10 poemas famosos para ler com as crianças

por | mar 21, 2021 | 58 Comentários

Você sabia que no dia 21 de março celebramos o Dia Mundial da Poesia? Criado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), este dia é uma ótima oportunidade para conhecer novos poemas e também novos autores. Ou, então, relembrar aqueles que marcaram a nossa infância e a nossa trajetória, não é mesmo? Pensando nisso, que tal ler alguns poemas famosos com as crianças? Se você gostou da ideia, confira abaixo a nossa seleção especial! Afinal, quem já ama os livros, corre sério riscos de se apaixonar também pela poesia!

10 poemas famosos para ler com as crianças

As rimas e as poesias, além de deliciosas, trazem diversos benefícios para as crianças desde a primeira infância! Isso porque os poemas desenvolvem a linguagem, a memória, o vocabulário e também os vínculos afetivos entre os adultos e os pequenos leitores. Por isso, preparamos uma lista de poemas famosos para vocês curtirem juntinhos em família!

Então, preparem-se: vai começar uma maratona de poesias deliciosas e cheias de rimas para ler e se divertir!

1. O Menino Azul – Cecília Meireles

O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.

O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
– de tudo o que aparecer.

O menino quer um burrinho
que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.

(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)

2. Pontinho de Vista – Pedro Bandeira

Eu sou pequeno, me dizem,
e eu fico muito zangado.
Tenho de olhar todo mundo
com o queixo levantado.

Mas, se formiga falasse
e me visse lá do chão,
ia dizer, com certeza:
— Minha nossa, que grandão!

3. A porta – Vinicius de Moraes

Sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Não há nada no mundo
Mais viva que uma porta

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado

Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão

Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Eu fecho tudo no mundo
Só vivo aberta no céu!

4. Poeminha do Contra – Mario Quintana

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

5. O Direito das Crianças – Ruth Rocha

Toda criança no mundo
Deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo
Contra os rigores da vida.

Criança tem que ter nome
Criança tem que ter lar
Ter saúde e não ter fome
Ter segurança e estudar.

Não é questão de querer
Nem questão de concordar
Os direitos das crianças
Todos têm de respeitar.

Tem direito à atenção
Direito de não ter medos
Direito a livros e a pão
Direito de ter brinquedos.

Mas criança também tem
O direito de sorrir.
Correr na beira do mar,
Ter lápis de colorir…

Ver uma estrela cadente,
Filme que tenha robô,
Ganhar um lindo presente,
Ouvir histórias do avô.

Descer do escorregador,
Fazer bolha de sabão,
Sorvete, se faz calor,
Brincar de adivinhação.

Morango com chantilly,
Ver mágico de cartola,
O canto do bem-te-vi,
Bola, bola,bola, bola!

Lamber fundo da panela
Ser tratada com afeição
Ser alegre e tagarela
Poder também dizer não!

Carrinho, jogos, bonecas,
Montar um jogo de armar,
Amarelinha, petecas,
E uma corda de pular.

6. Guarda-chuvas – Rosana Rios

Tenho quatro guarda-chuvas
todos os quatro com defeito;
Um emperra quando abre,
outro não fecha direito.

Um deles vira ao contrário
seu eu abro sem ter cuidado.
Outro, então, solta as varetas
e fica todo amassado.

O quarto é bem pequenino,
pra carregar por aí;
Porém, toda vez que chove,
eu descubro que esqueci…

Por isso, não falha nunca:
se começa a trovejar,
nenhum dos quatro me vale –
eu sei que vou me molhar.

Quem me dera um guarda-chuva
pequeno como uma luva
Que abrisse sem emperrar
ao ver a chuva chegar!

Tenho quatro guarda-chuvas
que não me servem de nada;
Quando chove de repente,
acabo toda encharcada.

E que fria cai a água
sobre a pele ressecada!
Ai…

7. Canção para ninar dromedário – Sérgio Capparelli

Drome, drome
Dromedário

As areias
Do deserto
Sentem sono,
Estou certo.

