“Não somos obrigados a aguentar crianças mal-educadas que não sabem se comportar”, “muitos pais não impõem limites”, “birras atrapalham a tranquilidade dos lugares”, “quem não tem filhos tem o direito de frequentar lugares livres de crianças”… A polêmica envolvendo estabelecimentos que não permitem a entrada de crianças tem ganhado cada vez mais força, dividindo opiniões entre os que acreditam que não receber os pequenos é uma preferência válida e os que acham que essa atitude representa a intolerância à infância. Pois é, este impasse está longe de acabar, mas, afinal, você sabe o que é e quando surgiu o movimento childfree?

A origem do movimento Childfree

O termo childfree, que quer dizer “livre de crianças”, surgiu na década de 1980 no Canadá e nos Estados Unidos, com o objetivo de agrupar adultos que não tinham vontade de ter filhos e se sentiam discriminados por isso. Hoje em dia, porém, o movimento tem ganhado novos adeptos que estão indo além do “não quero ter filhos”, para o “não gosto de crianças”. Com a ajuda das redes sociais, o termo vem ganhando mais espaço e gerando cada vez mais polêmica!

Comodidade ou preconceito?

Hotéis e restaurantes que não aceitam crianças estão sendo questionados nas redes sociais, dividindo opiniões até mesmo entre especialistas. Ao determinarem que somente é permitida a entrada de maiores de 10, 12 ou até mesmo 18 anos, esses estabelecimentos buscam priorizar e proporcionar sossego e tranquilidade a pessoas que não têm filhos ou que querem momentos de silêncio e paz longe dos pequenos. Alguns especialistas acreditam que essa restrição é uma opção por atender determinado nicho da sociedade e, portanto, legalmente válida, não se tratando de discriminação, desde que claramente estabelecida e previamente informada. Por outro lado, defensores dos direitos infantis afirmam que ao não aceitar crianças, esses estabelecimentos estão promovendo preconceito e intolerância contra um segmento da sociedade: as crianças, abrindo precedentes para outras restrições, como contra idosos ou pessoas com deficiência, por exemplo.

Afinal, não querer conviver com crianças é direito ou intolerância? “Se não conseguimos conviver com as crianças e entender suas necessidades, que sociedade queremos ter no futuro? Uma que confine as crianças apenas a locais específicos gerará adultos que não sabem se relacionar”, opina Isabella Henriques, do instituto Alana, em entrevista à BBC Brasil. Já para a advogada Fabiola Meira, doutora em direito das relações de consumo e professora-assistente da PUC-SP, “há quem diga que pode haver preconceito, mas acho que locais privados podem adotar um modelo de negócios para um público diferente (que restrinja crianças), com base na livre iniciativa”, afirmou também à BBC Brasil.

E as mães e os pais? O que acham disso?

O aumento no número dos estabelecimentos childfree impacta diretamente na vida de mães e pais que querem ou precisam sair junto com os filhos pequenos. Seja por não ter com quem deixar as crianças ou, até mesmo, por querer um momento em família, esses pais podem ser impedidos de frequentar determinados locais. Isso, em uma sociedade como a nossa, afeta principalmente mães solo que já vivenciam, muitas vezes, o sentimento de solidão materna, se equilibrando entre trabalho, casa e filhos, em uma rotina atribulada, e tendo, na maioria das vezes, seus momentos de lazer junto dos filhos. Pensando nisso, será que esses estabelecimentos não colaboram para tornar a maternidade algo ainda mais solitário?

E você, o que acha dos estabelecimentos childfree? Será que a sociedade está se tornando egoísta e pouco empática ao não tolerar a convivência com crianças? Ou será que essa opção do mercado é válida e importante para pessoas que queiram momentos de tranquilidade longe dos pequenos? Você já vivenciou alguma situação envolvendo locais com essa restrição? Como se sentiria se passasse por isso? Compartilhe sua opinião aqui com a gente!

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Jornalista e autora no Blog da Leiturinha, é fascinada por tudo que envolve o mundo da leitura, das histórias às poesias. Acredita que as palavras aproximam pessoas, libertam a imaginação e modificam realidades. Gosta de escrever, viajar e aprender sempre.