{"id":4911,"date":"2020-06-01T19:35:14","date_gmt":"2020-06-01T22:35:14","guid":{"rendered":"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/escolhi-ser-mae\/"},"modified":"2024-12-04T14:13:37","modified_gmt":"2024-12-04T17:13:37","slug":"escolhi-ser-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/escolhi-ser-mae\/","title":{"rendered":"Escolhi ser m\u00e3e: o que me levou \u00e0 maternidade"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com dados do \u00faltimo senso, temos 67 milh\u00f5es de m\u00e3es no Brasil. Esse n\u00famero mostra que a maior parte das brasileiras dizem sim \u00e0 maternidade. Para aprofundar esse tema, conversamos com tr\u00eas m\u00e3es de diferentes idades que disseram \u201c<\/span><b>Escolhi ser m\u00e3e<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, para entendermos o que de comum existe dentro das peculiaridades de cada viv\u00eancia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para esta mat\u00e9ria, conversamos com F\u00e1tima (50 anos, m\u00e9dica), Beatriz (41 anos,\u00a0 supervisora) e Cilmara (58 anos, gerente nacional de relacionamento). <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Alguns nomes foram trocados para preservar a identidade das participantes.<\/span><\/p>\n<h2><b>Nathalia: Em que momento voc\u00ea percebeu que queria ser m\u00e3e?\u00a0<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O momento que a mulher decide ser m\u00e3e pode variar muito de acordo com cada experi\u00eancia, no entanto, sempre h\u00e1 o momento. F\u00e1tima sabia que seu grande sonho de vida era ser m\u00e3e, ela nunca imaginou uma vida que n\u00e3o acolhesse filhos. Beatriz, de certa forma partilhava essa mesma vontade, mas n\u00e3o propriamente como um sonho, e sim como uma experi\u00eancia que deveria ser vivida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Acho que a palavra que resume o momento \u00e9 curiosidade. Queria saber como um filho meu seria, como seria seu rostinho, <\/span><a href=\"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/quero-que-meu-filho-de-certo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"font-weight: 400;\">sua personalidade<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, como seria <\/span><a href=\"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/5-beneficios-da-amamentacao-para-saude-materna\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"font-weight: 400;\">amamentar<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e cuidar, queria testar a minha capacidade de procriar e de ver o resultado final&#8221;, afirma Beatriz.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Cilmara, a vontade de ser m\u00e3e veio na vida adulta, quando ela come\u00e7ou a desfrutar a maternidade como espectadora de amigos e parentes. &#8220;Comecei a me interessar em ser m\u00e3e quando amigas e familiares come\u00e7aram a ter beb\u00eas. Notava a felicidade que o beb\u00ea trazia para as m\u00e3es recentes. Comecei a sentir vontade de experienciar tamanha gra\u00e7a&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b>Nathalia:<\/b> <b>Em algum momento voc\u00ea questionou a decis\u00e3o de ser m\u00e3e?<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tornar-se <\/span><a href=\"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/um-livro-sobre-a-maternidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"font-weight: 400;\">m\u00e3e \u00e9 um grande desafio<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, afinal toda escolha implica em ren\u00fancias, e ter um filho \u00e9 a escolha mais importante que fazemos. Por tamanha grandiosidade, impacta quase, sen\u00e3o todas, as dimens\u00f5es da vida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como bem ressalta F\u00e1tima, &#8220;Ap\u00f3s o nascimento do filho, a vida vira do avesso, voc\u00ea percebe que aquela crian\u00e7a depende 100% de voc\u00ea. \u00c9 um pouco desesperador, eu que achava que controlava tudo, percebi que n\u00e3o controlava nada. Acho que \u00e0s vezes pode passar pela cabe\u00e7a um certo &#8220;o que que eu fui inventar&#8221;, mas a\u00ed voc\u00ea olha aquele serzinho e tudo vale a pena&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em sua fala, ela ressalta as diferentes cria\u00e7\u00f5es de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. Ela conta que, de certa forma, n\u00e3o havia sido criada para a maternidade, e sim para o trabalho, enquanto as mulheres de gera\u00e7\u00f5es anteriores haviam sido criadas para serem m\u00e3es. Isso trouxe um pouco de ang\u00fastia, como se ela n\u00e3o tivesse sido preparada para essa faceta.