Drome, drome
Dormedário

Fecha os olhos
O beduíno,
Fecha os olhos,
Está dormindo.

Drome, drome
Dromedário

O frio da noite
Foi-se embora,
Fecha os olhos
Dorme agora.

Drome, drome
Dromedário

Dorme, dorme,
A palmeira,
Dorme, dorme,
A noite inteira.

Drome, drome
Dromedário

Foi-se embora
O cansaço
E você dorme
No meu braço.

Drome, drome
Dromedário

Drome, drome
Dromedário

Drome, drome
Dromedário.

8. Convite – José Paulo Paes

Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.

Só que
bola, papagaio, pião
de tanto brincar
se gastam.

As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.

Como a água do rio
que é água sempre nova.

Como cada dia
que é sempre um novo dia.

Vamos brincar de poesia?

9. A Canção dos tamanquinhos – Cecília Meireles

Troc…  troc… troc…  troc…
ligeirinhos, ligeirinhos,
troc…  troc… troc…  troc…
vão cantando os tamanquinhos…

Madrugada.   Troc… troc…
pelas portas dos vizinhos
vão batendo, Troc…  troc…
vão cantando os tamanquinhos…

Chove.  Troc… troc…  troc…
no silêncio dos caminhos
alagados, troc…  troc…
vão cantando os tamanquinhos…

E até mesmo, troc…  troc…
os que têm sedas e arminhos,
sonham, troc…  troc… troc…
com seu par de tamanquinhos…

10. Meus oito anos – Casimiro de Abreu

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
– Pés descalços, braços nus –
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
– Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

E você, também conhece poemas famosos que marcaram sua infância? Você já escreveu uma poesia? Ou já recebeu um poema de alguém querido? Compartilhe nos comentários os poemas famosos que você conhece e acha que mais pessoas gostariam de ler com os pequenos e pequenas!

 

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Escrito por Gabriella Reis
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58 Comentários

  1. rodrigo guimarães pena

    a batatinha e a mamãe
    Rodrigo Guimarães Pena
    (poesia criada aproveitando versos de dominio público)

    “Batatinha quando nasce,
    Espalha a rama pelo chão…
    Mamãezinha quando dorme
    Põe a mão no coração…”

    Coração de Mãe é enorme
    Bem maior que um avião…
    Toda vez que você dorme,
    Um sonho ensina uma lição…

    Pra mamãe, como um presente,
    Deve versos recitar,
    Pra que fique mais contente,
    Um segredo eu vou contar:

    Sabe quem criou o Amor?
    Sabe, né… foi Deus, Nosso Senhor,
    Mas e o Amor de Mãe?
    É igual a outro Amor?

    Difícil, né…Deus pesquisou depois
    E descobriu que só um ser especial
    Pode ter o Amor Total…
    Vou contar como foi:

    “Quando muito tempo atrás,
    Deus criou céu, terra e mar,
    Criou também Adão e Eva,
    E ensinou o Amor ao par…

    Por um tempo, observando,
    Começou a preocupar:
    “Como é belo o tal Amor,
    É tão lindo e tão intenso…

    Mas está sobrando senso,
    Eu preciso melhorar…
    Amar alguém só se este alguém também te amar?”
    O que Eu quero é bem maior”, disse Deus, e completou:

    “Quero o Amor que não quer troca,
    Que não peça, que se doe,
    E incompreendido, a dor suporta
    E sem julgar, e assim perdoe…

    Então… a Mãe,
    DEUS teve que inventar…

    E do coração da Mãe
    Fez o maior lugar que há,
    Pois previa já o tamanho
    Que o amor de Mãe pode chegar…

    E DEUS não erra, e não errou…
    O Amor que a Mulher-Mãe mostrou
    Foi do jeito que previa,
    DEUS então determinou :
    “Mãe, serás do Amor,
    A-mor-a-dia “…

    Por isto,
    Quando eu for (papai/mamãe) um dia,
    Da Mamãe eu vou lembrar :
    Todo amor de uma família vem da Mãe…
    …e se espalha como rama em cada olhar…

    Responder
  2. Marilande Leivas

    Tenho sim uma que até hoje nao me sai da cabeça, quando ouço o barulho de um trem então, aflora me uma saudade… Trata-se da poesia de Manuel Bandeira, o Trem de Ferro. Amoooo…

    Responder
  3. Prô

    Borboletas, Vinícius de Moraes… lindo de viver!

