Quando o assunto é segurança das crianças, todos os pais e educadores têm conselhos sobrando: “não fale com estranhos”, “não aceite presentes de desconhecidos”, “só atravesse a rua na faixa, depois de olhar atentamente para os dois lados”. No entanto, quando o assunto é segurança na internet, o assunto torna-se significativamente mais complexo. Essa complexidade acontece porque tudo que envolve segurança digital é relativamente muito novo, são questões que não foram passadas de forma geracional, como os outros conselhos de segurança, são novos, e de fato esta é a primeira geração de pais que têm que lidar com esses pontos. E essa inexperiência, infelizmente, acaba trazendo margem os perigos virtuais. Para reverter essa situação, é necessário que, cada vez mais, assuntos sobre segurança sejam debatidos e popularizados. Informação é a maior armadura para lidarmos, da melhor forma possível, com situações adversas. 

Conheça alguns dos perigos virtuais e descubra como manter seu pequeno seguro

1. Vídeos com conteúdo inapropriado. 

A internet traz uma miríade de conteúdo de formatos e temas variados. Assim, é muito comum que seu filho tenha algum tipo de contato com informações que abordam sexualidade, violência, drogas, morte ou outros temas não apropriados à faixa-etária, seja buscando o conteúdo, por acidente, ou por trocas com amigos e conhecidos. Assim, é importante que os pais estejam presentes e acompanhem esse uso. Crianças de até cinco anos ainda não têm controle sobre os conteúdos buscados, pois ainda estão em formação. Durante esses anos, é ideal que os pais conheçam e selecionem empresas verdadeiramente preocupadas em fornecer conteúdo de fato infantil, seguro e educacional. E que usem filtros e modos de segurança nos navegadores, para que esses vídeos não desejados não se infiltrem nas programações. Conforme o crescimento da criança, esse controle parental gradativamente torna-se confiança, que é criada pela diálogo, pelas explicações, claro que apropriadas à idade das crianças, pela orientação e pelo acompanhamento. O ideal é que pais e educadores conversem sobre as possibilidades, benefícios e perigos da internet, conduzam e reforcem a importância dos filhos se sentirem confortáveis em reportar qualquer informação estranha. 

2. Compartilhamento de informações pessoais.

Quantas vezes aceitamos, sem ler, termos, para conseguir baixar um app novo ou navegar em um site. Se um adulto faz isso, quem dirá as crianças. O compartilhamento e acesso a informações pessoais como nome, idade, endereço, localização é algo frequente nos produtos virtuais. No entanto, quando fala-se de crianças os cuidados devem ser redobrados. A conversa e a orientação são sempre o caminho para o cultivo de hábitos virtuais seguros. Conforme o seu pequeno vai ganhando visão de mundo, mais claros ficam os debates sobre temas mais complexos. Mostre para ele as possibilidades de compartilhamento. Peça, na medida do possível, para que ele não aceite as indicações sem ler e que não converse com pessoas desconhecidas virtualmente. E converse sobre a divulgação de fotos e informações pessoais na rede. Acompanhe a rotina virtual da criança e conheça os sites e redes que ele/ela mais usa, assim como os seus personagens e youtubers favoritos. Entenda o ciclo do seu filho e sempre dialogue sobre segurança e comportamento virtual.

3. Bullying

Os espaços para o bullying na internet são amplos, a prática pode vir através de comentários, fotos, conversas, emojis e chats. O bullying pode ser um estopim para depressão infantil, relacionamentos abusivos, desmotivação e baixa autoestima, e por isso requer atenção e cuidado. Para combatê-lo é necessário muito diálogo e direcionamento, tanto para a pessoa que pratica o bullying, quanto para a vítima da ação. Ambas as posições exigem cuidados e orientação. 

– Caso seu filho seja vítima do bullying: Fique atento ao nível de estresse do seu filho e mudanças de comportamento. Nem sempre as crianças compartilham o assunto com os pais. Empodere seu filho e reforce sempre que possível sua autoconfiança. Entenda em qual ciclo está acontecendo o bullying, para que consiga acionar os pais da criança e junto lidarem com a situação. Lembre-se que o praticante do ato também é uma criança e precisa de orientação. Evite julgamentos, sempre que possível.

– Caso seu filho pratique o bullying: Converse com o seu filho, pergunte qual o teor das conversas online. Fale que uma vez compartilhada a informação, qualquer pessoa pode usar aquilo. Faça com que ele pratique a empatia. Use pessoas que ele admira como exemplo de comportamento. Entenda que atos de violência são natos do humano, explique e apresente maneiras de canalizar esse ímpeto de formas saudáveis e positivas. Estabeleça limites e acompanhe de perto a situação. 

4. Abuso infantil

Esse é um dos perigos mais difíceis de lidar. Primeiramente, direcione e converse sempre com o seu filho sobre pessoas desconhecidas e conhecidas e os limites do corpo e das palavras. Converse muito sobre os incômodos, empoderando seu filho para acionar um adulto sempre que sentir que alguma relação não está legal.

Andrea Taubman, autora do livro “Não me toca, seu boboca”, comenta em diversas entrevistas que a maior vantagem do abusador é saber que a criança não tem conhecimento sobre o assunto. Então, explique de maneira simples e fácil o que pode e o que não pode, use a literatura para te ajudar a adentrar assuntos complexos. Supervisione conversas virtuais que seu filho tem, converse a apoie inseguranças, sempre se atentando a possíveis mudanças de comportamento de seu filho.

No fim das contas, seja no real ou no virtual, ter uma relação próxima com seu pequeno, permeada de carinho e muito diálogo, é sempre o melhor caminho para mantê-lo seguro! 

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Mestranda em Psicologia da Educação, Psicopedagoga e Escritora, acredita que aprender é uma combinação entre autoconhecimento, troca e curiosidade pelo novo. É apaixonada por educação, desenhos, viagens e literatura.