Todos os pais lidam com filhos que não são o que eles esperavam. 

Andrew Solomon

Existe um ditado que diz que nenhuma maçã cai longe da árvore. Isso significa que muitas de nossas características provêm de nossos pais. É o famoso “tal pai, tal filho”. No entanto, essa não foi a experiência de Andrew Solomon, que teve que lidar com a rejeição dos pais após se assumir homossexual. Interessado em entender mais sobre como outras famílias lidam com o fato de os filhos não corresponderem às expectativas dos pais, Andrew passou dez anos buscando diferentes histórias que confrontam o ditado de que nenhuma maçã cai longe da árvore. Todo seu estudo se transformou no best-seller Longe da Árvore: pais, filhos e a busca da identidade. 

Longe da Árvore: uma lição sobre expectativas, resiliência e amor

Escrevi “Longe da Árvore” para perdoar meus pais. 

Publicado em 2013 pela Companhia das Letras, o livro venceu mais de 50 prêmios e agora ganha as telas do cinema, com produção da Participant Media e distribuição da FLOW na América Latina, por meio do selo Believe Films. O documentário Longe da Árvore traz algumas das histórias registradas por Andrew ao longo desses dez anos, mostrando que a diversidade nos une mais do que nos separa. Uma verdadeira lição para pais e filhos, sobre respeito, aceitação, expectativas, individualidade e, acima de tudo, amor. 

“Precisamos ensinar nossas crianças a cumprir as suas próprias expectativas; esse é o verdadeiro fardo de ser pai” 

Segundo o psicanalista Jacques Lacan, em certo aspecto, todo filho é adotado, uma vez que uma criança quando nasce convida os pais a aceitá-la como ela é, e não como a imaginaram. É sobre isso que se trata Longe da Árvore. Sobre as expectativas que os pais depositam nos filhos e sobre as frustrações que as sucedem. 

O autor registrou histórias de famílias com crianças com diferentes experiências e características mas algo em comum: não se enquadram ao padrão considerado “normal” e, de uma maneira ou de outra, não corresponderam às expectativas dos pais. São o que Andrew denomina de identidades horizontais, ou seja, características divergentes dos padrões familiares, linguísticos e sociais predeterminados. Em outras palavras, filhos com traços físicos, psicológicos ou sociais que confrontam a ideia de reprodução enquanto um espelhamento das características entre pais e filhos. 

“A diversidade é uma atitude em relação ao mundo”

Para o autor, “as famílias infelizes que rejeitam seus filhos diferentes têm muito em comum, ao passo que as felizes que se esforçam para aceitá-los são felizes de uma infinidade de maneiras”. Para demonstrar isso ele entrevistou ao longo de dez anos, famílias com filhos surdos, anões, com Síndrome de Down, autistas, esquizofrênicos, portadores de deficiências múltiplas, prodígios, concebidos por estupro, transgêneros e menores infratores.

Agora, algumas dessas histórias estão no documentário Longe da Árvore. Com emocionantes entrevistas, o filme nos faz a todo momento confrontar nossos conceitos preconcebidos sobre as diferenças e as deficiências – muitas vezes vistas como limitações e motivos para a infelicidade. De forma delicada e tocante, Andrew traz a família por uma nova perspectiva, mostrando, em tempos de intolerância, o quanto as diferenças trazem aprendizado, felicidade, união e amor. “Eu gostaria de pensar que o filme traz uma mensagem não apenas de tolerância, mas de admiração por pessoas diferentes”, diz Solomon.

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Jornalista e editora do Blog da Leiturinha, é fascinada por tudo que envolve o mundo da leitura, da educação e da infância. Acredita que as palavras aproximam pessoas, libertam a imaginação e modificam realidades. Gosta de escrever, viajar e aprender sempre.