Estamos isolados, mas continuamos unidos.

Ninguém, de forma alguma, poderia prever o que o mundo passaria neste ano. É algo sem precedentes e que obviamente assusta. A pandemia pela com a qual todos nós estamos lidando nos obrigou a viver um momento, digamos assim, diferente. Pais convivem com os filhos que estão estudando em casa. Muitos avós não têm acesso aos seus netos a não ser por chamadas pelo celular ou através do computador. Hoje, uma reunião de trabalho é feita por pessoas isoladas em suas casas. O almoço se transformou em um momento para alimentação solitária diante da TV. Os habituais locais de lazer, como cinemas e museus, estão vazios.  As pessoas estão em casa e não se sabe ainda por quanto tempo. Apesar do cenário ser triste e desolador, ainda temos esperança que vai ficar tudo bem. Iniciativas estão chamando a atenção para algo que fortalece a humanidade desde o princípio: o amor.

O mundo está se mobilizando

Cursos online estão sendo disponibilizados, artistas famosos estão fazendo lives em suas casas e até celebridades como Michelle Obama estão lendo livros infantis ao vivo para as famílias. Além disso, há uma movimentação acontecendo em lares de todo o mundo para trazer esperança em tempos de quarentena.

A corrente do arco-íris ganha força a cada dia. Crianças na Itália estão utilizando papéis coloridos, canetinhas, tinta e tudo que podem para ilustrar suas janelas com lindos arco-íris. Dessa forma, colorindo sua vizinhança. O movimento “Andrá tutto bene” está no Instagram. É difícil não se emocionar com as imagens.

Aqui no Brasil, as crianças têm feito versões online das pracinhas e dos clubes de leitura com os amigos. Estão fazendo até sessões nas quais cada um assiste em casa seus desenhos animados prediletos, para depois comentarem juntas. É um jeito de manter vivo o sentimento de amizade.

Relatos de como há esperança através da tecnologia

Os relatos a seguir são um exemplo de como a tecnologia tem sido uma ponte para as famílias manterem-se unidas.

1. Videochamadas importam neste momento

Erika é mãe da pequena Lara, de apenas 1 ano e meio. A família adora viajar e apresentar o mundo para Lara. Mas agora, dentro de casa, os bons momentos estão sendo feitos de um jeito diferente. Os avós e a madrinha têm conversado com ela por ligações em vídeo. Foi em uma dessas chamadas que todos puderam ouvi-la falar pela primeira vez. Um momento mais do que especial. A babá de Lara, que cuida dela desde os 2 meses, chora toda vez que liga para Erika e vê a pequena. Pois nunca haviam ficado tanto tempo separadas.

2. Existem muitas maneiras de ensinar o que está acontecendo

Cláudio é pai das gêmeas Valentina e Antonella, de apenas 3 anos e meio. Elas estão na escola desde seus sete meses e acostumadas a conviverem com outras crianças. Com a ansiedade vivida pela família, elas intercalam seus sentimentos. Quando uma está mais tranquila, outra está mais agitada. Para esses momentos, os pais fazem chamadas com os amiguinhos de escola. Esses manifestam sua saudade e vontade de se verem pessoalmente o quanto antes. 

Questões sobre “o que está acontecendo”, “quando isso vai passar” e “por que estamos passando por isso” são inevitáveis. Para crianças, ter que ficar em casa sem poder abraçar as pessoas, vendo notícias na TV e imagens de pessoas com máscaras é algo muito estranho e angustiante. Cláudio conta que utilizou da linguagem lúdica para explicar para as gêmeas o que está acontecendo com o mundo. 

Hoje elas sabem que “um bichinho muito pequeno e invisível” está deixando as pessoas doentes e não podemos sair para não espalhar o bichinho para os amigos. A escola na qual elas estudam utilizou glitter vermelho e água explicar o motivo do isolamento. Explicar é sempre o melhor caminho e na internet há muitos recursos para falar disso com as crianças. Por exemplo, a PlayKids disponibilizou livros digitais que podem ser baixados sobre o assunto. 

