Criança lendo um gibi com o título Só + uma história: gibi também forma leitor

Só mais uma história: gibi também forma leitor

Você também dizia “só mais uma história” e, quando percebia, já tinha lido o gibi inteiro? Pois é: o gibi também forma leitor.

Existe algo nas histórias em quadrinhos que faz a próxima página parecer irresistível. Pode ser uma pergunta que ficou sem resposta, uma expressão engraçada ou aquela sensação de que alguma coisa está prestes a acontecer.

O olhar acompanha um quadro, passa para o seguinte e continua procurando novas pistas. A leitura acontece quase sem pedir licença.

A leitura começa antes de todas as palavras

Uma criança não precisa esperar até conseguir ler todos os textos sozinha para aproveitar um gibi.

Ela pode observar as imagens, reconhecer personagens, perceber mudanças nas expressões e acompanhar a sequência dos acontecimentos. Mesmo sem compreender cada palavra, já consegue levantar hipóteses sobre o que está acontecendo.

Quem ficou bravo? Por que o personagem está correndo? O que pode acontecer na próxima cena?

Tudo isso também faz parte da leitura.

“As HQs aproximam a criança das práticas sociais de leitura e contribuem para o letramento ao trabalhar diferentes linguagens e registros”, explica Taís Turaça Arantes, doutora em Ciência da Literatura, em conteúdo publicado pelo Instituto Claro.

Entre um quadro e outro, a criança completa a história

Os quadrinhos não mostram cada segundo de uma ação. Existe sempre um pequeno espaço entre uma cena e outra.

É nesse intervalo que o leitor participa.

Ao observar dois quadros seguidos, a criança imagina o que aconteceu entre eles. Relaciona as cenas, encontra pistas e tenta antecipar o próximo movimento dos personagens.

O gibi não entrega tudo pronto. Ele convida o leitor a construir parte da narrativa.

Imagens, diálogos e sons que dão ritmo à leitura

Nos gibis, cada elemento ajuda a contar a história.

Os balões mostram quem está falando e podem mudar de formato quando alguém grita, cochicha ou pensa. As expressões revelam emoções. As onomatopeias transformam barulhos em palavras. O tamanho dos quadros pode deixar uma cena mais rápida ou mais demorada.

A criança aprende a circular por todas essas informações enquanto acompanha a aventura.

E o humor tem um papel importante nessa aproximação. Uma cena engraçada, uma confusão ou uma resposta inesperada podem despertar a vontade de continuar e de voltar à mesma história depois.

Gibi forma leitor com mais autonomia

Como reúne textos curtos e muitas pistas visuais, o gibi permite que a criança explore a história em seu próprio ritmo.

Ela pode voltar a um quadro, observar um detalhe que não tinha percebido, tentar entender uma expressão ou reler a parte mais engraçada. Também pode escolher por onde começar e quanto quer ler naquele momento.

Não é preciso transformar essa experiência em exercício ou fazer perguntas depois de cada página. O mais importante é permitir que a curiosidade conduza a leitura.

Como acompanhar esse momento

O adulto pode participar sem assumir o controle da história:

  • deixar que a criança escolha o que chamou sua atenção;
  • perguntar qual detalhe ela percebeu primeiro;
  • alternar as vozes dos personagens;
  • observar uma página antes de começar a ler os balões;
  • aceitar quando ela quiser voltar à mesma história;
  • conversar sobre o que pode acontecer na página seguinte.

Esses pequenos gestos mostram que a leitura pode ser compartilhada, divertida e livre de cobrança.

O gibi forma leitor de diferentes maneiras

Algumas crianças se encantam primeiro pelas ilustrações. Outras entram na história pelo humor, pelos personagens ou pela vontade de descobrir o que acontece depois.

Não existe apenas uma porta de entrada para a leitura.

O Leiturinha+ Gibis apresenta mais uma possibilidade para que as histórias façam parte da rotina e para que cada criança encontre seu próprio jeito de se aproximar delas.

Porque formar leitores também é descobrir diferentes maneiras de gostar de histórias.

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A formação leitora começa muito antes de a criança conseguir ler todas as palavras sozinha. No artigo Como nasce uma criança leitora?, mostramos como a escuta, as imagens e os pequenos momentos compartilhados ajudam a construir essa relação com a leitura.

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