Criar um filho sozinha(o) não é uma tarefa fácil

Apresentar o mundo e todas as suas regras a uma criança não é uma tarefa fácil. Ainda assim, algumas causas levam muitas pessoas a desempenharem essa função sozinhas. O abandono, a morte, a indisponibilidade, são fatores que criam um espaço em branco na vida de muitas crianças, em nossos moldes de sociedade.

Atualmente, 5,5 milhões de crianças não tem o nome do pai no registro, apenas no Brasil. Se unir a outra pessoa, que possui seus próprios conflitos e história, para dedicar-se a moldar uma nova vida é intenso. Nem sempre os propósitos são os mesmos, não é possível concordar em tudo e os interesses divergem. A vida antiga morre, é difícil digerir o luto. Muitos optam por não enfrentar essa mudança e pulam do barco no meio do caminho.

Mães, pais e avós solo: Você não precisa ser pãe

Para quem fica, sobra o outro lado da corda, que se torna insustentável. Como manter a ponte firme, se é preciso assumir os dois pesos? Para o lado que ficou, não há a opção de desistir. São inúmeras responsabilidades, conciliadas à dor do abandono. E mais, há uma criança ali que lida com a ausência.

Conseguimos preencher muitas lacunas em nossas vidas. Sempre é possível conhecer um novo amigo, casar-se novamente, comprar outro carro, mudar de casa… Mas a base sobre a qual construímos tudo isso é uma só. Não há como modificar nossa origem, pois é o que nos antecede e pré-determina. Uma criança que sofre com a ausência dos pais não tem como compensar. A lacuna fica lá, vaga.

E para quem fica com a obrigação de sustentar a base dessa criança, sozinha, sobra a dor e o medo. Medo de não saber construir uma base sólida o suficiente, de não conseguir suprir a carência, de não saber assumir a responsabilidade que era do outro. Além disso, tem-se que equilibrar a própria vida.

O responsável sente-se determinado a suprir essa falta. São mães solo, pais solo, avós, tios, amigos que se encarregam de uma função dupla, incubindo-se de preencher o vazio na vida desses pequenos. Nesse momento, surgem pessoas extremamente sobrecarregadas, apenas com o intuito de cumprir um papel que está vago.

O pequeno precisa lidar com a falta

É fato que, em certo momento da vida, a criança se questionará do porquê que com ela é diferente. Mas nessa hora é preciso que ela saiba que não tem uma mãe que é mãe e pai ao mesmo tempo, ou uma avó que foi mãe e pai. Simplesmente, foi criado por um responsável, que não precisou desempenhar duas funções. Esta mãe, avó, pai, seja quem for, desempenhou com excelência a sua função, e isso foi o suficiente.

A pessoa que realiza essa tarefa, sozinha, é digna de toda admiração pela coragem, mas não cabe a ela exercer dois ou mais postos, pois há toda uma rede de sustentação em torno dessa criança, não dependendo apenas dela. É necessário deixar de enobrecer esse título, pois o que essas pessoas precisam é de pessoas que cumpram a sua função na vida dessa criança, não de honrarias por abandonarem suas vidas e se desdobrarem em mil pedaços.

Não podemos continuar encobrindo postos abandonados por outras pessoas. Precisamos ensinar nossos pequenos que não há como ocultar todas as lacunas na vida. Em alguns casos, será necessário lidar com a ausência, a falta. Criaremos, assim, pessoas conscientes de suas ações, bem como, seguros de si mesmos e dos impactos que têm suas escolhas.

E quando a separação chega junto com o filho?

Após muitos planos, preparativos e expectativas, o bebê finalmente chega! O primeiro filho do casal traz uma imensidão de alegria e amor, nunca antes imaginados. No entanto, por outro lado, com a chegada do pequeno, não só a rotina do casal muda, como eles também. Com as responsabilidades e os cuidados com o recém-nascido, o tempo fica curto, os sentimentos à flor da pele, o sono não tem vez e, com isso, é possível que haja o cansaço e o afastamento do casal, resultando algumas vezes na separação após nascimento do filho. Mas quais seriam esses conflitos que, sem um bom diálogo, dedicação e paciência, podem ser tão intensos a ponto de levar à separação após o nascimento do filho? Continuar lendo.

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Sou Victória Silveira, escrevo como convidada para o Blog da Leiturinha e, no amanhecer dos meus 19 anos, acabei por me reconhecer como escritora, amante das Artes e mãe da Helena.