3. Cada um tem seu jeitinho de demonstrar a saudade

Caroline Lara é mãe pela primeira vez. Seu pequeno Caetano, de 1 ano e 7 meses, é seu companheiro inseparável em aventuras. Agora, em casa, ela está se adaptando para manter seu filho feliz e saudável. Pela idade, o bebê ainda não tem noção de distância e não sabe traduzir o que é saudade. Mas seu coração sente. Quando vê um “senhorzinho” na tela do computador ou celular, ele grita “vovô!”, mesmo não sendo seu avô na imagem. 

Quando fala com o vovô, Caetano assume um protagonismo: pega o celular e sai. Mostra a casa, os cachorros, os gatos, o que está fazendo, comendo e até oferece banana ou suco. Para Caroline, é bem claro. Caetano quer que seus familiares estejam perto. Não apenas por chamadas de vídeo. Mostrar para os avós o que está fazendo e como está a sua casa é a forma que ele encontrou de continuar perto.

Cada família é um universo particular. Os relatos são sempre sobre como o ser humano consegue se reinventar e manter viva a sua fé e força. 

4. Uma festa surpresa virtual!

Guilherme Martins nos contou que fatos que antes eram despercebidos no dia a dia agora chamam a atenção. Em um final de semana, sua filha Valentina, de 9 anos, conversou sobre a ideia de dar uma festa “supresa” de aniversário para a mãe. Valentina, então, tomou a iniciativa de convocar todos os parentes, amigos e conhecidos para enviarem vídeos desejando feliz aniversário para a mãe, Laura.

Junto da filha, Guilherme fez várias chamadas e foi um momento especial. Quando os vídeos começaram a chegar os dois progrediram com a ideia da festa surpresa. Adquiriram um link para até 100 pessoas participarem juntas de uma videochamada. Os familiares da mãe, que são da Venezuela, estavam junto a  outros amigos que estão ao redor do mundo. Cada um em seu fuso horário, mas unidos para celebrar a vida. 

Depois do vídeo editado, uma amiga de Laura fez um bolo e enviou na casa de Guilherme. Quando ela acordou, foi surpreendida pelo vídeo e se emocionou, matando a saudade de pessoas que não via há muito tempo. Quando o bolo foi colocado em frente à TV, surpresa! A chamada iniciou-se e mais de 30 pessoas cantaram “parabéns a você”. Laura falou com seus pais, chorou e a casa encheu-se de alegria. 

“Depois de muito choro e um bolo delicioso, nos despedimos e a festa acabou. Trazendo segundo ela, a melhor festa de aniversário que teve em muitos anos”, nos conta Guilherme.

A felicidade de suas esposa e da filha, que foi a criadora do evento, fizeram desse momento algo mais saudável, memorável e único. Além de festejar, Guilherme passa para seus filhos (além de Valentina, ele tem os pequenos Pedro e Valen) noções de responsabilidade e cuidado. Todos ajudam nas tarefas de casa, cuidam uns dos outros e aprendem a ser mais independentes e conscientes.

A tecnologia está ajudando demais neste momento difícil!

Iniciativas que antes não poderiam acontecer, agora são possíveis com a força da tecnologia. Ela uniu as pessoas. Diminuindo o distanciamento social e trazendo um sentimento de empatia e valorização da vida.

Não é nosso papel romantizar uma pandemia, na qual muita gente está vivendo momentos trágicos e dolorosos. Nosso papel é reforçar a mensagem de que a vida é algo único e especial. Cada momento de amor, mesmo à distância, é um passo para superarmos essa crise e voltarmos a enfim nos abraçar e celebrar nossos sentimentos.

Vai ficar tudo bem. Estamos isolados, porém unidos. 

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João Godoy é editor de conteúdo da PlayKids. Roteirista e produtor criativo, é um dos criadores dos personagens da série animada O Pequeno Mundo de Dante.