Coluninha | Por Lílian Kuhn.

Desde 2008, no dia de Hoje – 02 de Abril – o mundo inteiro comemora o “Dia Mundial de Conscientização do Autismo”. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) e criada para chamar a atenção da sociedade em relação ao tema. De uns anos pra cá, as pessoas, os monumentos e as fotos de perfis nas redes sociais estão indo além e se ‘vestindo’ de azul. Muito legal! Mas, além de apoiar a causa tão nobre, reforço para que todos nós estejamos sempre alerta para as etapas do desenvolvimento infantil e que, no primeiro sinal de alteração, o bebê seja levado para uma avaliação.

Atualmente denominado Transtorno do Espectro Autista (TEA), o quadro do distúrbio engloba uma série de aspectos do desenvolvimento infantil que se manifestam em maior ou menor grau de acometimento – e, por isso, utiliza-se a noção de espectro. O diagnóstico de TEA passou a englobar três quadros clínicos principais: Autismo clássico (aquele tipo mais conhecido, em que há um comprometimento nas áreas de interação, comportamento e linguagem, além de relevante déficit cognitivo), o Autismo de Alto funcionamento (ou Síndrome de Asperger: os portadores conseguem se expressar através da fala e são muito inteligentes, acima da média da população) e Distúrbio Global do Desenvolvimento (tem características do TEA, como alteração de interação e comportamento, mas não há um diagnóstico fechado).  

As principais alterações nas crianças com TEA são:

  • Interação social: Ausência ou baixa frequência de contato visual, sem interação espontânea com adultos e crianças;
  • Comportamento: Repetitivo, estereotipado (dar pulos, chacoalhar as mãos ou sem balançar). Ter interesse restrito em temas e brinquedos específicos.
  • Linguagem: Ausência ou atraso significativo do desenvolvimento de linguagem oral (compreensão e expressão) e alteração em diversas habilidades linguísticas.

Mais recentemente, com o refinamento dos métodos e instrumentos de diagnóstico, outras características vêm sendo observadas como recorrentes nos quadros clínicos de TEA: distúrbio alimentar (seletividade e/ou aversividade a cores, sabores ou texturas de alimentos) e transtorno sensorial (hipersensibilidade ou hipossensibilidade a um ou vários estímulos sensoriais auditivos, tais como visual, tátil, paladar equilíbrio e do próprio corpo). Existem ainda pessoas que estão dentro do Espectro e que tem outros distúrbios associados, como, por ex, déficit cognitivo, Apraxia (distúrbio de planejamento motor da fala) ou Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

Acredita-se que, no mundo, de cada 88 crianças nascidas, uma tenha características do Transtorno de Espectro Autista. Apesar do aumento de incidência, ainda não há uma causa determinada para tal distúrbio neurobiológico. O que as pesquisas mostram é que os primeiros sinais de TEA já estão presentes desde o inicio da vida do bebê e principalmente, quanto antes iniciar a intervenção, mais rapidamente a criança terá ganhos. Por isso, não espere… Aja logo!

Abraços e até a próxima semana.


Lílian Kuhn é fonoaudióloga com especialização em Audiologia e Mestrado e Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem. Há dez anos atende crianças e adultos com distúrbios de linguagem.

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Fonoaudióloga

Fonoaudióloga com especialização em Audiologia e Mestrado e Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem. Há dez anos atende crianças e adultos com distúrbios de linguagem.