Como explicar a depressão para crianças?

por | jan 14, 2021 | 1 Comentário

Infelizmente, a depressão infantil tem se tornado cada vez mais frequente. Apesar do difícil diagnóstico em muitos dos casos, é importante que os pais e responsáveis estejam atentos ao comportamento das crianças e adolescentes. Afinal, quanto mais cedo for feita a identificação dos sintomas, mais rápido será o início do tratamento. No entanto, diante dessa situação complexa, como explicar a depressão para crianças?

Atenção aos sinais da depressão infantil

Meu filho anda meio tristinho… 

Minha filha não quer sair do quarto…

Meu filho não conversa com ninguém, anda cabisbaixo…

As frases acima foram todas extraídas de fóruns na internet, onde pais desesperados tentam encontrar uma resposta para a tristeza que seus filhos vivem. Muitas vezes, esses sentimentos aparecem do nada, deixando todos bastante desorientados e confusos. Porém, quando o comportamento parece ser constante e duradouro, pode ser um sinal da depressão infantil.

Embora o diagnóstico já seja mais recorrente e encarado até com naturalidade pelos adultos, quando a depressão se manifesta em crianças pode virar um verdadeiro “tabu”. Ou seja, algo que não pode ser comentado com os pequenos e pequenas. Além disso, essa situação também pode causar muita culpa em pais e responsáveis. Pensando nisso, como lidar com o diagnóstico de depressão infantil?

A depressão é uma doença

Acima de tudo, precisamos encarar a depressão como uma doença. Nem mais, nem menos. Contudo, muitos pais ainda tentam entender onde foi que erraram, por exemplo. Outros, tentam encarar o assunto como falta de amigos, falta de amor, falta de atividades e até mesmo falta de fé. Mas a depressão é, como toda doença, um assunto clínico. E ninguém trata uma forte dor de estômago apenas com carinho, não é mesmo?

Geralmente, quando alguém está doente, recorre-se à medicina. Então, a dor é diagnosticada e tratada da maneira correta, por profissionais qualificados. Por que fazer o contrário com uma doença tão séria quanto a depressão?

Sintomas da depressão infantil

Alguns sintomas da depressão infantil já são listados por milhares de profissionais que dedicam seu tempo para estudá-la. O número de diagnósticos de depressão infantil passou de 4,5% para mais de 8% nos últimos 10 anos. E a previsão é que, em 20 anos, ela seja a doença mais comum no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Portanto, vale a pena observar se seu filho ou filha tem demonstrado algumas atitudes como:

  • Dificuldade para concentrar-se na escola, geralmente acompanhada de falta de interesse em aprender coisas novas;
  • Alterações bruscas de humor, ora irritando-se, ora em estado de euforia, ora chorando sem motivo aparente;
  • Desinteresse em atividades que envolvam outras pessoas, sejam elas familiares, colegas de escola e demais crianças;
  • Dificuldade para dormir durante a noite e sono excessivo durante o dia;
  • Sentimento de culpa excessivo, com tendência a punir-se por pequenas falhas;
  • Sentimento de rejeição, como se não sentisse que é parte deste mundo;
  • Dores de cabeça, dores abdominais e cansaço excessivo nas pernas;
  • Dificuldade de controlar o xixi.

É importante lembrar que toda criança pode manifestar os sintomas acima vez ou outra. Porém, quando eles passam a ser duradouros e cada vez mais intensos, é necessário atenção especial. Por isso, confie na opinião e no diagnóstico de um médico psiquiatra.

Para os pais, um alívio: não é culpa sua 

Por mais que fatores externos contribuam para a depressão, a doença se manifesta em qualquer um. Seja ele rico ou pobre, mimado ou não. Não dá para carregar um peso que não é seu, ok? Ao invés de gastar essa energia se culpando, que tal investir na criação de uma rede de apoio para o pequeno ou pequena, demonstrando que ele não está sozinho? 

Cuidar da criança depressiva envolve um princípio primordial: não julgar, não ter preconceito e nem comparar a criança com as demais. Frases como “seu irmão é tão animado e você não é”, ou “aquela criança da nossa rua brinca tanto e você não sai de casa”, por exemplo, só pioram o tratamento. Cada criança tem seu tempo e ritmo. Então, exerça a compreensão e a empatia.

Como explicar a depressão para crianças?