    Responder
  4. Alice Fortes Martins

    adorei….pena que na minha infância não tinha essa maravilha.A gente contava só com o livrinho de leitura……Adoro poemas e poesias!!!!!!!

    Responder
  5. maria Eva

    Assim eu fico doidinha com essa riqueza toda de poemas. Sou professora das séries iniciais e amo esse gênero textual na fase de aprendizagem. As crianças adoraam quando descobrem que estão lendo e esses poemas são muito bons para o estímulo delas. Bom, como faço para adqurir? Ah os textos vêm com interpretação? Estou fascinada! Quero resposta, tá? Rsss

    Responder
    • Blog Leiturinha

      Oi, Maria Eva! Que graça! Prazer enorme ler isso de quem traz poesia para a vida dos pequenos…
      Somos um clube de assinatura de livros infantis. Você escolhe o plano, e recebe (uma única vez ou todo mês) um kit de livros selecionados de acordo com a etapa de desenvolvimento de cada pequeno leitor. Cada kit é acompanhado de uma carta pedagógica da Leiturinha sobre como explorar a leitura. Dê uma olhada: http://www.leiturinha.com.br há várias outras coisas legais como acesso ao app de livros e vídeos; e surpresinhas colecionáveis dentro do kit. Qualquer dúvida ou curiosidade, estarei por aqui. Um beijo 😉

      Responder
  6. Patrícia

    Queria muito ter assessor aos livros , mais não tenho condições de compra Los, Queria ensentivar minha filha a ler, e ser uma pessoa melhor, poi sei que a leitura transforma vidas

    Responder
    • Marilia

      Patrícia, você pode procurar a biblioteca municipal da sua cidade. Quando eu era criança meu avo me levava todas as semanas para pegar livros emprestados na biblioteca e devolver os livros da semana anterior. Toda biblioteca tem uma sessão infantil e a bibliotecária pode te ajudar a escolher. 😉

      Responder
  7. Diva

    Muito bom! Eu gosto muito de um poema que recitei na minha infância. Poema de Carlos Drummond de Andrade.
    Para Sempre. É lindo!

    Responder
  8. Gislaine Gonçalves

    Nossa…O menino azul…emocionei lembrando a infância…Um dos primeiros textos que li…😊

    Responder
  9. luciana Gomes

    Uma casa na colina,

    Pequenina Amarela,

    Um quartinho, uma cozinha

    E gerânios na janela.

    .

    Ciscando lá no terreiro

    Um galo, um peru e um pato

    E o céu azul espelhado

    Na água mansa do regato.

    .

    Muito verde em toda a volta,

    Trepadeiras na cancela,

    Uma mãe e uma criança

    Completando a aquarela.

    Branca Alves de Lima

    Responder
  10. Marina freitas

    Gostei ,legal compartilhar as coisas

    Responder
  11. Marina freitas

    MAS A VIDA É ASSIM MESMO
    Ás vezes nós erramos em dizer.., coisas para alguém ,que nem faz questão de nos compreender ,mas a vida é assim mesmo,as vezes erramos sem perceber .
    https://marinaafreitas.blogspot.com.br/

    Responder
  12. Marilisa

    Lembro -me de um poeminha de quando eu era criança e que nunca mais li em lugar algum. Era sobre um anjo de tamanquinhos. Parece-me que relacionava-se ao Natal. Alguém conhece? Eu gostaria muito de poder ler este poeminha novamente!!!

    Responder
  13. GUSMÃO CAVALCANTE

    O LÁPIS – Gusmão Cavalcante

    Sou comprido e majestoso,
    Tenho o pé muito fininho,
    Decifro seus pensamentos,
    Escrevo do seu jeitinho.