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b>Nathalia: O que mudou a sua vis\u00e3o antes e p\u00f3s maternidade?\u00a0<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vislumbrar a maternidade e ser m\u00e3e s\u00e3o experi\u00eancias completamente diferentes, que exigem grande entrega principalmente nos primeiros meses de vida do beb\u00ea. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Beatriz conta que a maternidade mostra que todos aqueles clich\u00eas de amor incondicional s\u00e3o reais. \u201cTudo em torno da maternidade \u00e9 muito intenso, come\u00e7ando pela gesta\u00e7\u00e3o, que te obriga a abrir m\u00e3o do seu corpo para gerar outro. Depois do nascimento essa dedica\u00e7\u00e3o continua, \u00e9 uma doa\u00e7\u00e3o integral ao filho. Isso \u00e9 impressionante, de como doamos sem pedir nada em troca. A compensa\u00e7\u00e3o \u00e9 sentir o amor que voc\u00ea sente pela crian\u00e7a&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">F\u00e1tima, mostra um outro lado da maternidade, o empoderamento. &#8220;Eu me senti uma verdadeira leoa, a minha filha passou seus primeiros 40 dias na UTI. Eu sentia que se eu passasse por aquilo eu poderia passar por absolutamente qualquer coisa. Me senti forte, poderosa mesmo, mais madura e mais segura&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cilmara conta que a maternidade fez dela uma melhor pessoa. &#8220;Sinto que a maternidade me alavancou, me mostrou outras formas de conquistas. Me senti blindada sendo m\u00e3e, mais madura. Me livrei dos medos do passado e senti um impulso para me tornar uma pessoa cada vez melhor&#8221;.<\/span><\/p>\n<h2><b>Nathalia: Se hoje voc\u00ea n\u00e3o tivesse filhos, como acha que seria a sua vida?<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Beatriz, a maternidade \u00e9 uma das viv\u00eancias necess\u00e1rias de vida. &#8220;Acho que eu teria uma pergunta n\u00e3o respondida. Me sentiria incompleta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s situa\u00e7\u00f5es que eu julgo necess\u00e1rias de serem vividas&#8221;. A mesma ideia \u00e9 defendida por Cilmara, que veria um grande vazio em sua vida hoje se tivesse dito n\u00e3o \u00e0 maternidade. &#8220;Sentiria que minha vida teriam lacunas. A maternidade me fez plena, grande parte da minha felicidade \u00e9 a felicidade do meu filho&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">F\u00e1tima entende que como ela queria muito ser m\u00e3e, n\u00e3o saberia ao certo como seria para ela uma vida sem filhos. No entanto, ressalta que pode existir uma certa liberdade das mulheres que optaram por n\u00e3o serem m\u00e3es, de fazerem o que quiserem quando quiserem. Diferentemente das m\u00e3es, que sempre tomam decis\u00f5es pensando no outro.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b>Nathalia: O que voc\u00ea acha mais dif\u00edcil em ser m\u00e3e?\u00a0<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para F\u00e1tima, o mais dif\u00edcil \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o eterna: \u201c\u00c9 andar com o cora\u00e7\u00e3o do lado de fora do corpo, \u00e9 se preocupar sempre se a pessoa est\u00e1 bem, segura e saud\u00e1vel&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Beatriz aborda o respeito \u00e0s decis\u00f5es do outro:\u00a0 &#8220;O mais dif\u00edcil talvez seja voc\u00ea saber que uma parte de voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 sobre o seu controle, saber que essa parte tem vontade pr\u00f3pria. \u00c9 assistir algumas decis\u00f5es sem intervir, \u00e9 entender que seu filho \u00e9 outro ser humano, e n\u00e3o voc\u00ea, \u00e9 segurar esse \u00edmpeto de sofrer no lugar do outro&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cilmara aponta a responsabilidade como principal desafio: &#8220;<\/span><a href=\"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/educar-criancas-para-que\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"font-weight: 400;\">Educar<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, passar suas cren\u00e7as e padr\u00f5es. A responsabilidade de fazer com que aquela pessoa seja uma boa pessoa&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b>Nathalia: O que voc\u00ea mais gosta em ser m\u00e3e?<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;\u00c9 lindo v\u00ea-los crescendo, \u00e9 t\u00e3o m\u00e1gico, da vontade de chorar. N\u00e3o sou religiosa, mas me faz acreditar no divino. Sentir um ser mexer dentro de voc\u00ea, depois v\u00ea-lo sorrir, te olhar, crescer, ter suas ideia, ser quem \u00e9, \u00e9 m\u00e1gico&#8221;, contempla F\u00e1tima sobre a magnitude da experi\u00eancia em si.