{"id":4914,"date":"2020-06-12T14:45:30","date_gmt":"2020-06-12T17:45:30","guid":{"rendered":"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/maternidade-real-2\/"},"modified":"2024-12-04T14:13:38","modified_gmt":"2024-12-04T17:13:38","slug":"maternidade-real-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/maternidade-real-2\/","title":{"rendered":"A maternidade real contada por mulheres reais"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se de um lado, algumas mulheres sonham desde crian\u00e7a em serem m\u00e3es, de outro, outras nunca se imaginaram nesse papel at\u00e9 se tornarem uma. Se de um lado a maternidade \u00e9 idealizada, perfeita e incr\u00edvel, do outro, est\u00e1 a <\/span><b>maternidade real<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, intensa e dif\u00edcil. Hist\u00f3rias t\u00e3o singulares, com apenas uma coisa em comum: o peso e o amor de <\/span>ser m\u00e3e<span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\"><b>Sobre ser m\u00e3e<\/b><\/h2>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSer m\u00e3e \u00e9 me doar a todo momento. \u00c9 pensar e estar com ele no meu pensamento 24h por dia. \u00c9 me preocupar, \u00e9 sentir esse medo, acho que at\u00e9 mesmo um medo de perder. \u00c9 querer aproveitar cada momento como se fosse \u00fanico e pedir que o tempo pare\u201d. \u201cSer m\u00e3e \u00e9 crescer e amadurecer, \u00e9 entender o real motivo do meu prop\u00f3sito de vida, do amor, do que eu sinto por eles\u201d. Ser m\u00e3e \u00e9 saber que eu vou continuar viva em algum canto. Porque depois que voc\u00ea tem filho, voc\u00ea se v\u00ea em coisinhas que eles fazem. Voc\u00ea v\u00ea repeti\u00e7\u00f5es de como voc\u00ea \u00e9 ou de como voc\u00ea n\u00e3o \u00e9, neles\u201d. <\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<h2 style=\"text-align: left;\"><b>Um retrato da maternidade real<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Gerar, parir, criar, maternar. Ser m\u00e3e \u00e9 lindo, \u00e9 solit\u00e1rio, \u00e9 intenso, \u00e9 dif\u00edcil, \u00e9 para sempre. Entre o instinto materno, o amor incondicional, a responsabilidade vivida sozinha e compartilhada tamb\u00e9m. Entre as noites mal dormidas, a carga de cuidar e a carreira profissional. Entre o cora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e que sempre cabe mais um e o peso de querer &#8211; ou precisar &#8211; <\/span><a href=\"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/mae-voce-nao-precisa-dar-conta-de-tudo-sozinha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"font-weight: 400;\">dar conta de tudo sozinha<\/span><\/a>. Entre vontades, desejos, anseios, inseguran\u00e7as, ang\u00fastias, realiza\u00e7\u00f5es, alegrias e um amor infinito, est\u00e3o as m\u00e3es.<span style=\"font-weight: 400;\"> M\u00e3es de um, de dois, de tr\u00eas. <\/span><a href=\"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/maes-solo-mais-empatia-pelas-supermaes-que-criam-seus-filhos-sozinhas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"font-weight: 400;\">M\u00e3es-solo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, m\u00e3es que podem contar com algu\u00e9m, m\u00e3es modernas, m\u00e3es corujas, m\u00e3es jovens, m\u00e3es bravas, m\u00e3es liberais, ou tudo isso em uma s\u00f3. