Sabemos que 10% da população mundial é disléxica, com uma incidência significativamente maior para o sexo masculino. Apesar da crescente divulgação de informações e campanhas de conscientização, ainda nos deparamos com crianças (e adultos) que sofrem por não terem recebido o diagnóstico e o tratamento adequados.  Então, quais são os sinais e sintomas da Dislexia?

Por Lílian Kuhn.

Pessoas com dislexia têm dificuldade de reconhecer, ler e soletrar letras e palavras – mesmo já sendo alfabetizadas. Muitas vezes rotulados de “burros”, “preguiçosos” ou “desinteressados”, vale ressaltar que os indivíduos com o transtorno não tem controle ou culpa nas dificuldades apresentadas, uma vez que a dislexia é causada por uma alteração neurobiológica, ou seja, do funcionamento neurológico.

Identificando a Dislexia na Pré-Escola

Por estarem associadas à leitura, as dificuldades costumam ser notadas por volta dos seis a oito anos de idade, quando as crianças estão em fase de alfabetização. Entretanto, há sinais que aparecem mais cedo. Desta forma, é importante se atentar para crianças em idade pré-escolar que apresentam certa dificuldade em acompanhar músicas e aprender rimas e aliterações, montar quebra-cabeças e outras atividades que envolvam noção visuoespacial e coordenação motora, seguir uma rotina, montar/contar uma sequência de fatos. E associados a tais sinais, as crianças pequenas podem apresentar falta/diminuição de interesse e atenção em atividades que envolvam livros, letras e/ou histórias.

Dislexia na Fase Escolar

Já nas crianças maiores, em fase escolar, as dificuldades decorrentes da Dislexia decaem em: aprendizagem do alfabeto,soletração ou sequenciamento das letras de uma palavra, cópia do texto (da lousa, do caderno), escrita de letra cursiva, compreensão de conceitos abstratos e piadas e provérbios. E em outras habilidades que não são diretamente relacionadas à leitura/escrita: planejamento e organização temporal e/ou espacial; memória; “leitura” de mapas, figuras geométricas e enunciados matemáticos; aprendizagem de idiomas; seguir instrução de GPS, entre outros.

Diagnóstico e Tratamento

Tanto o diagnóstico quanto o tratamento são feitos por uma equipe multidisciplinar formada por fonoaudiólogos, psicólogos, pedagogos e neurologistas e só pode ser dado após dois anos do início do processo de alfabetização. Além disso, o trabalho da equipe escolar é fundamental para a adaptação do currículo, das atividades e avaliações da criança. E para finalizar, ao notar qualquer atraso no desenvolvimento de linguagem oral ou escrita da sua criança, não hesite em levá-lo para uma avaliação fonoaudiológica!  

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Fonoaudióloga

Fonoaudióloga com especialização em Audiologia e Mestrado e Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem. Há dez anos atende crianças e adultos com distúrbios de linguagem.