionais pra ela.

– NÃO peça calma, sugira que ela pense ou respire antes de falar. A gagueira é involuntária, então sugerir que a criança mantenha o controle não adianta.

– Fale sobre o assunto com carinho e ofereça ajuda sempre.

 – Quando ela estiver te contando um fato, demonstre interesse, olhe nos olhos dela e preste atenção ao conteúdo da fala (e não aos episódios de gagueira)! 

Reforço: na dúvida, procure um fonoaudiólogo!

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Fonoaudióloga

Fonoaudióloga com especialização em Audiologia e Mestrado e Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem. Há dez anos atende crianças e adultos com distúrbios de linguagem.