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Beatriz fala que o mais gostoso de ser m\u00e3e \u00e9 &#8220;Acompanhar os passos e ver que eu pude promover isso. Saber que eu fui respons\u00e1vel por educar, ensinar aquela pessoa incr\u00edvel \u00e9 muito gratificante, \u00e9 sentir cada conquista do seu filho como se fosse sua&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cilmara menciona o amor s\u00f3 sentido entre m\u00e3e e filho, &#8220;O amor \u00e9 t\u00e3o grande que chega a doer. \u00c9 um amor sem cobran\u00e7a, sem expectativa, sem cobran\u00e7a, \u00e9 o amar por amar&#8221; diz.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b>Nathalia: Como voc\u00eas encaram a maternidade em rela\u00e7\u00e3o a carreira?<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para F\u00e1tima, a mulher \u00e9 cobrada em todos os quesitos: de ser a m\u00e3e perfeita, fornecer a melhor educa\u00e7\u00e3o. Todas essas cobran\u00e7as podem suscitar expectativas irreais em torno do parto e da maternidade. Para ela o segredo da sanidade \u00e9 entender que em algum momento a mulher abre m\u00e3o de alguma coisa:\u00a0 &#8220;Existiram momentos em torno da maternidade que eu perdi, enquanto outras pessoas participaram. Assim, como tiveram aspectos da carreira que eu abri m\u00e3o, mas acredito que todas essas escolhas me fizeram uma melhor m\u00e3e. Pois me permitiram tamb\u00e9m <\/span><a href=\"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/maes-que-trabalham-fora\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"font-weight: 400;\">trilhar uma carreira.<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> Acho que poderia ser um peso para o meu filho ser o \u00fanico respons\u00e1vel pela minha felicidade&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa mesma vis\u00e3o \u00e9 compartilhada por Beatriz:\u00a0 &#8220;Eu acho que o fato de eu ter continuado com a carreira me fez ser uma melhor m\u00e3e. Apesar de muitas vezes isso sobrecarregar mais, devido \u00e0 dupla jornada. Mas, acho que d\u00e1 para levar os dois, carreira e filho. A cobran\u00e7a \u00e9 mais minha do que a sociedade. Me cobro de n\u00e3o acompanhar t\u00e3o de perto minha filha, mas consigo ver com mais clareza que somos duas pessoas. Consigo ter <\/span><a href=\"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/as-maes-tambem-precisam-de-ferias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"font-weight: 400;\">minha individualidade<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, e acho que isso me faz uma m\u00e3e melhor, talvez eu a <\/span><a href=\"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/obsessao-materna\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"font-weight: 400;\">sufocasse<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> se fosse presente 24 horas\/dia&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cilmara adiciona &#8220;Jamais iria deixar a carreira em fun\u00e7\u00e3o do filho. Acredito que se esse ciclo de carreira se quebra, n\u00e3o h\u00e1 oportunidades de resgate. Eu sabia que meu filho ia crescer e iria embora, e eu n\u00e3o queria cobrar dele essa responsabilidade&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conta para a gente, voc\u00ea tamb\u00e9m escolheu ser m\u00e3e? Como foi para voc\u00ea?<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Leia mais:<\/span><\/i><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><i><a href=\"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/culpa-materna\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"font-weight: 400;\">Como lidar com a culpa materna?<\/span><\/a><\/i><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><em><a href=\"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/controle-paterno\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"font-weight: 400;\">Controle paterno: at\u00e9 que ponto faz bem?<\/span><\/a><\/em><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><em><a href=\"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/preocupacao-materna-primaria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"font-weight: 400;\">A explica\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s do instinto materno das rec\u00e9m-m\u00e3es<\/span><\/a><\/em><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com dados do \u00faltimo senso, temos 67 milh\u00f5es de m\u00e3es no Brasil. 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