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Dizem que m\u00e3e \u00e9 tudo igual, s\u00f3 muda o endere\u00e7o. Mas entre tantas semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as, cada uma sabe as dores e as del\u00edcias de colocar e educar uma crian\u00e7a nesse mundo. S\u00f3 elas sabem do peso e das alegrias de ver os filhos crescerem. E se tornarem tudo aquilo que elas idealizaram ou o contr\u00e1rio disso tudo. S\u00f3 elas sabem dessa culpa e do orgulho tamb\u00e9m. <\/span>S\u00f3 elas sabem e sentem o que \u00e9 acordar a cada dia pensando se est\u00e3o fazendo o certo ou o suficiente. Mas com a certeza de que est\u00e3o fazendo o melhor.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\"><b>Tr\u00eas m\u00e3es, tr\u00eas hist\u00f3rias, tr\u00eas maternidades<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Para dar voz \u00e0s diversas vozes da maternidade e para homenage\u00e1-las tamb\u00e9m, n\u00f3s conversamos com tr\u00eas m\u00e3es que contaram um pouco sobre as suas maternidades. Sobre as alegrias, as dores, as satisfa\u00e7\u00f5es e os desafios que este papel traz. <\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\"><b>M\u00e3e de um<\/b><\/h2>\n<table class=\" alignleft\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9896 alignleft\" src=\"https:\/\/blog-leiturinha-novo.s3.us-east-1.amazonaws.com\/production\/uploads\/2018\/04\/Bruna-Silva.jpg\" alt=\"Bruna Silva\" width=\"400\" height=\"266\" \/>No dia 02 de mar\u00e7o de 2015, com 27 anos, Bruna Silva se tornou m\u00e3e do Matheus. A gravidez, sempre muito sonhada, veio de surpresa. Mas Bruna encarou o desafio e assumiu seu mais novo papel com muita coragem e amor. Hoje, tr\u00eas anos depois, Bruna \u00e9 a principal respons\u00e1vel pela educa\u00e7\u00e3o do filho. Divorciada h\u00e1 quase um ano, ela conta com uma rede de apoio, que inclui a m\u00e3e, a sogra, o ex-marido e os irm\u00e3os, para ajud\u00e1-la. Mas, ainda assim, nem sempre \u00e9 f\u00e1cil enfrentar a rotina corrida do dia a dia, e a jornada tripla entre emprego, casa e os cuidados com seu pequeno. Em meio a tudo isso, Bruna encontra na for\u00e7a e no afeto os pilares para a constru\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da sua maternidade.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: left;\"><b><br \/>\n1) Para voc\u00ea, o que \u00e9 ser m\u00e3e do Matheus? <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ser m\u00e3e mudou muito a minha vida, mudou meu tempo, mudou minha rotina, mudou minha maneira de pensar. Eu passei a dividir o meu cora\u00e7\u00e3o com algu\u00e9m. Ou seja, meu cora\u00e7\u00e3o passou a ter dono, a tomar conta de mim. A me ensinar a amar. Ser m\u00e3e \u00e9 me doar para ele a todo momento. \u00c9 pensar e estar com ele no meu pensamento 24h por dia. \u00c9 me preocupar, \u00e9 sentir essa preocupa\u00e7\u00e3o, esse medo, acho que at\u00e9 mesmo um medo de perder, \u00e9 querer aproveitar cada momento como se fosse \u00fanico e pedir que o tempo pare. \u00c0s vezes, me pego vendo fotos dele e penso que o tempo poderia parar para eu n\u00e3o ver ele crescer, porque eu quero o Matheus cada vez mais pr\u00f3ximo de mim. Mas sei que isso \u00e9 imposs\u00edvel. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b>2) Em que momento da sua rotina voc\u00ea se sente mais m\u00e3e? <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No momento em que eu estou educando, na hora que eu estou ensinando e passando para ele os valores que eu acho que ele tem que levar adiante. \u00c9 uma responsabilidade muito grande, Porque o futuro dele depende de mim e eu sei que estou contribuindo para a sua educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 nesses momentos em que eu paro e penso\u2026 Ser\u00e1 que eu estou certa? Ser\u00e1 que estou sendo uma boa m\u00e3e? Tamb\u00e9m me sinto m\u00e3e nos momentos que estou com ele e que estamos lendo juntos, principalmente. Isso me ajuda muito e eu me sinto cada vez mais pr\u00f3xima dele. E, principalmente, quando algu\u00e9m o elogia, quando algu\u00e9m diz \u201cOlha como seu filho cresceu\u2026\u201d, \u201cComo seu filho fez isso\u2026\u201d. Eu me sinto muito orgulhosa, eu me sinto m\u00e3e. