Coluninha | Por Lizandra Magon de Almeida.

Quando uma nova criança nasce, nascem com ela as expectativas de toda a família. A quem será que vai puxar? Torcerá pelo time do pai ou da mãe? Será que vai gostar de chocolate?

Há pouco mais de um mês, nasceu minha sobrinha. E eu, como leitora e editora de livros, já estou pensando se ela vai me acompanhar no gosto pela leitura. Claro que torço para que possamos trocar impressões, para que ela goste dos livros infantis que publico e para que depois venha me mostrar suas próprias descobertas. Mas, principalmente, para que navegue por esse mundo sem amarras, tendo a leitura como companheira de viagem e não como uma obrigação imposta pela escola ou mesmo pelo compromisso com um certo futuro.

Aprendi as primeiras palavras assistindo Vila Sésamo, uma versão brasileira do programa americano que tinha ninguém menos do que Sonia Braga no elenco – muitos anos antes de ela pensar em se tornar uma estrela internacional. A partir daí, passei a ler tudo que caía na minha mão: gibis, livros infantis, livros nem tão infantis assim, até bula de remédio.

Minha irmã – mãe da minha sobrinha – quando criança não tinha tanto interesse pela leitura. Foi só na adolescência que ela realmente passou a gostar. Tudo começou com um livro de Paulo Coelho, que ainda estava começando a se tornar o escritor popular que viraria depois.

Ela leu. Devorou. Daí vieram outros do próprio Paulo Coelho. Ela começou a explorar as estantes de casa e foi ampliando seu gosto, deixando a curiosidade levá-la para longe. Nessa trajetória, conheceu o escritor português José Saramago, que muitos consideram uma leitura difícil. Eu mesma, devo confessar, não consegui ler todos os livros dele até o fim. Mas minha irmã se tornou fã e hoje me empresta os que não tenho.

Assim, viramos companheiras de leitura, trocando títulos, fazendo recomendações e às vezes até comprando livros em parceria: nas férias, gostamos de ler romances água com açúcar, hoje conhecidos como chick lit (ou literatura de garotas), um termo um tanto quanto depreciativo, como tantas outras coisas menosprezadas por se destinarem ao público feminino. Mas morremos de rir com eles e depois comentamos. São divertidos e pronto.

Sinceramente, não tenho o menor preconceito. Tão variadas quanto as pessoas são os livros. E eles também são tão variados quanto os nossos estados de espírito. Tem livro de férias, livro de pensar na vida, livro de ler antes de dormir, as categorias são infinitas – e cada um cria as suas.

Conheço gente que lê os livros de história ou filosofia mais cabeludos e não têm paciência para ler ficção. Outros devoram romances de 900 páginas e sofrem na hora de ler um livro teórico para a faculdade. Não existe regra – um livro leva a outro e quando menos se espera o leitor já está pensando em qual será sua próxima leitura.

Então, é só dar acesso e esperar. Logo, você verá que tem alguém escondido embaixo das cobertas com uma lanterna, tarde da noite, porque não consegue dormir enquanto não souber o que acontece no final da história…


Lizandra Magon de Almeida é jornalista, tradutora de profissão e proprietária da Pólen Livros, que edita livros infantis e voltados a questões do universo feminino.

Profile photo of Lizandra Almeida
Jornalista

Tradutora de profissão e proprietária da Pólen Livros, que edita livros infantis e voltados a questões do universo feminino.