Como despertar o melhor das pessoas? Esse deveria ser um questionamento diário para todos nós, que nos relacionamos com crianças, familiares, amigos, professores e colegas de trabalho. Afinal, se todos fizessem o seu melhor diariamente, o mundo seria bem mais agradável, com certeza. Mas estar disposto a fazer o melhor diariamente é uma tarefa utópica, afinal não é todos os dias que estamos 100% e bem-humorados para encarnar uma postura energética. 

Bom, mas conversar sobre isso, e tentar, na medida do possível, despertar o melhor nas pessoas que convivemos diariamente, pode ser uma estratégia para que a nossa própria rotina seja mais pacífica e alegre. 

Despertar o melhor das pessoas: ensinando empatia e respeito desde cedo aos pequenos

O pensador estadunidense, William Arthur Ward disse “Quando buscamos encontrar o melhor nos outros, de alguma forma, estamos descobrindo o melhor de nós mesmos”.

Essa frase é bastante poderosa e real, afinal, uma vez que estamos abertos a enxergar qualidades nos outros, nós nos tornamos uma pessoa mais empática, mais compreensiva e fácil de dialogar. 

Quem já leu artigos sobre Comunicação Não Violenta (CNV) já sabe que a base das relações consiste na comunicação, no diálogo. E como isso é difícil, pois implica no exercício de colocar em palavras exatamente o que se passa na nossa cabeça, o que sentimos e pensamos. E sentir não é mimimi, nem drama ou sinal de fraqueza, pelo contrário, é comunicação. 

Aqui não estou falando em abrir o coração para a primeira pessoa que encontrar na frente, mas sim “jogar a real” sobre determinada situação, é explicar o verdadeiro motivo do seu filho não poder dormir no amigo na quarta-feira, falar porque o relatório vai atrasar, e explicar porque você prefere ir na aula de pilates ao sair com sua amiga hoje. Com respeito, com calma. 

Quando omitimos algo, ou conduzimos uma conversa baseada em subtexto e termos implícitos, nós deixamos espaços para que as pessoas completem esses buracos com o que acharem mais conveniente, e aí estragamos qualquer comunicação, pois a probabilidade das pessoas imaginarem um contexto completamente diferente do real é gigantesca.

Mas, afinal, o que é empatia?

Comunicação é a base de todas as relações, pai e filho, aluno professor, chefe e colaboradores, humano e humano. E em quanto mais fluida e verdadeira ela estiver pautada, melhores e mais honestos serão os dias.

Outro ponto forte da CNV é receber com empatia. Frequentemente pensamos empatia como respeito, ou sentir o que o outro sente, mas isso não é nada fácil. Chuang-Tzu, filósofo chinês, afirma que a empatia é ouvir com a alma, é abrir mão dos ouvidos e da mente, é um esvaziamento de sentidos

Trazendo isso para o dia a dia das famílias, ser empático é estar presente, é abraçar com a alma. Rosenberg em seu livro “Comunicação Não Violenta”, exemplifica alguns comportamentos que nos impedem de sermos empáticos, tais como: aconselhar, competir pelo sofrimento, educar, consolar, contar uma história, encerrar o assunto, solidarizar-se, interrogar, explicar-se ou corrigir. Engraçado, para não falar trágico, que frequentemente empregamos alguns desses comportamentos e nos achamos absolutamente empáticos. Ou seja, a real empatia, é de certo, muito complexa.

Dialogar com franqueza e ouvir com empatia

Enfim, para genuinamente despertarmos o melhor do outro, temos que exercitar duas máximas: a de nos expressarmos com honestidade e de recebermos o outro com empatia. Esses comportamentos já são passos fundamentais para contribuirmos com a motivação alheia. 

O estudo de Harvard sobre motivação expõe que o sistema de motivação do cérebro é formado com suporte nas interações e conexões emocionais que o bebê tem com as pessoas à sua volta. A motivação se divide em duas: intrínseca, que seria a motivação interna e a extrínseca, que provém do ambiente. Com isso, emprega-se ainda mais relevância sobre o papel que todos nós, sociedade, tribo, temos com as crianças ao nosso redor. E como nossas atitudes e condutas podem impactar positiva ou negativamente a motivação intrínseca dos pequenos. 

É responsabilidade de todos, de cada ponto de contato, a criação dessa nova geração. Então, vamos tentar, com empatia e diálogo, incentivarmos as pessoas ao nosso redor a explorar as novidades, a serem curiosas, e brincarem e construírem relacionamentos cada vez mais saudáveis. E aos pouquinhos construirmos uma sociedade mais legal. 

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Mestranda em Psicologia da Educação, Psicopedagoga e Escritora, acredita que aprender é uma combinação entre autoconhecimento, troca e curiosidade pelo novo. É apaixonada por educação, desenhos, viagens e literatura.