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b>3) A opini\u00e3o das outras pessoas influencia, ou impacta, na sua forma de ser m\u00e3e? O que voc\u00ea faz para driblar isso?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o. Eu sempre gosto de pedir e escutar a opini\u00e3o de outras m\u00e3es, principalmente, das da faixa et\u00e1ria dele. Busco informa\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es, mas n\u00e3o deixo isso impactar ou me influenciar. Sempre absorvo aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio e o que \u00e9 bom. Pego dicas em grupos de m\u00e3es para tirar d\u00favidas com outras m\u00e3es que passaram pelas mesmas quest\u00f5es que eu. Isso me ajuda muito, mas n\u00e3o deixo a opini\u00e3o dos outros me influenciar. Absorvo apenas o que \u00e9 necess\u00e1rio e o que vai me ajudar. A press\u00e3o existe e \u00e9 muita, mas eu n\u00e3o deixo isso tomar conta, eu n\u00e3o me sinto culpada, porque procuro me esfor\u00e7ar ao m\u00e1ximo e fa\u00e7o tudo que posso para estar sempre presente ao lado dele. Julgar, julgam mesmo. Mas eu n\u00e3o fico preocupada, porque estou fazendo da melhor maneira poss\u00edvel. \u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b>4) Para voc\u00ea, qual o lado bom e qual o lado ruim de ser m\u00e3e? <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O lado bom \u00e9 voc\u00ea ter outra pessoa para dividir o amor e o carinho, voc\u00ea poder amar, poder ensinar, educar e compartilhar o dia a dia com essa pessoa, que \u00e9 um serzinho que depende de voc\u00ea. \u00c9 voc\u00ea poder retribuir tudo isso. Agora, o lado ruim \u00e9 a responsabilidade. \u00c9 muito cansativo, a correria do dia a dia. Essa responsabilidade e essa carga de ser m\u00e3e s\u00e3o as partes mais dif\u00edceis. <\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\"><b>M\u00e3e de dois<\/b><\/h2>\n<table class=\" alignleft\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-9897\" src=\"https:\/\/blog-leiturinha-novo.s3.us-east-1.amazonaws.com\/production\/uploads\/2018\/04\/Carolina-Borges.jpg\" alt=\"Carolina Borges\" width=\"300\" height=\"351\" \/><\/p>\n<p>Carolina Borges sempre gostou da casa cheia e da mesa rodeada de gente. Por isso, sempre teve certeza de que seria m\u00e3e, s\u00f3 n\u00e3o imaginou que assumiria esse papel t\u00e3o cedo. Aos 19 anos, ela se tornou m\u00e3e de Mariana. No in\u00edcio, as coisas n\u00e3o foram f\u00e1ceis, mas, conforme amadurecia, Carolina via seu amor crescer cada vez mais. Dez anos depois, mais uma surpresa, nasce Guilherme, seu segundo filho. Hoje, com 36 anos, Carolina divide as responsabilidades e as del\u00edcias de criar os dois filhos, com seu marido e pai dos pequenos, Rodrigo. Em meio a uma rotina para l\u00e1 de agitada, Carolina dribla a culpa e a inseguran\u00e7a, assumindo o verdadeiro papel de m\u00e3ezona.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: left;\"><b>1) Para voc\u00ea, o que \u00e9 ser m\u00e3e do Guilherme e da Mariana?