    Tenho cores variadas:
    Azul, verde, amarela…
    Colorindo sua vida
    Faço dela um’aquarela.

    Minha coroa de rei
    Tem poder e tem magia,
    Apago o que estar errado
    Transformando em poesia.

    Use a imaginação!
    Sonhe o que quiser sonhar!
    Misture azul e amarelo,
    Que cor linda vai formar!?

    Daí você vai crescendo…
    um homem se transformando.
    Mudando as cores da vida,
    Criando as cores do mundo

    Se a saudade apertar,
    Escreva um bilhetinho,
    Agradeça a Papai do Céu
    O que aprendemos juntinhos.

    Responder
  14. GUSMÃO CAVALCANTE

    A ESTRELINHA E SUA TRUPE – Gusmão Cavalcante

    Sou a estrelinha
    Mais linda do céu
    Vivo feliz
    Tecendo chapéu

    Pertinho de mim
    Mora um cometa
    Ele é cabeludo
    E faz sempre careta

    A lua cheia
    Sempre bonita
    Faceira, elegante
    E muito querida

    O sol astro rei
    Que tanto brilha
    Seus raios dourados
    Aquecem o dia

    Quem mora na terra
    Vive a cantar
    Com tanta beleza
    la la rá la la rá.

    Responder
  15. GUSMÃO CAVALCANTE

    ANA LUISA – Gusmão Cavalcante

    Trazendo surpresas
    Setembro chegou!
    Pintado de rosa
    Meu mundo ficou.

    Sonho de criança,
    Princesa encantada,
    Boneca que anda,
    Que canta e que fala.

    Cheia de alegria,
    Minha vida sorriu,
    Amor verdadeiro
    Que nunca se viu!

    Presente de Deus
    Um sopro de vida!
    Boneca dos sonhos
    Ana Luisa!!!

    Responder
  16. GUSMÃO CAVALCANTE

    AVIÃO DE PAPEL – Gusmão Cavalcante

    No meu tempo de criança
    Muita coisa acontecia:

    Brincava de pega-pega
    Fazia estripulia
    Pipa no céu soltava
    Tudo era fantasia

    De bola também jogava
    Andava de bicicleta
    Ciranda de roda cantava
    No ar jogava peteca

    No meu tempo de criança
    Muita coisa acontecia
    O tempo que ajudava
    Parece que não passava

    O dia era mais comprido
    Um mês parecia um ano
    O ano não acabava
    Meu Deus quanta alegria

    Hoje abro a janela
    Saudoso olho pro céu
    De repente sou criança
    Vejo avião de papel

    Responder
  17. Luciana Lizardo

    Que lindo….adorei…chego a ficar emocionada com estes poemas. Me lembro de um soneto que minha turma estudou na escola…”Lingua Portuguesa” de Olavo Bilac….decorei e sei até hoje rsrsrs

    “Última flor do Lácio, inculta e bela,
    És, a um tempo, esplendor e sepultura:
    Ouro nativo, que na ganga impura
    A bruta mina entre os cascalhos vela…

    Amo-te assim, desconhecida e obscura.
    Tuba de alto clangor, lira singela,
    Que tens o trom e o silvo da procela,
    E o arrolo da saudade e da ternura!

    Amo o teu viço agreste e o teu aroma
    De virgens selvas e de oceano largo!
    Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

    em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
    E em que Camões chorou, no exílio amargo,
    O gênio sem ventura e o amor sem brilho!”

    Responder
  18. jade maria de sousa almeida

    gostei muito do seu blog ele e muito legal e interesante

    Responder
  19. Sandra Borges

    Lindos poemas. Pretendo fazer um sarau com meus alunos só com poemas. Sou professora,de uma turma do 4 ano do ensino fundamental. Espero com isso que as crianças se apaixonem pelos mundo da poessa! !!!

