Já falamos por aqui o quanto a arte de contar histórias podem impactar positivamente a experiência de uma criança hospitalizada. Sabendo de todo esse potencial, são desenvolvidos no mundo todo uma diversidade de projetos de contação de história em hospitais. No Brasil, não seria diferente. Para contar para a gente um pouquinho sobre essa experiência, convidamos a Soraia Castilho, coordenadora do Projeto Conta Mais. 

Juliana: Conta para a gente Soraia, o que é e como funciona  o Projeto Conta Mais? 

Soraia: O Projeto Conta Mais faz parte do Centro de Voluntariado de Ribeirão Preto onde, através de uma capacitação com profissionais da saúde (a cada dois anos) voluntários são treinados para contar histórias para crianças e adolescentes hospitalizados. O projeto teve início há 20 anos. Mariana Jabale o trouxe para Ribeirão Preto e até hoje faz parte da diretoria de voluntariado. Hoje atendemos, em média, 400 crianças por mês. O centro de voluntariado tem parceria com Sinhá Junqueira, Santa Lídia, Santa Casa, Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas, HC Criança e GaCC.

Juliana: Qual é o objetivo da iniciativa? Quem participa?

Soraia: O objetivo é levar alegria através de livros, brincadeiras lúdicas e o contato humano. A criança hospitalizada e o acompanhante são ambos convidados para participar durante uma hora por semana, quando o contador de histórias vem ao hospital.

 Juliana: Como é contar histórias em um hospital? Você se lembra de alguma experiência que te marcou?

Soraia: É muito gratificante ver o sorriso no rosto de uma criança e receber o agradecimento dos pais após o trabalho que fazemos ao contar histórias nos hospitais citados. Uma experiência específica que me marcou ocorreu após entrar na UTI Neonatal com um livro musical. Ao abrir a incubadora, dei início à um exercício de estímulo da sola do pé de um bebê. Cinco minutos depois, ele começou a mover seus braços e pernas e sua mãe, ao meu lado, começou a chorar. Me assustei achando que estava fazendo algo errado, quando ela me disse que já faziam quatro meses que o menino estava lá e está havia sido a primeira vez que ele responderá à um estímulo.

Juliana: Quando vocês contam uma história, você observa alguma mudança no ambiente ou nas pessoas?

Soraia: Várias, inclusive à descrita no exemplo anterior. A melhora no comportamento e resposta ao tratamento é perceptível. Estou na coordenação do projeto a 3 anos, mas ainda me considero uma simples contadora de história dada a gratificação gerada pelo trabalho.

A leitura e a contação de histórias tem o poder de transformar e mudar vidas. Por isso, iniciativas como o Projeto Conta Mais encantam tantos corações!

Conta para a gente, você conhece outros projetos de contação de histórias? Compartilhe conosco!

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Profile photo of Juliana Freitas

Formada em Psicologia, é apaixonada pela ciência e pelas artes literárias. Estuda o encontro entre a criança e o livro, a criança e o psicólogo e a criança e o mundo.