Ah, como o mundo mudou tão rapidamente… E como essa mudança alterou tantas visões que tínhamos, de nossa família e nossas filhos. Como percebemos a importância de coisas que antes não eram prioridade. Pois bem, reflita comigo.

AH, MUNDO…

Há alguns dias, eu brincava com minha filha e num determinado momento ela cansada sentou ao meu lado. Me olhou  nos olhos e deu aquele sorriso lindo:

— Vamos papai, vamos continuar.

Lá fomos nós correndo pela casa. No meio do caminho parou, me abraçou pediu colo.. Quando a peguei, passou um filme na minha cabeça.

Como é possível amar tanto alguém? 

É algo louco, inexplicável. Impossível não pensar na pandemia que estamos vivendo. Até alguns dias atrás a vida toda estava dentro da normalidade. Pessoas vivendo a correria do dia a dia. Sem tempo para ficar com os filhos ou cansados de mais para olhá-los nos olhos.

Hoje a situação mudou e fomos obrigados a ficar mais tempo em casa com quem amamos. Quanta ironia. O mundo precisou parar e dizer: “olha, as relações humanas são importantes, então fique com quem ama”, mesmo que o objetivo seja não propagar a contaminação.

A rotina fora de casa nos torna completos estranhos…

O que fazer agora? Ficamos tanto tempo fora, que nos tornamos estranhos uns para os outros. Sabe quando você encontra uma pessoa estranha e fica sem assunto, pois é. 

O pensamento que vem à cabeça é: “Quando saí de casa meu filho nem andava, olha como ele cresceu e eu na correria do dia a dia não percebi. Não me recordo qual foi a primeira palavra que ele(a) disse, aliás, tenho uma vaga lembrança e hoje estou aqui trancado em casa olhando para meu filho e pensando como cresceu.”

Precisamos fazer nossa parte!

Ah, mundo… 

Farei minha parte para combater este vírus e vou olhar o copo meio cheio. Um dia eu chorei quando fiquei sabendo da chegada do meu filho, contei aos amigos e amigas. Quando nasceu, eu fugi, com a desculpa de que precisava trabalhar mais, pois tinha uma boca a mais para alimentar.

A famosa falta de tempo…

Ah, mundo…

Sempre me peguei dizendo não ter tempo, vivia cansado. Quando não eu, era meu filho. Enchia meu filho de atividades durante o dia para que chegasse em casa morto de cansaço, para minha alegria.

Re-conexão!

Ah, mundo…

Agora preciso (re)conectar com a pessoa que sempre disse para todos que convivem comigo ser a mais importante do mundo. Mas que na correria do dia a dia ficava lá embaixo na lista de prioridades. Pois sempre acreditei que ao sair de casa ia retornar e lá estará ele me esperando.

Novas descobertas…

Ah, mundo…

Não imaginava que meu filho fazia coisas incríveis. O sorriso dele é tão bonito e eu não tinha me dado conta disso.  Não percebia que ao olhar para ele e sorrir, ele sorria de volta. Que sensação gostosa. Foi preciso uma pandemia para eu perceber tudo isso.

Ah, mundo…

Não importa o quanto a notícia seja ruim, sempre teremos que focar no lado bom da história, mesmo que seja mínimo. O meu lado é este: voltei a (re)conectar com meu filho. Agora é cuidar, esperar a pandemia passar e viver.

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Profile photo of Euller Sacramento

Psicoterapeuta, palestrante e pai da pequena Alice. Ajuda pais e filhos a se (re)conectarem emocionalmente. Acredita que quando pais e filhos se conectam a maternidade/paternidade se torna mais leve mesmo diante das dificuldades. Instagram: @eullersacramento *Euller é nosso autor convidado e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Leiturinha.