    Responder
  20. Sandra Borges

    OPS: Corrigindo, ( pelo mundo da poesia )

    Responder
  21. Remisson Aniceto

    Um dos meus poemas para crianças, pequenas… e grandes, que jamais devemos deixar morrer a criança que existe e nós,..

    Lua de mel

    No domingo à noite o céu inteiro se iluminou
    quando o Sol com a Lua se encontrou.
    Os planetas dançavam de par em par,
    astros e estrelas felizes a rodopiar.

    A segunda-feira amanheceu e o Sol não veio,
    o dia ficou escuro e o céu tão feio.
    Parece que o astro-rei se esqueceu do mundo
    ou passou o dia todo num sono profundo.

    Mas a Lua também não apareceu
    e a noite foi estendendo o seu escuro véu.
    Meu Deus, não me diga que ela morreu
    e não veremos mais o seu brilho no céu!

    Nasceu a terça-feira e o Sol ainda sumido,
    eu já apavorado, o que terá acontecido?
    Pensei que ele estivesse muito cansado
    e ainda viria, estava atrasado.

    Na terça-feira à noite eu no meio da rua,
    olhando para o céu, esperando a Lua.
    Receio que o mundo esteja abandonado,
    ao frio e ao escuro todos condenados.

    Desde a criação do mundo trabalhando duro,
    e só se esbarrando de leve da porta pra fora,
    será que resolveram nos deixar no escuro,
    quem sabe pediram as contas e foram embora?

    Eis que um astro mensageiro veio avisar
    que o Sol e a Lua foram se casar;
    houve grande festa de luzes e cores no céu,
    o Sol usava fraque, a Lua um branco véu.
    Alguns dias e noites não vão trabalhar:
    estarão viajando em lua de mel.

    Remisson Aniceto

    Responder
  22. Rosane

    A Porta do Vinicius de Moraes é maravilho!!! 😀

    Responder
  23. Miriam canfield

    Eu gosto muito do poema de Gabriela Mistral:o prazer de servir. …toda natureza é um serviço.serve a nuvem serve a chuva serve o vento…há pequenos serviços que são bons serviços…seja você o que serve…..

    Responder
  24. Marta Helena Cocco

    Do livro “Doce de formiga” (Ed. Tanta tinta), seguem dois poemas:
    Parece a pedra do Drummond
     
    No meio do caminho tinha uma pedra
    e daí
    eu tropecei
    e caí.
     
    Tinha uma pedra no meio do caminho
    e eu andando distraidinho…
    Ai! Que foi que eu fiz?
    Tem sangue no meu nariz…
     
    No meio do caminho uma pedra tinha
    _ Socorro, mamãezinha:
    Me cuida senão eu morro!
    _ Foi só um arranhão
    lava com agua e sabão!
     
    No caminho do tinha pedra uma meio
    acho que o susto é que foi feio…

    ONTO DE VISTA

    Pelo telescópio
    descobri que a lua
    já foi escudo de guerra
    da terra.
    Outras vias
    outras eras
    crateras.
    Mas outra coisa
    diria o rato
    que enxerga um prato
    cheio de queijo
    com recheio
    e buracos
    no meio..
    (Marta Cocco, Doce de formiga, 2014)

    Responder
  25. Mel

    Oh! que saudades que tenho
    Da aurora da minha vida,
    Da minha infância querida
    Que os anos não trazem mais!
    Que amor, que sonhos, que flores,
    Naquelas tardes fagueiras
    À sombra das bananeiras,
    Debaixo dos laranjais!

    Só um trechinho…Meus 8 anos – Casimiro de Abreu

    além de vários sonetos! Soneto de Fidelidade, Soneto de Separação e por aí vai….Vinícius de Moraes!!!

    Responder
  26. Maria Betânia da Silva Aíde

    Amei o blog… saudades da infância e da primeira poesia que li num velho livro de meu pai:

    A Fonte e a Flor

    “Deixa-me, fonte!”, Dizia
    A flor, tonta de terror.
    E a fonte, sonora e fria,
    Cantava, levando a flor.

