Esses dias estávamos todos em casa, conversando, rindo à toa e minha filha lá no cantinho dela brincando. Eis que ela, discreta como toda criança, levanta de onde está e grita:

— PAPAAAAAAAAI quero fazer cocôooooo.

Olhei para ela, mas antes todos olharam para mim e riram.

— Corre filha, vai lá no banheiro.

Ela saiu correndo e voltou:

— Mas, mas, mas papai quero que segura minha mão.

Respirei fundo:

— Filha vai lá o papai está aqui conversando.

Ela foi ao banheiro, no meio do caminho voltou novamente e disse:

— Papai, eu não ‘fez’ cocô, não consegui.

Perguntei:

— Passou a vontade ou você não quer mais?

— Não quero mais.

Levantei da cadeira, lembrei que já fazia uns dois dias que ela não fazia cocô, a peguei pela mão e disse, vamos lá filha, o papai vai segurar sua mão, a coloquei no troninho me abaixei e fiquei segurando suas mãos.

Ali a olhei nos olhos ( a criança gosta quando você a olha nos olhos para conversar, para elogiar, para escutá-la, aliás qual ser humano não gosta?) e veio aquele sorriso maravilhoso, então ela começou a contar sobre sua escolinha e foi falando de todos seus amiguinhos e amiguinhas. Ela gosta muito de conversar, falaaaaa muiiiiito. Então começou falar todas as coisas boas da escolinha, falava das professoras, da sua melhor amiguinha e desatou a falar…

Meus joelhos já estavam doendo, pois estava abaixado, mas esse cocozinho durou uns 15 minutos e no fim ela conseguiu fazer o tão temido cocô. Foi aí que percebi, a importância da paciência com nossos filhos. Aquele momento não foi apenas uma necessidade fisiológica, foi uma conexão emocional, fortalecimento de vínculo e afeto. 

Às vezes, na correria do dia a dia, a sua impaciência passa despercebida aos seus olhos e quem sofre com ela muitas vezes são nossos filhos e filhas, por quê?

Por que descontamos nossa impaciência em quem apenas quer o nosso olhar, nosso aconchego, nosso carinho e a nossa atenção? A verdade, é que daqui alguns anos (e passa rápido, muito rápido) seu filho e sua filha não caberá mais no seu colo, apenas no coração e esses momentos (ou a ausência deles) serão apenas lembranças em sua memória.

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Profile photo of Euller Sacramento

Psicoterapeuta, palestrante e pai da pequena Alice. Ajuda pais e filhos a se (re)conectarem emocionalmente. Acredita que quando pais e filhos se conectam a maternidade/paternidade se torna mais leve mesmo diante das dificuldades. Instagram: @eullersacramento *Euller é nosso autor convidado e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Leiturinha.