Fazem bonecos parecerem bebês, seus pais parecerem artistas, sua casa cidade cinematográfica, produtos de limpeza parecerem vitamina, fogo parecer não queimar e colocar a vida em risco uma grande diversão. O “desafio da rasteira” é apenas mais um dos inúmeros “desafios” que se propagam por meio da internet com expressiva audiência, em sua maioria, protagonizados por jovens, tão imaturos quanto seu público.

A “brincadeira” consiste em três pessoas lado a lado, a do meio dá um salto, as duas das pontas lhe passam uma rasteira, fazendo com que caiam de costas ou de cabeça no chão. E, com razão, tem preocupado famílias de todo Brasil, já que representa, visivelmente, riscos à saúde e à própria vida, como já relatados alguns casos.

Como cuidar da infância na Era da Internet? 

O fato é que, muito ou nada habilidosas com as novas tecnologias, crianças e adolescentes continuam em condição peculiar de desenvolvimento, tal como prevê o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente (artigo 6º).

Não dá mais para pensarmos nos mesmos problemas com uma geração que dispõe de acessos que outras gerações não tinham. E esse alerta vai, não somente para as famílias, mas, igualmente, para as escolas. Todos somos responsáveis por impedir a violação dos direitos da criança e do adolescente (artigo 70 ECA).

Dicas importantes que valem não só para o caso do desafio da rasteira:

Aderindo ou não às NTICs (Novas tecnologias de informação e comunicação) na proposta pedagógica, a responsabilidade das escolas, hoje, ultrapassam seus domínios físicos. Não dá para ouvir via “rádio corredor” que crianças andam praticando desafios e não dar a devida atenção. Sabendo disso, muitas escolas já estão se movimentando para incluir assuntos relacionados à educação digital no dia a dia dos alunos, por entenderem que é preciso estar junto, é preciso observar, é preciso dar asas, mas antes de soltar, ensinar a voar.

1. Atente-se para o que compartilha. Ainda que de forma bem intencionada, ao compartilhar vídeos que expõem crianças ou adolescentes a situação constrangedora ou vexatória, você pode estar violando o artigo 18 do Estatuto da Criança e do Adolescente.

2. Mantenha-se informado e fique atento para não tornar o assunto ainda mais “aterrorizante”.

3. Para crianças pequenas, opte pela utilização de plataformas fechadas, como PlayKids.

4. Levando em consideração as preferências de seus filhos, selecione previamente os conteúdos acessíveis, atualizando sempre que necessário.

5. Estabeleça uma relação de confiança e um virtuoso canal de comunicação off-line.

6. Sente-se junto com sua criança e aproveite para verificar se os vídeos que assiste são construtivos ou instigam comportamentos agressivos ou que colocam sua saúde ou vida em risco. Uma boa oportunidade para exercitar o pensamento crítico!!

7. Jamais acredite que você (ou seu filhos não estão sujeitos “a essas bobagens”. O excesso de confiança representa um dos maiores fatores de riscos!

8. Não subestime o potencial das novas gerações, sobretudo daqueles que já dispõem de acesso à internet ou que possuem seu próprio smartphone. Com jeitinho, converse sobre tudo, sobre riscos e também sobre oportunidades que as NTICs oferecem. Se você não disser, a internet dirá do jeito dela!

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Advogada atuante no Direito Digital, sócia e CEO da Nethics Educação Digital, colaboradora dos Manuais de Orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria, autora do Manual de Boas Práticas para Uso Seguro das Redes Sociais da OAB/SP, e outros livros, artigos e cartilhas relacionados ao tema. *Alessandra  é nossa autora convidada e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Leiturinha.