Imagine a seguinte situação: Seu filho de 4 anos começa a gritar durante a noite, transpirando e se debatendo. O que você faria?

É comum os pais ficarem preocupados, acreditando que está acontecendo algo muito ruim com seus filhos e, na tentativa de acalmar a criança, acordam e levam o pequeno para dormir com eles.

Nestes casos, não há certo ou errado. Cabe aos pais a decisão do que fazer, conforme os hábitos e sua forma de cuidar dos filhos. No entanto, vale entender o que pode estar acontecendo com a criança, para que a decisão de levá-la ou não para a cama, acordá-la ou não no meio da noite, seja tomada de forma consciente.

Nesta situação, provavelmente a criança viveu um pesadelo ou terror noturno infantil. Você sabe a diferença entre eles? Embora as manifestações sejam similares, se trata de dois cenários bem diferentes, que visam tratativas distintas. Entenda mais sobre cada um com as dicas que preparamos. Se preferir, assista o conteúdo em vídeo, ao final do artigo!

O que é o pesadelo?

De acordo com Leonardo Martins, Doutor em Psicologia Social pela USP, o pesadelo acontece na fase “REM” do sono, que é aquela em que os olhos se movimentam, ocorrendo em ciclos que se repetem em média de 4 a 5 vezes por noite. É nesta fase que sonhamos e temos pesadelos.

Os pesadelos são mais comuns do que imaginamos: Uma pesquisa realizada em 2006 e em 2014 pela Universidade de Montreal, revelou que até 80% do conteúdo do sonho é, de alguma forma, ansiogênico, ou seja, promove sensações ruins, conhecidas como pesadelos. Porém, nós adultos conseguimos distinguir claramente o que é realidade e ilusão, e acabamos não nos abalando ou despertando em virtude de tal sonho. Mas as crianças, especialmente entre 3 e 4 anos, têm dificuldades de separar realidade e fantasia, e quando sonham com algo ruim, acordam e podem ficar confusas, na dúvida se aquele monstro é de verdade ou não, tendo dificuldades para relaxar e voltar a dormir.

No pesadelo a criança lembra o que aconteceu, e pode descrever em detalhes para os pais o que a assustou.

Em caso de pesadelo, o que os pais podem fazer?

– Consolar e acalmar a criança

– Explicar que o que aconteceu estava só na cabeça dela

– Deixar com a criança algum objeto que ela goste (ursinho, cobertor)

– Conversar sobre o que pode estar preocupando ela

– Desenvolver uma rotina relaxante, um ritual para a hora do sono, para que aprendam como relaxar e voltar a dormir mais facilmente

O Terror Noturno Infantil

Diferente do pesadelo, o terror noturno infantil acontece na fase “Não-REM”. Conforme as teorias científicas sugerem, se deve provavelmente à imaturidade do sistema nervoso central da criança. Embora os pais possam se assustar, é algo natural e que acontece com algumas crianças. Esse processo de maturação acontece aos poucos, de acordo com o crescimento, tornando os episódios cada vez mais raros, até se extinguir de vez na adolescência.

Durante o terror noturno, que dura em média uns 15 minutos, a criança pode manifestar sinais de pânico intenso, conversar, gritar, chorar, se debater, ficar de olhos abertos ou se sentar na cama. E mesmo que esteja muito agitada, normalmente ela continua dormindo, não nota a presença dos pais e depois nem se lembra do que aconteceu.

Os episódios de terror noturno são relativamente comuns em crianças, e as pesquisas sugerem que não há prejuízos na vida delas, ou seja, não vai atrapalhar seu desenvolvimento. Os pais precisam ficar atentos se os episódios forem muito frequentes, como, por exemplo, todas as noites, mas, se acontecer uma ou duas vezes por semana, é mais provável que seja apenas uma fase.

Curiosamente, pesquisas indicam que pais que falam dormindo ou são sonâmbulos, têm mais chances de ter filhos com terror noturno.

Em caso de terror noturno, o que os pais podem fazer?

– Tocar e acariciar, acalmando a criança

– Esperar o momento passar

– Não é necessário acordá-la

Família informada!

Ambos, pesadelos e terror noturno, raramente têm efeitos psicológicos negativos e duradouros sobre as crianças, mas podem gerar dúvidas e sofrimento se a família não tiver as devidas orientações. Agora você poderá identificar melhor o comportamento do seu pequeno durante o sono e saber quando é hora de procurar um profissional para ajudá-lo!

Especialista Leonardo Martins, Doutor em Psicologia Social pela USP fala sobre terror noturno infantil e pesadelo, pela Phitters.

Leia também:

Profile photo of Phitters

Portal de Conteúdo Parental, fundado por uma mãe amorosa e cheia de dúvidas, que encontrou apoio e orientação nos mais de 40 especialistas, que dividem seu conhecimento científico, com simplicidade e praticidade. Publica como convidada no Blog da Leiturinha.