Quando eu era criança, sonhava em ser escritora. Escritora mesmo, daquelas com máquina de escrever e tudo. Nessa época, cada acontecimento da minha vida se tornava o capítulo de um livro, um poema ou uma poesia. Escrevia de tudo e sobre tudo. Um fim de semana chuvoso se tornava uma narrativa cheia de detalhes e suspense. Um dia engraçado na escola, de repente era uma história recheada de personagens. Um amor platônico se transformava nos versos de um poema. E por aí vai! Tudo que eu olhava era história, era vivo e cheio de criatividade! As palavras passavam por mim e transferiam para o papel um mundo que era todo meu. Ah… O poder da imaginação!

Imaginar, segundo o dicionário, é “formar imagem mental de (algo não presente); descobrir, criar (algo abstrato); idear, inventar.”. A possibilidade de sair da realidade, ao menos por alguns instantes, e criar um universo só seu.

Quando a gente é criança isso parece tão fácil. A imaginação está em cada detalhe e tudo vira aventura, romance, terror, tragédia. Surfar em uma calçada, fugir de monstros nos corredores de um supermercado, voar em um foguete de papelão, viajar no tempo dentro de um ônibus… Mundos e mais mundos em apenas alguns minutos!

Capacidade tão doce, simples e poderosa que, devagarinho, vamos deixando de lado. Conforme as responsabilidades vão chegando, o poder de reinventar e criar vai perdendo espaço para os compromissos diários. Vamos nos tornando cada vez mais sérios e presos aos nossos cotidianos e rotinas. De repente já não enxergamos a magia das pequenas coisas, não criamos histórias mirabolantes com qualquer acontecimento, vamos deixando de sonhar com o impossível, de imaginar…

Mas, a verdade é que cada um de nós ainda guarda um pouquinho daquela essência e, muitas vezes, a encontramos nos livros! As palavras conseguem nos transportar para um outro mundo. Alguns minutos em frente as páginas fazem com que a gente consiga fugir dos afazeres e chateações do dia a dia e nos levam para um outro lugar, outros países, outros planetas, outras realidades onde tudo é possível. Os livros nos abrem aquela portinha que estava ali, já um pouco esquecida: a imaginação. Mergulhar nas histórias nos faz lembrar a importância de criar, reinventar, sonhar e de enxergar o extraordinário nas coisas mais banais. E essa mágica está muito mais perto do que a gente pensa, logo ali nas prateleiras, basta decolar nessa viagem!

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Jornalista e editora do Blog da Leiturinha, é fascinada por tudo que envolve o mundo da leitura, da educação e da infância. Acredita que as palavras aproximam pessoas, libertam a imaginação e modificam realidades. Gosta de escrever, viajar e aprender sempre.