    “Deixa-me, deixa-me, fonte!”
    Dizia a flor a chorar:
    “Eu fui nascida no monte…
    “Não me leves para o mar”.

    E a fonte, rápida e fria,
    Com um sussurro zombador,
    Por sobre a areia corria,
    Corria levando a flor.

    “Ai, balanços do meu galho,
    “Balanços do berço meu;
    “Ai, claras gotas de orvalho
    “Caídas do azul do céu!…”

    Chorava a flor, e gemia,
    Branca, branca de terror,
    E a fonte, sonora e fria,
    Rolava, levando a flor.

    “Adeus, sombra das ramadas,
    “Cantigas do rouxinol;
    “Ai, festa das madrugadas,
    “Doçuras do pôr do sol;

    “Carícia das brisas leves
    “Que abrem rasgões de luar…
    “Fonte, fonte, não me leves,
    “Não me leves para o mar!…”

    ………

    As correntezas da vida
    E os restos do meu amor
    Resvalam numa descida

    Responder
  27. Maria Betânia da Silva Aíde

    Faltou o último verso da poesia da Fonte e a Flor…

    As correntezas da vida
    e os restos do meu amor,
    resvalam numa descida,
    como a da fonte e a da flor.

    Responder
  28. Maria das Neves Gomes da Silva

    Amei esses poemas , sou louca por crianças. ..

    Responder
  29. Raquel lima

    A minha adora a historinha dos três porquinhos e seu lobo.
    Todas as noites repito essa historinhas. rsrsrs…
    Vou tentar ler uma poesias pra saber se ela vai gostar.
    Obrigado pelas dicas.

    Responder
  30. Maria Tereza Cláudio Sicci

    Essa é uma poesia de poetisa desconhecida, está no livro “Poesias em gotas “.
    PASSA GENTE

    Porta, fechadura, ferrolho, trava
    porta fechada, aberta.
    Entreaberta, escorada.
    Porta amarela, verde
    azul, vermelha.
    Porta pintada
    envernizada
    Envelhecida, usada.
    Porta da frente, do lado
    do fundo, do telhado.
    Porta larga, estreita.
    Porta de vidro
    zinco, alumínio, ferro,
    enferrujada.
    Passa o grande, o pequeno
    O velho, o adolescente.
    Passa o branco, o índio
    O mulato, o Caruso e o pardo.
    Passa gente!

    Maria Tereza Cláudio Sicci

    Responder
  31. Deysiane Valeriano Oliveira Torres

    Amei as rimas

    Responder
  32. Elciane

    como faço para comprar os kit de livros?

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  33. José de Castro

    CASA AMARELA
    Casa amarela
    sem porta, sem janela.
    Como saber
    o que há dentro dela?

    Gato no telhado
    olhou pela fresta,
    arrepiou-se todo,
    ora esta!
    Depois, sumiu.
    Ninguém sabe até hoje
    o que foi que ele viu.

    Casa amarela,
    sem porta sem janela…
    Será que esconde
    fantasma banguela.
    vampiro vesgo.
    olho gordo, remela?

    Casa amarela,
    tão feia, tão bela.
    Quem souber o mistério,
    que o pinte em aquarela.

    E depois, se não se importa,
    coloque uma porta
    na casa amarela,
    e, no meio da porta,
    uma taramela.
    Mas, quando entrar,
    acenda uma vela!
    (José de Castro, in UM LIVRO, UM CASTELO. Recife: Bagaço, 2018)

    Responder
  34. rutybruna

    amei

    Responder
  35. Edimar Silva

    Sou poeta com um livro publicado, tenho apenas ttrês poemas que considero serem para crianças, ainda não publicados. Esse é um deles, espero que gostem.
    AMOR DE MEL

    (Edimar Silva)

    Uma abelha passou por aqui
    Pousando de flor em flor
    Cada flor em que ela pousava
    Para ela entregava amor.

    Um amor lá do fundo do chão
    Outro que a chuva trouxe do céu
    Todo amor essa abelha quer
    Com amor ela faz o seu mel.

