Não é de se estranhar que em um planeta tão grande como o nosso exista criaturas estranhas. Você mesmo leitor, tenho certeza que já se deparou com alguma espécie de animal ou planta extremamente estranha aos seus olhos. Mas quem e o que determina o que é estranho ou não? Você já pensou que as estranhas criaturas, podem ser você e eu, ou melhor, toda a espécie humana? Isso mesmo, ser estranho ou não também é uma questão de perspectiva. Afinal estranho é aquilo que está de fora. Mas de fora do quê? Essa é uma das perguntas que o livro “Estranhas Criaturas” provoca no leitor. Feito para o público infantil, facilmente o livro deixa qualquer adulto surpreso e encantado. Para os pequenos, é uma das melhores maneiras de promover empatia ambiental. 

Está curioso com a história? Então fica por aqui que eu vou contar um pouquinho mais! 

O dia em que todas as casas sumiram

A história começa com uma festa que vem para animar um verão tedioso. Houve muito bolo de chocolate e dança. No entanto como tudo que é bom acaba, chegou a hora de voltar para a casa. Mas meu querido leitor, o problema é que não havia casa para voltar. Durante a festa, as casas simplesmente sumiram. Depois desse susto, os personagens até tentaram construir novas moradias, mas não houve jeito, elas não eram resistentes o suficiente. 

Decididos a procurar, eles encontram suas casas. Porém, elas já não estavam como eram antes. Eles até tentaram conversar com as criaturas que fizeram isso, mas elas eram muito ferozes. Por sorte, as estranhas criaturas tinham guardiões que ajudaram os personagens a criar um plano. Por fim, as criaturas  entendem a dimensão do que elas roubaram quando percebem o quanto aquilo faz falta para elas também. A história termina com as estranhas criaturas reparando o seu erro. 

A originalidade da história

No trecho acima eu não disse quem são as estranhas criaturas e quem são os outros personagens. Por isso, facilmente o leitor pode imaginar que quem teve suas casas roubadas  foram personagens humanos. Afinal não estamos acostumados a ser chamados de estranhos, muito menos ferozes. Como leitores humanos, somos marcados por uma lógica antropocêntrica que faz com a história desafie a nossa leitura de mundo.

Nesse sentido, a originalidade  do livro não está no uso de personagens animais, mas sim em narrar a história a partir das suas perspectivas. Afinal, na obra os animais não são apenas protagonistas, mas também as lentes pelas quais a história é escrita. 

Publicado pela editora Martins Fontes, o livro foi construído por Cristobal Leon e Cristina Sitja. Com uma economia das palavras e uma grande riqueza de ilustrações, a obra deixa no leitor uma semetinha de empatia e conscientização.

O que empatia tem a haver com a consciência ambiental?

A primeira vista é possível pensar que o exercício da empatia só se aplica entre seres humanos. Mas cá entre nós, a empatia não só pode como deve ser aplicado em todos os tipos de relações experimentadas pelo homem. Em um projeto desenvolvido pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS),  pesquisadores apresentam a expressão Empatia Ambiental” como um caminho para reprogramar nossa relação com o meio ambiente (incluindo animais, plantas, oceanos, rios e até rochas).  

Segundo o grupo apenas seremos efetivos na sustentabilidade do Planeta se os laços com tudo que nos cerca e nos mantém forem afetivos.. A ideia parte do desafio que é superar a cisão entre homem e natureza. E para isso, a Literatura pode ser uma grande aliada, haja vista o livro “Estranhas Criaturas”! Além da qualidade estética, a importância social da obra foi um dos motivos que fez com que esse livro tão especial fosse selecionado para ocupar a biblioteca dos pequenos leitores iniciantes da Leiturinha

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Profile photo of Juliana Freitas

Formada em Psicologia, é apaixonada pela ciência e pelas artes literárias. Estuda o encontro entre a criança e o livro, a criança e o psicólogo e a criança e o mundo.