Como falar de sexualidade com as crianças

por | set 14, 2020 | 0 Comentários

Quando os pais ouvem sobre esse tema, chegam a ficar arrepiados. Calma porque vamos mostrar que não é tão difícil assim ter esse diálogo com os pequenos, além de muitas vezes ser necessário. Então, como falar de sexualidade com as crianças

Como falar de sexualidade com as crianças? 

Outro dia uma amiga me contou o diálogo que teve com a filha de 8 anos. A pequena perguntou “mãe, o que é sexo?”. A mãe, com os olhos arregalados e já sentindo a boca ficar seca, respondeu “O quê?”. A menina insistiu: “O que significa sexo?”. A minha amiga, sem saber o que fazer indagou “Por que você está me perguntando isso?”. A menina, sem entender a reação da mãe respondeu: “No formulário da escola estava escrito “Sexo: ( ) F ou ( ) M.”.  

Depois de boas risadas sobre o episódio relatado ficamos conversando sobre a dificuldade que muitos de nós temos em abordar a temática da sexualidade com crianças. Nós temos medo de tratar como um tabu, mas também não sabemos bem como falar sobre isso com elas. 

Quando pensamos na palavra sexo, muitas crenças vêm à nossa mente

Algumas são boas, outras nem tanto. É muito comum associar sexo a doenças, gravidez indesejada, abuso, entre outros. E quando isso acontece, por medo da criança não saber como lidar com um assunto tão sério, vamos construindo alguns tabus e deixando de abordar um assunto tão importante. 

Quando meu filho estava com cinco anos de idade fui chamada na escola porque ele estava mostrando o pênis para todos os colegas e pedindo para ver a vagina das amigas. Ele começava a descobrir o corpo. Ficava curioso porquê o “pinto” ficava grande quando ele mexia nele sem parar, porque a minha “teta” era maior que a dele, queria saber onde ficava o pinto das meninas, como o bebê saia da barriga, e assim por diante. Eram inúmeras perguntas todos os dias. Eu me limitava a responder o que ele me perguntava e achava muita graça nas suas próprias respostas. Como por exemplo, o fato dos meus seios serem grandes porque eu tinha enchido eles com leite de caixinha. 

O diálogo é essencial

Percebi que precisava falar com ele sobre como lidar com o seu corpo e suas dúvidas sobre sexo quando estivesse fora de casa. Expliquei a ele, então, que tocar no corpo era algo muito natural e saudável. Mas que não podíamos fazer isso em todos os lugares. Combinamos que nossa casa seria o lugar seguro e adequado para ele fazer isso, sempre que sentisse vontade. Falamos ainda sobre quem tinha o direito de tocar nas partes íntimas dele, estabelecendo combinados para isso. 

Por medo, muitas vezes antecipamos muitos assuntos que a criança ainda não está pronta para lidar

A dica que dou para os pais é que esteja sempre aberto para conversar sobre sexo com a criança, sem demonstrar medo quando ela sentir curiosidade sobre isso. Responder apenas aquilo que a criança está perguntando também é importante. No diálogo entre mãe e filha apresentado no início desse texto isso fica claro. Quando a filha pergunta para a mãe o que é sexo, a mãe já ficou desesperada por ter que explicar esse tema. No entanto, a dúvida dela não era sobre sexo em si, mas sim como preencher um questionário onde esse termo aparecia. 

Atenda apenas a curiosidade que seu filho está trazendo naquele momento. Isso vai dar confiança a ele para seguir lhe perguntando quando ficar curioso e manter esse canal aberto para que vocês sempre possam falar sobre o assunto. Lembre-se de que você é a melhor pessoa para falar sobre sexo com ele. Outras pessoas talvez não abordem esse tema com o respeito e importância que ele merece. E se você não se sentir à vontade para falar com ele, explique isso para a criança e apresente a ela alguém que poderá ajudá-la com as suas dúvidas. 

Sexo é uma necessidade humana e natural. Se optarmos por não falar sobre ela, a criança irá buscar informações em outros lugares, talvez não tão seguros. 

Conta para a gente, como lida com o tema em sua casa? Que dica você dá de como falar sobre sexualidade com as crianças?

Leia mais:

Escrito por Gabriela Braun
Consultora educacional, educadora parental e mãe do Rafael. Ajuda mães e pais a lidarem com comportamentos desafiadores dos filhos através da educação consciente. * Gabriela é nossa autora convidada e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Leiturinha.
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