    E vai voando a abelhinha
    Pousando de flor em flor
    Flor vermelha, amarela ou branca
    Em toda flor ela bebe amor.

    Depois ela volta pra casa
    E lá fabrica o seu mel
    É tão doce a sua casinha
    Como deve ser doce o céu.

    Abelhinha fabrica amor
    Todo mundo acha que é mel
    Mel docinho ela tira da flor
    Mel docinho cheinho de amo

    Responder
  36. Leila Melo Lima Yamasaki Cruz

    Amei tudo. Mas eu amo mesmo poemas de Natal! Tem um antigo que conta sobre uma festa de Natal engraçada que me lembra totalmente os natais na minha familia mas infelizmente nao me lembro o nome dela nem do poeta e nada achei na internet . Me lembro de partes dela se alguem souber me manda por favor! Segue um pouco q lembro: O Natal na minha casa é mesmo muito engracado Uns cantando, uns dançando e uns preparando o assado…a comida tão gostosa feita por mao primorosa, uns sentando ainda à mesa e outros ja na sobremesa…

    Responder
  37. Simone Lima

    Ah, que deleite reler tantos poemas e conhecer outros tantos! Os selecionados pelo blog e os compartilhados pelos leitores! Obrigada, todo mundo! Sou apaixonada por recitar poesias!!

    Responder
  38. Rafaella

    Não sei como agradecer!Minha professora tinha passado dever de casa que era fazer uma poesia,quando entrei nesse site eu me apaixonei por suas poesias!OBRIGADA!

    Responder
  39. Renato Rodrigues de Souza

    Ou Isto Ou Aquilo – Cecília Meireles

    Ou isto ou aquilo

    Ou se tem chuva e não se tem sol,
    ou se tem sol e não se tem chuva!

    Ou se calça a luva e não se põe o anel,
    ou se põe o anel e não se calça a luva!

    Quem sobe nos ares não fica no chão,
    quem fica no chão não sobe nos ares.

    É uma grande pena que não se possa
    estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

    Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
    ou compro o doce e gasto o dinheiro.

    Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
    e vivo escolhendo o dia inteiro!

    Não sei se brinco, não sei se estudo,
    se saio correndo ou fico tranqüilo.

    Mas não consegui entender ainda
    qual é melhor: se é isto ou aquilo.

    Responder
  40. Marta Sirino da Silva Araújo

    Circulação – Marta Sirino

    A poesia circula…
    Ela tem que circular.
    Circula nos becos,
    Morros, Favelas, Vielas.

    A poesia circula na sarjeta Trazendo esperança aos desvalidos.

    A poesia circula
    Nos grandes e pequenos eventos.
    Nos bons e nos maus momentos.
    Ela vem suave como a brisa
    E marcante como um forte vento.

    A poesia circula sobre os oceanos, Dentro dos corações humanos
    Ela precisa falar.
    A poesia circula pelas mentes cansadas. Pelas mulheres amadas
    Mudando o seu pensar.

    A poesia circula…

    Circula por mim e por você!

    Marta Sirino

    Responder
  41. Marta Sirino da Silva Araújo

    Cheirinho de infância – Marta Sirino

    Hoje saí para dar uma volta com meu filho.
    No meio do caminho senti um cheiro familiar:
    – Cheirinho de infância!
    Então, resolvi poetizar.

    Cheirinho de infância

    Que odor maravilloso é esse?

    Odor que me remete aos momentos mais felizes da minha vida. Aroma que me fez relembrar o tempo que já passou.

    Cheirinho de infância

    Quantos cheiros, odores mexem e remexe com os nossos sentidos.
    Fazem as lágrimas rolarem, trazendo a mente o desejo de reviver o tempo que passou…

    Quantas coisas tem cheiro de infância:
    Cheiro da casa de vó.
    Cheiro de bolo quentinho.
    Cheiro de goiaba fresquinha no pé.
    Cheiro de manga madura e
    o cheiro que me trouxe tantas lembranças:
    Cheiro de amêndoas vermelhas.

