Mãe é gente cuidando de gente

Como seriam nossos dias sem aquela pessoa que pensou, cuidou e lembrou da gente? Que se preocupou e que, no final de um dia cansativo, nos preparou um lanche, nos acalentou, se importou e cuidou de nós enquanto cuidávamos de seguir em frente? Como seriam os dias frios sem a pessoa que nos avisou para levar um casaco? Como seriam sem graça as desventuras da vida sem aquelas histórias fantasiosas sobre mil teorias que nos levariam para um lugar ou para uma situação melhor no futuro, justificando todo tipo de pedras no caminho e que, mesmo que não fossem reais, eram suficientes para suportar até que amanhecesse um novo dia? Sim, o mundo sem as figuras maternas que nos sustentam em tantos sentidos seria mesmo muito sem graça e – por que não dizer – impossível?

Mães são seres que chegam antes de nós e que preparam o terreno – seja para terremotos, tsunamis ou mares calmos. Aquela figura materna é a responsável por nos colocar nos trilhos da vida e nos seguir em presença ou pensamento, sempre nos guiando de volta para esta trilha imaginária – afinal, mães sempre querem o melhor para seus filhos. Se elas erram? Sempre, ainda bem! Mas todo esforço mira na melhor direção possível. O que dá pra fazer com o melhor que se tem. E mãe acerta até quando erra, porque nesses momentos, os filhos podem construir a si mesmos por suas próprias mãos. Um pouco de espaço aqui e ali, cambaleando e equilibrando e pronto, se faz outra gente!

E essa gente que se faz gente, pelas mãos maternas (de tia, de pai, de avó, de mãe mesmo, de irmã ou irmão, de sangue ou de coração), é capaz até de achar que deu tudo errado. Que foi criado torto, de qualquer jeito, que não teve amor demais, ou que teve, e foi demais… Ainda assim, a mãe insiste e não arreda, se faz presença à revelia. Toda maneira de amor vale a pena – já nos cantou Milton Nascimento.

Daquilo que toda mãe gostaria que os outros soubessem

Seja como for, toda mãe passa a se importar com duas ou mais vidas dentro de sua própria vida, e isso pesa. É um peso dos bons, bom demais, mas pesa. Pesa no seio, pesa no corpo, pesa no coração, pesa na culpa, pesa no olhar do outro, pesa na noite, no choro, na solidão. O que será que toda mãe gostaria que os outros soubessem, antes de a julgar pela birra no supermercado? O que será que toda mãe gostaria que os outros soubessem antes de olhar torto para as escolhas que ela faz?

Será que dou a mamadeira? Será certo dar castigo? Tirar a fralda agora, ou não? Será que já deixo sair à noite? É bom ou ruim dar mesada? A lista de decisões é infinita e, para cada uma delas, uma imensa dúvida, uma sociedade cheia de dedos, apontando caminhos e julgando escolhas, além da poderosa e esmagadora culpa.

Se tornar mãe é construção e desconstrução diária. É luta, amor, silêncio e ensurdecedor barulho. É calmaria e rebelião. É saber ouvir e aprender também a ignorar. É tentar, conseguir e, também, saber desistir. É se impor, se empoderar e, também pedir ajuda. Por isso, sempre é tempo de celebrar aqueles e aquelas que se permitem errar e aqueles que, ao observar a difícil tarefa de educar e acompanhar seres humanos se tornando pessoas, não apontem tão prontamente os dedos em riste, mas, antes, lembrem-se também da difícil tarefa que é ser filho ou filha e de quantas vezes erramos tentando acertar.

E você? Entre suas batalhas, derrotas e vitórias da maternidade diária, o que gostaria que os outros soubessem? O que gostaria de dizer e de ouvir nos momentos mais felizes e também mais difíceis em que exerce a importante tarefa que é ser mãe? Compartilhe aqui com a gente!

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Profile photo of Sarah Helena

Mãe da Cecília, formada em Psicologia, especialista em Filosofia, sempre trabalhou com famílias, especialmente com os pequenos. Por esse amor ao universo afetivo infantil, hoje, na Leiturinha, ela colabora fortalecendo o vínculo das famílias leitoras através da experiência da literatura.