Dito isso, vamos conversar sobre um assunto delicado: como explicar a depressão para crianças? Para te ajudar nessa tarefa, temos algumas dicas importantes. Confira!

Não crie lendas ou fantasias

Imaginar é tudo de bom e faz parte do universo infantil, mas apenas na hora certa. Nesse sentido, explique para a criança que a depressão é uma doença e que ela será tratada. Lide como se fosse apenas uma dor de barriga, por exemplo, e trate o assunto com naturalidade.

Para a criança, saber o que ela tem e que ela está sendo cuidada é um passo bastante importante. Afinal, isso traz conforto e uma sensação importante de proteção.

Participe do tratamento

Você não deve participar das sessões, nem tentar ajudar o terapeuta a entender seu filho. Ele sabe como fazer isso e, naquele momento, ficar a sós com o pequeno paciente é essencial. Sua participação no tratamento inclui acompanhar a criança até o consultório, conversar com o terapeuta para pedir indicações sobre como agir e incentivar o progresso da criança a todo momento.

Além disso, você não deve ficar perguntando para seu filho ou filha sobre os assuntos abordados nas sessões. Por mais que a curiosidade e a ansiedade sejam enormes, já que os pais e responsáveis querem ver a criança bem o mais rápido possível, é necessário ser paciente.

Crie um ambiente seguro e amoroso

Atitudes simples, como uma nova roupa de cama no quarto, atividades em família e jantares com um toque de alegria, incluindo o prato predileto da criança, por exemplo, podem fazer toda a diferença. Essas situações não irão curar a doença, mas vão dar um recado claro de que a criança é amada e respeitada.

Elimine do vocabulário familiar termos pejorativos

Nada de tratar a depressão como frescura, como birra, como falta de força, falta de fé ou mesmo como fracasso. A criança precisa ser incentivada e estimulada. Há relatos de adultos, inclusive, que deixaram de levar as crianças até um profissional de saúde mental, alegando que “seu filho não é louco”. Porém, pensar assim só irá trazer malefícios para todos.

Faça dos professores seus aliados

Peça ajuda aos professores das crianças. Eles terão prazer em observar seu filho ou filha com carinho e atenção. Também será possível apoiar os pequenos em situações de pressão, como trabalhos em grupo, provas e até mesmo quando ocorrem pequenas desavenças com colegas.

E deixe claro que este é um pedido de ajuda, para que o professor(a) não sinta que está sendo considerado culpado pela doença. Ele(a) é, antes de tudo, um grande aliado no tratamento da criança.

Incentive a imaginação

Os livros infantis são sempre ótimos aliados, sendo inclusive recomendados por profissionais. É o caso da biblioterapia, inclusive. Pensando nisso, leia com seu pequeno ou pequena, converse sobre as histórias e induza as crianças a saírem um pouco de sua realidade.

Os questionamentos sobre a vida, por meio de momentos lúdicos, podem descansar a cabeça. Afinal, a fantasia é um recurso inesgotável para momentos familiares. Faça uso dessas ferramentas!

Por fim, relaxe!

Aqui, o conselho não significa deixar de lado os problemas e fingir que eles não existem. Trata-se de uma dica para manter a paz e a saúde mental de todos em casa. Isso porque não adianta se desesperar, nem ficar em estado de alerta o tempo todo, por mais que a depressão exija cuidados.

Relaxar e se divertir com a criança é fundamental, seja curtindo os momentos em família, assistindo aos filmes dos quais ela gosta e brincando junto. Ou seja, faça sua parte, mas sem o peso de ser um super-herói. Você só precisa ser uma mãe ou pai atento e amoroso. Esse é o papel que irá fazer a diferença e trazer a luz necessária para a escuridão chamada depressão infantil.

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Categorias:
10+ | 4 - 6 | 7 - 10 | Criança
Escrito por João Godoy
Designer de conteúdo no aplicativo PlayKids, roteirista e produtor de conteúdo apaixonado por narrativas, personagens e o papel do storytelling no desenvolvimento infantil.
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1 Comentário

  1. Avatar

    meu filho tem 6 anos ele é uma criança tímida ele só fala comigo com o pai avós é longe de mim só com a professora mais ninguém mesmo não sei mais o que fazer queria muito que ele se comunicasse com outras pessoas é só com. adultos crianças ele conversa normal até as que ele não conhece mas não fala c ninguém mais se ele está passando com o psicólogo mas até agora nada nem com ele falou

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