Para além de nutrir o corpo, é necessário alimentar um bebê com palavras

A língua materna, ou a língua de origem, carrega consigo toda carga emocional e cultural que qualquer ser humano precisa para existir no mundo. Tornamo-nos humanos junto de outros humanos por meio da linguagem, já nos dizia Joseph Campbell, Vygotsky, Lacan e tantos outros filósofos e teóricos.

Assim, os contos, as histórias e as cantigas são tão fundamentais quanto a própria relação, pois se tornam a linha condutora do afeto e da própria cultura. A palavra, dita e não dita, e toda comunicação que se tem com um bebê, é o elo que fortalece sustenta os vínculos – vínculos estes que sustentarão todo seu aprendizado e desenvolvimento.

E nesse emaranhado de palavras e afetos em que o bebê está imerso (antes mesmo de nascer), os livros são poderosos aliados! Ah… estes objetos analógicos, que não emitem luzes nem se movem sozinhos, carregam em si todo um universo de possibilidades: mundos imaginários, e outros, reais, dos quais as crianças usarão para explorar o mundo e a si mesmos por toda a vida!

Livros para bebês: Mas, o bebê entende quando eu leio para ele?

A compreensão dos bebês varia muito de acordo com a singularidade de cada um, assim como qualquer outro aspecto do desenvolvimento. Segundo a psicanalista Françoise Dolto, os bebês são capazes de nos compreender e mais, eles também nos respondem – cabe a nós perceber e promover esta comunicação, que pode ser mediada por palavras, mas que não se limita a elas, afinal, o corpo também fala. Isso significa que devemos sempre nos comunicar com eles, apostando em sua compreensão, desde o nascimento, ainda que não nos respondam como gostaríamos.

A leitura para bebês: o segredo está na mediação!

Quando bebês, os pequenos não tem que saber como lidar com um livro. É um objeto frio, muitas vezes duro e pesado, grande demais para suas pequenas mãozinhas e se derrete ao ser mastigado! Não parece, então, nada apropriado para um bebê, não é mesmo? Hum… aí é que está o grande segredo: a riqueza de um livro para bebês está na mediação! Um livro para bebê pode ser um brinquedo, mas não precisa ser só isso – com a mediação de um adulto (ou criança mais velha), os bebês poderão aproveitar todas as emoções de um livro, como o humor, a fantasia, os dramas e suspenses… Poderá sentir e apreciar o ritmo das palavras ditas, gerando uma memória afetiva daquele que lê para ele. Tudo isso e muito mais! Confira dois livros para bebês que provam de que nem só de interatividade material vive a literatura para bebês:  

Bia e o Elefante: um livro sobre as delicadezas da infância

Bia e o Elefante, Lançamento Exclusivo Leiturinha, de autoria de Odilon Moraes e Carolina Moreyra, é um livro delicado, sutil, com ilustrações expressivas e um texto enxuto que muito tem a dizer sobre conviver com as diferenças. A obra narra a rotina de Bia e o Elefante, uma dupla de amigos que quase nada têm em comum, mas que nem por isso deixam de se divertir juntos. A história explora ainda com os pequeninos conceitos básicos, como opostos, sem perder de vista a qualidade literária e o espaço para a imaginação. 

 

É Um Livrinho, de Lane Smith

Para homenagear este objeto tão querido e precioso, e para nutrir nossos pequenos Leitores de Berço com muito humor e imaginação, o livro da vez promete risos e brincadeiras com bebês: “É um Livrinho”, publicado pela Companhia das Letrinhas, é uma versão mini do clássico “É um Livro”, de Lane Smith, publicado em mais de 25 línguas. A obra fala sobre o estranhamento comum a todos os bebês diante do objeto livro e, de uma forma muito bem-humorada e doce, faz uma homenagem a este indispensável item, que tanto tem a nos dizer, o livro! O título foi traduzido por Júlia Moritz Schwarcz.


Inspirados? Então agora é só escolher aquele livro que você tanto gosta, escolher um cantinho aconchegante e trocar muitas ideias com seu pequeno, contando-lhe uma boa história!

Ainda não faz parte do nosso clube de leitores? Incentive a leitura desde os primeiros meses de vida do seu pequeno, fazendo parte da Família Leiturinha!
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Mãe da Cecília, formada em Psicologia, especialista em Filosofia, sempre trabalhou com famílias, especialmente com os pequenos. Por esse amor ao universo afetivo infantil, hoje, na Leiturinha, ela colabora fortalecendo o vínculo das famílias leitoras através da experiência da literatura.