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O nascimento da Mariana me fez crescer como mulher. Depois que ela nasceu eu nunca mais tive dias ruins. \u00c0s vezes, tem algum aborrecimento normal do dia a dia, mas o que ela mudou na minha vida foi isso, fez com que eu n\u00e3o tivesse mais dias ruins. Todos os meus dias tinham que ser bons para que eu pudesse estar ao lado dela e para que eu pudesse dar suporte para ela sempre que ela precisasse. E quando o Guilherme veio, isso s\u00f3 refor\u00e7ou o que eu sempre imaginei, desde quando era crian\u00e7a: que ia ser m\u00e3e. Sempre tive certeza disso. Os dois me fizeram crescer e amadurecer e entender o real motivo do meu prop\u00f3sito de vida, do amor, do que eu sinto por eles. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Eles mudaram o que eu sou como pessoa, os sentimentos que eu tenho pelo pr\u00f3ximo. Me fizeram pensar cada vez mais em querer o bem deles e estar sadia. Eu e meu marido, para a gente dar, n\u00e3o tudo o que eles precisam, mas tudo que a gente puder. Eu vivo por eles, hoje a minha felicidade vai estar completa se eles estiverem bem. Com o nascimento deles, descobri o meu maior medo: perd\u00ea-los. Durante os nove meses de gesta\u00e7\u00e3o o sentimento vai aumentando e quando nascem \u00e9 impressionante como muda e aumenta o medo e o amor. Hoje vejo que os dois me completam, por\u00e9m esse meu medo me atormenta. Coisa de m\u00e3e!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b>2) Em que momento da sua rotina voc\u00ea se sente mais m\u00e3e? <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Eu amamentei por muito tempo. A Mariana, agora com 16 anos, eu amamentei at\u00e9 os 4 anos e meio. Era o momento que eu mais gostava de ser m\u00e3e, o momento que eu mais me sentia m\u00e3e, al\u00e9m de todos os outros cuidados. E o Gui tamb\u00e9m, amamentei at\u00e9 os 3 anos e meio, e foi muito bom, eu n\u00e3o tinha pressa de cortar esse v\u00ednculo com eles. Nos dias de hoje, com a correria, o \u00fanico momento em que a gente se encontra \u00e9 na hora do jantar, ent\u00e3o a gente prioriza muito sentar na mesa n\u00f3s quatro juntos, conversar, perguntar como foi o dia do outro. A gente tenta se organizar para ter esses momentos juntos e \u00e9 quando eu me sinto m\u00e3e, sinto, com alegria e orgulho, que tenho uma fam\u00edlia. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b>3) A opini\u00e3o das outras pessoas influencia ou impacta na sua forma de ser m\u00e3e? O que voc\u00ea faz para driblar isso?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Impactou, principalmente, na cria\u00e7\u00e3o da Mariana. Como eu era muito jovem, eu ouvia muitos pitacos, daqui e dali, e cedia em alguns momentos. Porque quando eu queria fazer da minha forma, n\u00e3o estava fazendo da forma certa. Por ser muito nova, eu era muito julgada. Com o Guilherme, eu j\u00e1 tinha mais maturidade. J\u00e1 tinha passado por muitos perrengues com a Mariana, ent\u00e3o pensei \u201cEsse \u00e9 o meu jeito e cada m\u00e3e tem o seu jeito de fazer as coisas\u201d. Opini\u00f5es a gente tem que ouvir, tem que deixar, mas tem que entender qual o momento certo de aceitar essas imposi\u00e7\u00f5es. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Cada m\u00e3e sabe a forma certa de criar e de impor limites para fazer bons filhos. Isso me incomodava muito no passado, mas hoje em dia eu n\u00e3o me importo tanto. Tento passar por cima disso para n\u00e3o me estressar, porque eu j\u00e1 me culpo muito por n\u00e3o passar tanto tempo com eles. Mas a gente escuta. Cr\u00edtica sempre tem, de todos os lados, at\u00e9 em casa, no dia a dia. Eu e meu marido, \u00e0s vezes, entramos em desacordo tamb\u00e9m. Mas \u00e9 isso. N\u00e3o podemos deixar isso impactar na nossa vida. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b>4) Para voc\u00ea, qual o lado bom e qual o lado ruim de ser m\u00e3e? <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Todas as pessoas mais pr\u00f3ximas de mim que engravidam eu falo \u201cvamos bater um papinho que eu vou te contar a real do que acontece\u2026\u201d, que \u00e9 o lado que ningu\u00e9m conta, que \u00e9 mais dif\u00edcil. N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 flores, \u00e9 cansativo. A gente que trabalha fora \u00e9 mais ainda, \u00e9 exaustiva a jornada. Mas hoje eu penso que o que antes n\u00e3o tinha muito \u00e9 a ajuda do pai, do c\u00f4njuge. Eu fui m\u00e3e solteira com a Mariana. Durante os primeiros cinco anos eu era a principal respons\u00e1vel pela educa\u00e7\u00e3o dela. Com o Guilherme foi tudo mais f\u00e1cil, eu tinha amadurecido e tinha mais a ajuda do meu marido. Mas o lado bom da maternidade \u00e9 que voc\u00ea cresce, voc\u00ea amadurece nas dificuldades, porque no in\u00edcio d\u00e1 trabalho mesmo. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje quando eu vejo o trabalho que os dois deram nos tr\u00eas primeiros meses, eu vejo o quanto era gostoso. Isso que \u00e9 gratificante, voc\u00ea muda a rotina da casa, o cheiro da casa, voc\u00ea est\u00e1 se adaptando a eles e eles a voc\u00ea, mas \u00e9 a melhor fase. Os tr\u00eas primeiros meses s\u00e3o os que d\u00e3o mais trabalho, mas s\u00e3o os mais gratificantes. Eu gosto de casa cheia, almo\u00e7o de domingo, a mesa cheia, rodeada de gente. Eu gosto de ser m\u00e3e. \u00c0s vezes eu penso que n\u00e3o sou aquele tipo de m\u00e3e t\u00e3o presente na escola do filho. Sou o necess\u00e1rio, mas eu tento ser cada vez mais presente e priorizo muito o tempo que eu tenho com eles. <\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\"><b>M\u00e3e de tr\u00eas<\/b><\/h2>\n<table class=\" alignleft\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-9898\" src=\"https:\/\/blog-leiturinha-novo.s3.us-east-1.amazonaws.com\/production\/uploads\/2019\/05\/cynthia-spaggiari-e1557857941311.jpg\" alt=\"Cynthia Spaggiari\" width=\"350\" height=\"342\" \/>Cynthia Spaggiari nunca pensou em ser m\u00e3e e foi um susto, quando aos 16, se descobriu m\u00e3e de Giovanna. N\u00e3o foi nada f\u00e1cil enfrentar uma gravidez na adolesc\u00eancia em uma cidade pequena. Mas, sem recuar, Cynthia concluiu seus estudos e se mudou para outra cidade para cursar a faculdade. Onde teve um novo relacionamento e foi m\u00e3e dos pequenos Otto e Ant\u00f4nio, de 10 e 5 anos. Hoje, com 37 anos, Cynthia \u00e9 m\u00e3e-solo. Giovanna, j\u00e1 com 20, mora com os av\u00f3s na cidade natal e os dois pequenos mais novos s\u00e3o criados pela m\u00e3e, que se divide entre os cuidados com os filhos e a profiss\u00e3o que ama, equilibrando as dificuldades e responsabilidades, sem nunca deixar de ser uma mulher completa.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: left;\"><b>1) Para voc\u00ea, o que \u00e9 ser m\u00e3e da Giovanna, do Otto e do Ant\u00f4nio?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O que \u00e9 ser m\u00e3e da Giovanna, do Otto e do Ant\u00f4nio. \u00c9 saber que vou continuar viva em algum canto, porque depois que voc\u00ea tem filho, voc\u00ea se v\u00ea em coisinhas que eles fazem. Voc\u00ea v\u00ea repeti\u00e7\u00f5es de como voc\u00ea \u00e9 ou de como voc\u00ea n\u00e3o \u00e9, neles. Ser m\u00e3e \u00e9 se jogar em um mundo de incertezas. Porque a gente sempre idealiza o que \u00e9 ter um filho e o que voc\u00ea espera dele, mas na realidade, na vida nada disso \u00e9 palp\u00e1vel. As coisas que v\u00e3o acontecer s\u00e3o incertas e ser m\u00e3e \u00e9 uma ang\u00fastia para a vida toda. