Ter tempo para os filhos e para si mesma, uma carreira profissional de sucesso, uma casa brilhando, comida fresca e roupa lavada todos os dias… São muitos os pré-requisitos para se adequar ao papel da mãe do ano. Equilibrar trabalho, casa, filhos e ainda cuidar de si mesma é um desafio que muitas mulheres enfrentam hoje em dia. Entender que não precisam – e não devem – dar conta de tudo isso sozinhas pode ser um desafio ainda maior.

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A solidão materna

Com a maternidade, chegam também as cobranças, as dúvidas, os medos, as inseguranças e… a culpa! “Quando nasce um filho, a culpa vem junto. Nos sentimos culpadas por tudo e é uma luta diária combater este sentimento”, afirma Sarah Helena, curadora da Leiturinha, psicóloga e mãe de Cecília, de 1 ano e 2 meses. Sarah, que sempre trabalhou fora, optou por colocar sua pequena no berçário aos 4 meses, quando retornou da licença-maternidade e, mesmo com as dificuldades, sente que fez a escolha certa. “A volta ao trabalho, no início, foi angustiante. O coração ficou apertado, mas foi muito bom ter voltado pois, apesar da angústia de abrir mão de parte do tempo com minha filha, exercer minha profissão sempre foi muito importante para mim. Acho que se não trabalhasse, a qualidade de tempo com ela não seria tão boa, pois eu não estaria tão satisfeita.” afirma.

Casa bagunçada, comida para fazer, dar banho, arrumar a cozinha, lavar as roupas, ir ao mercado… A rotina muitas vezes é pesada e, ao mesmo tempo que você quer se dedicar ao trabalho e construir sua carreira, você não quer perder o tempo de ficar com os filhos, que chegam em casa carentes por sua atenção e carinho. Então surgem as questões: Será que estou me dedicando demais ao trabalho? Ou será que de menos? Estou sendo presente o suficiente na vida dos meus filhos? Quando vou ter tempo de arrumar a casa? Será que estou sendo uma boa mãe? Esses dilemas fazem parte da vida de muitas mães e, por mais que contem com a ajuda do companheiro, avós, vizinhos e amigos, a sensação de estar sozinha quase sempre prevalece, é a solidão materna. “A gente se sente muito sozinha. Eu e meu marido somos muito parceiros, mas, mesmo assim, ainda me sinto sozinha, pois existem momentos e situações em que a própria criança quer somente a mãe e, além disso, a pressão e as cobranças que a mulher sente são sempre muito grandes”, relata Sarah.

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Além de tudo isso, ainda surge outra questão: onde você, enquanto mulher, fica na sua lista de prioridades? Seus desejos, angústias, medos e sonhos? “Eu tento ser mulher em todos os espaços que estou, não me sinto só mãe, não me negligenciei. Ser mulher, para mim, é olhar para os meus medos, minhas angústias e meus desejos. Me questiono o tempo todo depois que me tornei mãe, os sentimentos são muito mais intensos e tenho que lidar com isso o tempo todo para educar minha filha de uma forma consciente. Para mim, ter filho faz a gente olhar ainda mais para nós mesmas.”, afirma Sarah Helena.

“É preciso de uma aldeia para criar uma criança”

É essencial que as mulheres e, sobretudo, as mães entendam que elas não vão – e não devem – dar conta de tudo sozinhas. É importante saber e estabelecer limites, pedir e contar com ajuda, dividir e priorizar tarefas, “o preço de dar conta de tudo sozinha é muito caro. Não podemos, por exemplo, ficar doentes em prol de uma perfeição inatingível”. Portanto, não tenha medo de dizer que está cansada e de pedir ajuda à família, aos amigos ou ao parceiro. Se aos 4 meses seu bebê já precisa ir à creche para você voltar ao trabalho, tente não se culpar por isso. Não existe uma receita para criar os filhos, cada um é cada um e só você sabe o que está passando e sentindo. “Tentamos fazer o melhor possível, mas tem dias que ela come bolacha no lugar de alguma refeição ou que a casa fica desarrumada. Nada é perfeito. Tem dias que choramos mesmo e o coração fica na mão, não é fácil”, conta Sarah.

Como conciliar maternidade e trabalho?

Além de contar com auxílio nas obrigações e responsabilidades diárias, algumas outras atitudes podem tornar o dia a dia das mamães um pouco mais tranquilo, facilitando o equilíbrio entre casa, trabalho e filhos. A psicóloga Sarah Helena ressaltou pontos importantes que podem ajudar:

– Em relação à adaptação ao berçário, creche ou escola, é preciso que a mãe esteja bem e confie no lugar que vai deixar o seu filho. Se você sai bem, seu filho fica bem. Ele tem que sentir que você está confiante, assim ele entende que é algo bom para ele e não ruim.

Aproveite os dias de folga em que o pequeno não tem que ir à escola ou creche para passar um tempo de qualidade com ele.

Estabeleça uma rotina, “a rotina ameniza nossa culpa e proporciona segurança para criança”, conta Sarah.

Interaja com seu filho enquanto realiza as tarefas domésticas e o inclua nessas atividades. “Tento transformar todos os afazeres em brincadeiras, cozinhar, lavar louça e roupa, por exemplo. Assim, ela participa e passamos um tempo juntas.”, conta a psicóloga.

E você? Como é encarar essa maternidade repleta de cobranças e angústias? Quem mais te ajuda para que você consiga equilibrar sua vida profissional com os afazeres da casa e a rotina dos filhos? Conhece alguém que se identifica com a matéria? Compartilhe com ela!

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Jornalista e autora no Blog da Leiturinha, é fascinada por tudo que envolve o mundo da leitura, das histórias às poesias. Acredita que as palavras aproximam pessoas, libertam a imaginação e modificam realidades. Gosta de escrever, viajar e aprender sempre.