“Você precisa ver como os seus dedinhos são ligeiros no celular! Como pode, tão criança e já tão esperto!”. “Acredita que já sabe escolher o aplicativo que gosta?” “Se eu te contar você não acredita, já sabe até tirar foto do meu celular. Veja só que selfie incrível!” “Ele não me dá um pingo de trabalho, passa horas com o tablet em seu quarto.”. Com essas e outras frases, concluímos que, sem dúvidas, as crianças nascem conectadas.

Você já disse ou ouviu alguém dizer alguma dessas frases acima?

Pois bem, importante lembrar que as novas tecnologias tanto podem constituir ferramentas para o bem como para o mal, com desafios que colocam em risco a vida das crianças, por exemplo. Com certeza, sentimos muito orgulho de nossos pequenos contarem com uma habilidade ímpar para lidar com elas. Mas, não podemos nos esquecer que nada mudou sobre sua condição peculiar de estar em desenvolvimento. Portanto, continuam desprovidos de maturidade e discernimento suficientes para perceber as vulnerabilidades a que encontram-se, assim como nas ruas, no mundo digital.

Muitas coisas poderiam ser evitadas com orientação!

Com assertividade e com base em minha vivência profissional, posso assegurar que muitos dos crimes e ilícitos cibernéticos, sobretudo aqueles envolvendo crianças e adolescentes, poderiam ser evitados com orientação. Assim, como com informações adequadas e tempestivas.

Ok! Eu sei que para as gerações que não cresceram conectadas não é nada fácil tentar acompanhar esta dinâmica. Mas, os avanços tecnológicos continuarão evoluindo e a cada dia apresentando mais e mais soluções. Além de alternativas para “facilitar” a vida da sociedade. Resistir a estes avanços ou fingir que nada está acontecendo não é a melhor alternativa, pelo contrário. É preciso lembrar que de um lado temos as novas gerações que dominam a tecnologia. Porém, são, naturalmente, imaturos. Do outro, temos pais, avós, padrinhos, tios, professores mais experientes com a vida. Mas, com pouca (ou nenhuma) habilidade com a tecnologia. Aí que está o ponto. A troca é muito importante entre as duas gerações

Você me ensina e eu te ensino, combinado?

Claro que a avó ou a mãe não precisam aprender a jogar Minecraft (a menos que queiram). São inúmeros os jogos, programas, vídeos e aplicativos que despertam o interesse da molecada. Você é livre para não querer jogar, interagir, participar e até gostar. Mas é necessário conhecer e tentar entender por que seu filho, neto, aluno ou sobrinho fica “hipnotizado” quando diante deles. Esse é, no mínimo, um importante caminho para aproximação e consequente proteção.

Que mágica, que segredo é esse que faz uma criança querer ficar tanto tempo diante das telas? 

A internet, quando utilizada com ética, segurança e responsabilidade é, sem dúvida, uma ferramenta fantástica. Assim como um meio de entretenimento, comunicação e acesso à informação sensacional.

Independente da faixa etária e a finalidade para a qual a internet é utilizada, é preciso conhecer os riscos e oportunidades que ela representa. Somente os conhecendo é que podemos otimizar nossos ganhos e mitigar prejuízos. 

Devemos nos preocupar com a vida virtual de nossos filhos

Nos preocupamos com o que comem, o quanto se alimentam, se a linha pedagógica adotada pela escola é adequada, se é segura, se os alunos são orientados sobre como subir e descer escadas, se não saem sozinhos da escola e muito mais. Nos preocupamos quanto aos critérios que consideram antes de baixar um aplicativo no dispositivo que entrega nas mãos de sua criança? Quem são os amigos virtuais do seu filho? Quem são seus “heróis” da telinha?

É mesmo um grande desafio lidar com mentes em desenvolvimento. Além de uma importante responsabilidade, a qual, diga-se e de acordo com o artigo 70 do Estatuto da Criança e do Adolescente, não está restrita à família. Mas também à sociedade de uma forma geral, ora representada por todos os seus integrantes, pessoas físicas ou jurídicas, poderes, instituições e entidades. Mas, como bem define o artigo 226 da Constituição Federal, a família é a base da sociedade. É nela ou na ausência dela que a criança nasce e se desenvolve. 

Proteção é proteção. Valores são valores. Assim como vida é vida, seja ela virtual ou real! 

Algumas dicas!

1. Senha é pessoal!

Explique que senha não se compartilha com ninguém, além dos pais ou responsáveis.

2. Por que ela quer jogar?

Procure saber sobre o que atrai sua criança neste universo, o porquê, como funciona, o que propõe este jogo ou aplicativo.

3. Classificação indicativa.

Confira se é indicado para sua idade e se não for, explique e proponha uma alternativa.

4. Tem chat aberto?

Importante verificar se este aplicativo de jogo propicia interação com estranhos.

5. Com quem joga?

Saber com quem joga também é relevante para garantir sua segurança. 

6. Quais são os vídeos que eles assistem?

Será que os vídeos que assiste são construtivos ou instigam comportamentos agressivos e que colocam sua saúde ou vida em risco? Só sentando ao lado pra saber.

7. Laços off-lines são mais importantes.

Por fim, como sempre, estabeleça um virtuoso canal de comunicação off-line.

Conta para a gente, como você faz com a vida digital de seus filhos na internet?

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Profile photo of Alessandra Borelli

Advogada atuante no Direito Digital, sócia e CEO da Nethics Educação Digital, colaboradora dos Manuais de Orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria, autora do Manual de Boas Práticas para Uso Seguro das Redes Sociais da OAB/SP, e outros livros, artigos e cartilhas relacionados ao tema. *Alessandra  é nossa autora convidada e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Leiturinha.