Ideias inspiradoras merecem ser compartilhadas… Conheça a história de Lucélia Clarindo que dedicou seu tempo livre após aposentadoria para incentivar a leitura.

Meu interesse pelos livros começou quando era criança. Não havia muitos em casa, mas lia todos que podia na escola. Adulta, depois de atuar por mais de uma década como professora dos anos iniciais, passei a ser dinamizadora da sala de leitura da EM Doutor Raul Pinheiro Machado, em Ponta Grossa (a 113 quilômetros de Curitiba). Minha função era incentivar os alunos a ler e contar histórias. Gostei tanto que decidi me dedicar mais a esse tipo de trabalho.

A sala de leitura sob minha responsabilidade se tornou referência na cidade e fui trabalhar na Secretaria Municipal de Educação em 1996. Era responsável pelas salas de leitura de toda a rede e participei de muitas ações ligadas ao Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler). Um ano depois, fui para a Secretaria Municipal de Cultura e organizei outros projetos na área.

Em 2005, voltei à sala de aula na EMEIEF Frei Elias Zulian, mas continuava certa de que queria trabalhar com políticas de leitura. Com o apoio da diretora, passei a conciliar o trabalho de professora com outras tarefas. Improvisei um espaço em um corredor e organizava rodas de leitura e outras dinâmicas.

Em 2007, nasceu o Bando da Leitura. Depois que parei de trabalhar na Frei Elias, duas estudantes me procuraram e disseram que sentiam falta das atividades de leitura que eu realizava. Por causa da iniciativa delas, passamos a nos reunir em minha casa. Logo o grupo começou a crescer a ponto de crianças e adolescentes de outros bairros frequentarem as reuniões, realizadas sempre às quartas-feiras.

No início, eram poucas obras, mas, com o tempo, chegaram muitas doações. O que começou com um gesto singelo hoje é um projeto com mais de 3 mil livros em um espaço no quintal.

Todos são bem-vindos e cada vez recebemos mais gente, também para contações de histórias. Hoje, temos em média 30 frequentadores. Basta chegar, escolher um título e procurar um canto para ler. Costumo dizer que a disposição dos livros é uma pequena bagunça, própria de uma boa sala de leitura. As obras estão em estantes, separadas por grandes temas, como folclore, poesia, literatura infantil e clássicos brasileiros.

A história do Bando da Leitura é curiosa: ele nasceu justamente na época que eu me aposentei porque queria parar de trabalhar. Não me arrependo: essa atividade me faz continuar entre os livros, as crianças e os jovens.

Por Revista Escola.