Com a popularização da tecnologia e o acesso mais frequente de um público cada vez mais jovem às telas, aplicativos e redes sociais, a cidadania ganhou um pacote de expansão: a Cidadania Digital. Entender o que é e como exercê-la é fundamental para que pais e educadores possam garantir a segurança e o bom uso da internet aos pequenos.

Mas o que é Cidadania Digital?

Para entendermos Cidadania Digital, é importante que primeiro pensemos sobre Cidadania. A palavra abrange o conceito de que nós, cidadãos, temos direitos e deveres, que devem ser exercidos em sociedade para que haja paz e respeito. Entre esses direitos e deveres permeiam os conceitos de ética e moral, assim como as punições previstas em lei para o não cumprimento dessas diretrizes. A Cidadania Digital segue as mesmas premissas da Cidadania, mas em um cenário diferente, a internet.

O problema da Cidadania Digital é que a internet traz uma sensação de anonimato, que abre espaço para o não cumprimento de ações. Um paralelo disso é o anonimato trazido pelo trânsito, por exemplo, é muito comum observarmos pessoas boas que aparentemente tornam-se a sua pior versão quando dentro do falso anonimato do veículo, e xingam os outros, não dão passagem ou não param na faixa. Comportamentos que dificilmente reproduziriam na empresa, em casa ou a pé. Ou seja, de fato o anonimato contribui para evanescer algumas normas de conduta aceitável. 

Por isso, Cidadania Digital é tão complexa. E nesse cenário, é mais e mais importante que esse assunto seja discutido e abordado com os jovens pelos pais e educadores. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que regulamenta as habilidades essenciais a serem trabalhadas nas escolas brasileiras, é proativa nesse critério, pois já prevê que os jovens tenham contato com habilidades analíticas e avaliativas do conteúdo na internet. Só assim será possível construir uma Cidadania Digital entre os novos usuários e instigar destreza, autonomia e gentileza no uso das redes.

Então, como ensinar Cidadania Digital?

É importante que pais e educadores ensinem como evitar os perigos da internet, e empoderem os pequenos no uso responsável da ferramenta e alertem sobre os riscos. Assim, o jovem, ao perceber algo estranho, conseguirá identificar e se sentirá à vontade para buscar pais e professores para orientação. Diálogo é vital para que a construção seja, de fato, efetiva. 

Algumas dicas sobre pontos para reflexão e diálogo com os pequenos:

1. SEGURANÇA

Quais sites e informações estamos divulgando nas redes? Com quais pessoas podemos manter contato virtual? Estou usando a rede de forma segura?

2. COMPARTILHAMENTO

Quais fotos e vídeos estamos postando? Com quem estamos compartilhando? Existe a possibilidade desse conteúdo me causar problema em algum contexto?

3. CYBERBULLYING

Como estamos tratando nossos colegas? Existe alguma possibilidade do que eu escrever causar dano ou sofrimento a alguém?

4. RESPEITO

Eu estou sendo ético, ou estou sendo favorecido pelo anonimato? Em outros contextos eu agiria dessa mesma forma?

5. AUTO-IMAGEM

Estou usando a internet de maneira saudável e positiva? Quando desligo as telas me sinto mais feliz ou mais triste?

6. DIREITOS AUTORAIS

Estou usando em meus trabalhos escolares alguma informação que não foi escrita por mim, sem dar os devidos créditos?

7. CRIMES VIRTUAIS

Estou excluindo ou usando a internet para tirar proveito de algo ou alguém?

Essas perguntas funcionam para guiar às melhores práticas virtuais e orientar os pequenos sobre ética, respeito cuidado e segurança no mundo virtual. Afinal, ser cidadão é ter consciência de nossas atitudes e ações com as outras pessoas em todos e quaisquer pontos de contato

Leia também: 

Profile photo of Nathalia Pontes

Mestranda em Psicologia da Educação, Psicopedagoga e Escritora, acredita que aprender é uma combinação entre autoconhecimento, troca e curiosidade pelo novo. É apaixonada por educação, desenhos, viagens e literatura.