Inúmeras questões ainda são pautadas em discussões quando tratamos de um tema tão abrangente como a saúde mental materna. A expectativa é a de que esta fase seja feita de constantes alegrias relacionadas à experiência de gerar e trazer ao mundo um novo ser. Porém, muitas mulheres relatam ansiedade, tristeza ou culpa, que afetam de forma significativa o estado emocional, psicológico e o bem-estar materno.

Mas, afinal, o que é saúde mental?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o conceito de saúde mental é amplo. Uma definição seria: o estado de bem-estar em que o indivíduo está consciente de suas próprias capacidades, pode lidar com o estresse normal da vida, trabalhar de maneira produtiva, e contribuir para sua comunidade. A partir desta compreensão, podemos dizer que este estado de bem-estar também inclui a capacidade do indivíduo de apreciar e estar congruente com sua própria existência.

Por que precisamos falar sobre a saúde mental materna?

Porém, a saúde emocional materna é frequentemente desconsiderada. Muitas gestantes e puérperas que se encontram em estado negativo de bem-estar não são diagnosticadas. Isso faz com que elas percam a possibilidade de tratarem situações que comprometem o desenvolvimento pleno e saudável do período. O que pode, em algum momento, gerar o adoecimento no ciclo gravídico-puerperal.

Dentre estas situações negativas, as mais comuns no período gestacional são a ansiedade e a depressão. No entanto, em muitas vezes esses sintomas são ignorados no acompanhamento do pré-natal e minimizados pela família. Cabe ressaltar que, a ansiedade e depressão gestacional são fatores de risco para a depressão pós-parto e devem receber atenção e tratamento devido.

Adoecimentos mais comuns no pós-parto: 

– A melancolia ou tristeza materna, o Baby Blues, atinge, em grau maior ou menor, 85% das mulheres nas primeiras semanas após o parto. Os sintomas tendem a se dissolver com o passar dos dias, não sendo necessário nenhuma intervenção terapêutica ou psiquiátrica.

– A depressão pós-parto (DPP) é caracterizada pela tristeza prolongada, embotamento, perda de motivação, labilidade emocional, retraimento e isolamento, sensação de incapacidade e de culpa constante. Em alguns casos pode ocorrer episódios maníacos, preocupação excessiva com limpeza, entre outros. É fundamental a avaliação dos fatores de risco e de proteção, que poderão auxiliar na conduta e tratamento adequado.

– Normalmente diagnosticada por episódios maníacos, depressivos ou psicóticos, a psicose puerperal apresenta como sintomas característicos um quadro delirante, alucinatório, grave e agudo, que aparece do segundo dia a 3 meses depois do parto. Atualmente, se observa no CID 10 (Classificação Internacional de Doenças) uma tendência a considerá-la, assim como a Depressão Pós-parto, como um tipo de Transtorno do Humor, iniciada ou precipitada pelo puerpério. Neste caso, a intervenção deve ser imediata.

– Desenvolvido como resposta à exposição frente a um evento traumático, o transtorno de pânico pós-parto (TEPT) pode ocorrer antes mesmo da gestação, durante ou no decorrer do parto. Em situações como: perdas perinatais, morbidades maternas graves, experiências de partos complicados, violência obstétrica, procedimentos invasivos e intervenções no parto, entre outros. Manifesta-se através de sintomas de ansiedade elevada e comportamentos obsessivos-compulsivos, incluindo aqueles dedicados ao bebê, como conferir repetidas vezes se o mesmo está respirando, se está no berço. Enfim, um excesso de proteção generalizado. 

Cuide das grávidas e mães ao seu redor!

Portanto, quando pensamos em acompanhamento às tentantes, gestantes e puérperas é vital que a saúde mental, assim como a saúde física, seja igualmente considerada e investigada. Sendo que o aspecto mais importante da assistência materna é o apoio à mulher. No sentido de promover, junto a ela, estratégias de enfrentamento e possibilidades para lidar com as questões e adoecimentos que comprometam a saúde e bem-estar ao longo da maternidade.

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Profile photo of Juliana Di Lorenzo

Mãe da pequena Olívia e Psicóloga. Após vivenciar as transformações e vicissitudes da maternidade, escolheu por dedicar seus estudos e práticas à psicologia Perinatal e Parental. Atua no atendimento clínico e grupos terapêuticos, pois acredita nas possibilidades da fala e escuta compartilhada. Utiliza da escrita para ampliar os diálogos e discussões sobre os temas que permeiam a maternidade e paternidade.