11 lições do filme O Começo da Vida 2: Lá Fora

por | dez 26, 2020 | 0 Comentários

Em 2016, o filme O Começo da Vida passou pelos quatro cantos do planeta e reforçou a importância dos primeiros anos de vida na formação dos seres humanos. Agora, em O Começo da Vida 2: Lá Fora, a equipe busca explicar por que as conexões entre as crianças e a natureza podem revolucionar o nosso futuro.

Quando assisti ao documentário, lançado este ano, meu primeiro pensamento foi: “Todo pai, toda mãe, todo professor(a) deveria assistir esse filme!”. Então, para te convencer a também conhecer essa produção especial, separei algumas das principais lições que podemos aprender com O Começo da Vida 2: Lá Fora. Acompanhe!

A vida acontece lá fora

Gostaria de começar contando a minha própria história! Até os meus 5 anos de idade, eu e minha mãe moramos em uma fazenda no interior do Rio Grande do Sul, junto com os meus avós. Eles tinham um “tambo” de leite e muitas plantações espalhadas pelos imensos campos que rodeavam a casa onde morávamos.

Todos os dias, bem cedo pela manhã e bem no final da tarde, meu avô ia para a cocheira, ordenhar as vacas. Eu ia junto e ficava sentada em um banquinho, observando como ele fazia o trabalho da ordenha. Lembro também da minha avó agachada na horta, que ficava bem ao lado da nossa casa, plantando e colhendo verduras. Já minha mãe trabalhava fora durante o dia e estudava à noite. Então, eu acabava ficando com meus avós e tias.

Eu, minha mãe e minha irmã (Foto de arquivo pessoal)

Minha mãe, minha irmã e eu (Foto de arquivo pessoal)

Eu quase não tenho lembranças de brincar dentro de casa. Isso porque passava a maior parte do tempo na rua, correndo pelos campos, perseguindo as galinhas no galinheiro, brincando de esconde-esconde, de pegar, fazendo piquenique embaixo das árvores. Ainda não tinha escola, já que essa etapa veio somente depois dos 5 anos.

E mesmo depois que eu e minha mãe nos mudamos para Porto Alegre, onde já não tinha mais o espaço da fazenda, as brincadeiras continuaram acontecendo na rua. Nessa época, tínhamos um pátio grande em nossa casa, com muitas árvores, onde eu adorava subir para colher as frutas.

Conforme fui crescendo, as brincadeiras passaram a ser jogos de vôlei com os amigos da rua ou simplesmente ficar sentada na calçada até tarde, batendo papo. Inclusive, as brigas em casa sempre costumavam acontecer porque eu não conseguia chegar na hora marcada. Sempre queria ficar um pouquinho mais na rua. Não tínhamos telefones, computadores ou televisão a cabo. Mas tínhamos uns aos outros e, por incrível que pareça, isso bastava.

Meu filho, diferente de mim, não cresceu em uma fazenda. Nasceu em um hospital e veio para o apartamento onde já morávamos. Começou a frequentar a escola aos 2 anos de idade. Hoje, aos 6 anos, sempre que vou buscá-lo, pergunto: “Qual a coisa mais divertida que aconteceu na escola?”. A resposta é instantânea e sempre a mesma: “O pátio!”. “De novo?”, eu pergunto. E ele me diz: “Mamãe, não preciso nem pensar, o pátio é a parte mais divertida de todas. Porque a gente brinca de pega-pega, esconde, esconde, pula corda, mexe na tartaruga, joga futebol!”.

11 lições do filme O Começo da Vida 2: Lá Fora

Por isso, muito antes de assistir ao filme O Começo da Vida 2: Lá Fora, eu já sabia que a vida acontece fora das paredes que nos envolvem no dia a dia. Ou pelo menos, a vida divertida que as crianças tanto curtem. Pensando nisso, confira 11 lições do filme!

1. A criatividade faz parte da infância

A infância é um estado que nos torna capazes de reinventar a natureza, de lançar olhares inéditos sobre o mundo, de enxergar outros caminhos que não parecem óbvios. Ou seja, é na infância que criamos, imaginamos e aprendemos a treinar nossa mente para encontrar novas soluções, novas possibilidades para questões que os adultos já consideram resolvidas.

2. As crianças precisam de um tempo ao ar livre

O Começo da Vida 2: Lá Fora mostra que a maior parte do tempo, as crianças são mantidas em locais fechados. Isso tem gerado inúmeros problemas de saúde, tais como obesidade, depressão, diabetes, déficit de atenção e, até mesmo miopia, por exemplo. Por isso, as crianças necessitam do contato com a natureza.