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b>2) Em que momento da sua rotina voc\u00ea se sente mais m\u00e3e? <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O momento que eu paro para pensar que eu sou m\u00e3e \u00e9 o momento em que todos eles dormiram eu estou do lado deles. \u00c9 a\u00ed que voc\u00ea sente o qu\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel e o quanto voc\u00ea tem que proteger sua cria. Enfim, acho que \u00e9 a hora que eu paro para pensar o que \u00e9 ser m\u00e3e e fico muito feliz por eles estarem ali bonitinhos, dormindo, seguros.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b>3) A opini\u00e3o das outras pessoas influencia ou impacta na sua forma de ser m\u00e3e? O que voc\u00ea faz para driblar isso?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ser m\u00e3e \u00e9 essa quest\u00e3o de incertezas e \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o que a partir do momento que voc\u00ea vira m\u00e3e, voc\u00ea vira alvo de todas as pessoas que gostariam de ser ou que j\u00e1 foram. \u00c9 um conflito muito grande de voc\u00ea fazer coisas e ser criticado o tempo todo. Eu tenho essa quest\u00e3o com a minha m\u00e3e, que acha que v\u00e1rias coisas que eu fa\u00e7o hoje com as crian\u00e7as, ela nunca faria. E a gente tem um embate grande com isso. Cada fam\u00edlia tem a sua maneira certa, o seu jeito certo, mas \u00e9 muito dif\u00edcil fugir desse olhar que vigia. Mas eu sempre enfrentei e nunca liguei para o que est\u00e3o achando. Igual quando voc\u00ea est\u00e1 no supermercado e a crian\u00e7a faz aquela birra. Voc\u00ea tem que ser firme com ela e tem pessoas que acham um absurdo voc\u00ea estar sendo firme com seu filho. Enfim, eu tento n\u00e3o dar muita moral para isso, para n\u00e3o impactar na minha vida. \u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b>4) Para voc\u00ea, qual o lado bom e qual o lado ruim de ser m\u00e3e? <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Acho que o lado bom \u00e9 essa completude que voc\u00ea tem ao estar gr\u00e1vida, \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o muito boa poder gerar um filho e ter esse poder de ter uma vida sendo criada dentro de voc\u00ea, que depende completamente de voc\u00ea. A parte ruim \u00e9 quando isso sai do seu dom\u00ednio de dentro do \u00fatero e vai para a vida. \u00c9 voc\u00ea ter essa dimens\u00e3o de que o filho est\u00e1 a\u00ed e que \u00e9 para vida e que ele n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 seu. Eu acho que a parte ruim da maternidade s\u00e3o essas ang\u00fastias de colocar um ser no mundo que n\u00e3o \u00e9 seu, e de ter que prepar\u00e1-lo para sofrer tudo que vai vir na vida. Eu acho que essa \u00e9 a ang\u00fastia do desprendimento, \u00e9 a parte dif\u00edcil de ser m\u00e3e.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><i>Leia mais:<\/i><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/escolhi-ser-mae\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Escolhi ser m\u00e3e: o que me levou \u00e0 maternidade<\/em><\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/alem-da-maternidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Al\u00e9m da maternidade: quais s\u00e3o os seus sonhos?<\/em><\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/leiturinha.com.br\/blog\/matrescencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Matresc\u00eancia: a adolesc\u00eancia das rec\u00e9m-m\u00e3es<\/em><\/a><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se de um lado, algumas mulheres sonham desde crian\u00e7a em serem m\u00e3es, de outro, outras nunca se imaginaram nesse papel at\u00e9 se tornarem uma. 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