    Que saudades sinto da minha infância…
    Tempo das descobertas e dos encontros com o desconhecido. Onde o velho fica novo e hoje revivo tudo de novo e me sinto tão feliz.

    Cheirinho de infância…

    Hora de alegria.
    Hora de tomar banho de chuva.
    Catar manga no mangueiral.
    Brincar com terra, escondido dos pais.
    Nadar nos lagos artificiais feitos pelos fortes temporais.

    Cheirinho de infância

    Brincar de pique esconde na rua de noite com os amigos da vizinhança.

    Cheirinho de infância

    Hora de ouvir histórias pra dormir abraçado ao pai.

    Comer cajá direto do pé
    Comer frutas de sabores excepcionais como fruta pão,
    jaca e jenipapo.

    Que saudades de minha infância…

    Jogar bola descalço no campo de barro e voltar todo ralado, pedindo pra mãe colocar remédio (metiolate) que ardia.

    Cheirinho de infância

    Ser a filha na brincadeira de mãe…

    Cheirinho de infância

    Sonhar acordado.
    Pegar grilos e borboletas para observar.

    Cheirinho de infância

    Colher folhas de matos e fazer de comidinha.

    Cheirinho de infância

    Cheirinho de mãe!

    Marta Sirino

    Responder
  42. PRETTA CANI

    gratidão, maravilhoso isso, um achado!

    Responder
  43. Cristina

    Gostaria de pedir quem conhece e recorda desse poema e quiser mandar pra mim agradeço:
    Que fazes aqui passarinho nessa janela posso saber?
    Construo um ninho menina coisa que nunca irá fazer.
    ……….
    E tu que fazes menina em que trabalha posso saber?
    Bordo uma colcha passarinho coisa que nunca irá fazer.

    E também o poema:
    São tão parecidas como gotas d’água.
    Agradeço quem souber e me passar.

    Responder
  44. Josiana Tavares

    Pequeno ser – Josiana Tavares (Homenagem à minha filha Fablize)

    Quanta doçura
    em tão pequeno ser!
    Quanta inocência
    nesse meigo olhar!

    Me faz submissa
    com o seu poder
    pois basta sorrir
    pra me desmontar.

    Sou forte, heroína
    pra te proteger.
    Sou fragil, pequena
    não sei te perder.

    Responder
  45. Crislaine

    Esse foi eu que criei

    Sem rumo

    A tristeza me decorre
    Mais ei como explicar
    Minha vida num riacho começou a navegar
    O riacho é bem longo
    E começo a percorrer
    Sem rumo nem direção eu começo a viver
    Na cachoeira vou chegando
    E logo vou cair
    Lá no fundo me encontro
    E não sei como sair
    Começo a perceber
    Lá no fundo do funil
    Uma luz brilhar
    Se você ué descobrir venho comigo nessa história navegar

    Deixem aí a nota de vcs rs
    Foi o meu primeiro poema

    Responder
  46. Lucyene Guimarães lira

    Que legal

    Responder
  47. gisely mary

    A onda (Manuel Bandeira)
    A onda
    a onda anda
    aonde anda
    a onda?
    a onda ainda
    ainda onda
    ainda anda
    aonde?
    aonde?
    a onda a onda

    Publicado em 1960 no livro Estrela da Tarde, “A Onda” é um poema composto por 10 versos curtos que brincam com as palavras “onda”, “aonde”, “anda” e “ainda”, em um jogo de sons que traz ritmo e movimento

    Responder
  48. Lara Medeiros

    Gostei de todos, pois o segundo foi o que eu mais gostei

    Responder
  49. Marineide

    O menino queria um burrinho muito legal

    Responder
  50. Gabriela

    otimas dicas, amei !!!

    Responder
  51. LETICIA SEVERINO

    BACANA

    Responder
  52. Jojo

    Eu gostei muito

    Responder
  53. Simone Maciel dos Santos Silva

    Muito bom!

    Responder
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