3. O contato com a natureza é fundamental para a sustentabilidade

Se as crianças não conviverem com a natureza, como poderão se apaixonar por ela? E, se não se apaixonarem, como irão cuidar do meio ambiente? Afinal, só cuidamos daquilo que conhecemos e amamos! Nesse sentido, o contato com a natureza é fundamental para a proteção do meio ambiente e das ações de sustentabilidade.

4. A natureza estimula as brincadeiras

A própria natureza é um brinquedo nas mãos das crianças. Tudo vira diversão! Com a casca de uma árvore e alguns gravetos, constrói-se um barquinho! Assim, a natureza estimula as brincadeiras.

5. Precisamos pensar em novos modelos de escolas

Hoje, a maior parte das escolas parecem fábricas, ou mesmo penitenciárias. Não é à toa que o modelo tradicional de escola que conhecemos foi inspirado na Revolução Industrial, onde os operários eram enfileirados para produzir mais e melhor. Infelizmente, quase não existe natureza dentro das escolas. E precisamos mudar essa situação!

6. A observação da natureza também ensina

O Começo da Vida 2: Lá Fora mostra que, socialmente, instituiu-se que o local de ensino-aprendizagem é dentro da sala de aula. Portanto, o lado de fora seria o lugar do “nada”, onde nada se aprende, nada acontece. No entanto, isso não é verdade! A observação e o contato com a natureza são fundamentais para o conhecimento.

7. As crianças sentem falta do contato com o meio ambiente

Em O Começo da Vida 2: Lá Fora, vemos que uma escola em Novo Hamburgo (RS) observou que as crianças da Educação Infantil costumavam passar muito tempo olhando para a rua, através das janelas das salas de aula. Isso chamou a atenção dos professores que, então, passaram a incluir mais tempo de aula no pátio da escola. E não nos pátios de cimento, mas nos pátios naturais, com uma imensa quantidade de verde e animais silvestres!

8. A natureza incentiva a imaginação

Crianças que brincam em parques naturais inventam brincadeiras com mais frequência e também distraem-se mais sozinhas. Ou seja, o contato com o meio ambiente estimula a criatividade e a imaginação, competências essenciais para a formação do ser humano.

9. O tempo ao ar livre cria memórias

O risco não é a criança subir na árvore, cair e quebrar um braço, por exemplo. O risco maior é ela nunca subir em uma árvore. Afinal, a natureza estimula os cinco sentidos (visão, olfato, paladar, tato e audição) e contribui para a criação de memórias importantes.

10. Se sujar também é importante

Por vezes, os pais reproduzem ideias de que a natureza é suja e, portanto, poderia transmitir doenças aos pequenos. É comum ouvirmos os responsáveis falando frases como: “Cuidado, você vai se sujar” ou “Não põe a mão no chão, é sujo”, ou ainda “Não mexe, é perigoso”. Porém, O Começo da Vida 2: Lá Fora, mostra que se sujar faz parte do aprendizado e da compreensão das crianças do mundo.

11. O ser humano faz parte da natureza

Agimos como se a natureza e os seres humanos fossem separados. Quando, em verdade, tudo é uma coisa só! Fazemos parte da natureza e a natureza faz parte de nós.

Com medo da violência, muitas crianças têm sido criadas em verdadeiras “bolhas”. Ou seja, sendo superprotegidas pelos pais ou responsáveis. Por isso, não ocupam mais os espaços da rua, dos parques, e passam a maior parte do tempo trancafiados entre paredes, com smartphones, televisões e outros aparelhos ocupando quase todo o seu tempo fora da escola.

Essa situação tem gerado um alto preço para o seu desenvolvimento: crianças que não aprendem a correr direito, ou sequer caminhar. Que tropeçam nos próprios pés e não tem o domínio dos seus corpos. As crianças perdem muito quando deixaram de ocupar os poucos espaços abertos. Está na hora de começarmos a pensar mais sobre isso. Te convido a começar assistindo ao documentário O Começo da Vida 2: Lá Fora!

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Escrito por Gabriela Braun
Consultora educacional, educadora parental e mãe do Rafael. Ajuda mães e pais a lidarem com comportamentos desafiadores dos filhos através da educação consciente. * Gabriela é nossa autora convidada e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Leiturinha.
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