Livros e pré-adolescentes são uma combinação desafiadora. Isso porque, nessa fase, muitas outras atividades disputam sua atenção. Como por exemplo, as telas, os estudos, as amizades e as atividades ao ar livre. Cada uma delas tem sua importância e deve ter seu espaço, sem que um seja sobreposto ao outro. O grande desafio é a conquista da atenção de forma equilibrada.

Atire a primeira pedra quem nunca proferiu a frase “desligue um pouco essa TV e vá ler um livro!”? Essa frase representa muito do que os pais vivenciam na realidade com crianças maiores de 10 anos.  Mas o que acontece quando o convite é feito dessa forma é que ele se torna algo negativo, semelhante a um castigo. Isso pode mais afastar do que aproximar a leitura na pré-adolescência.

Mas então como deve ser feito o convite à leitura?

Como você costuma convidar seu filho a ler, em sua casa? O que funciona e o que não funciona? As experiências certamente são muitas, já que cada pré-adolescente tem referências diferentes de vida. O que pode ser convidativo para uns, pode não ser para outros. Mas uma coisa pode fazer a diferença: conhecer os gostos e interesses dos filhos e apresentar livros que os desafiem.

Conhecer a realidade dos filhos é fundamental

Nessa fase é comum que os pais se distanciem um pouco da vida dos filhos e passem a desconhecer sua rotina. Como leitores fluentes e críticos, os pré-adolescentes já apresentam suas preferências e gostos literários. Esses normalmente estão conectados a suas atividades favoritas. Portanto, uma boa dica é se aproximar da rotina dos filhos, mostrando-se interessado nas coisas que eles já fazem e gostam. 

Os livros nem sempre serão a primeira opção, especialmente se são muito fáceis,  parecem muito “infantis”, não desafiam ou instigam a sua curiosidade. É preciso estar atento às tendências culturais dessa faixa etária. Assim, será possível oferecer conteúdos mais afinados aos seus interesses. Já é um grande passo para um convite mais atrativo à leitura!

A leitura na pré-adolescência precisa ser desafiadora 

Essa é uma fase em que a leitura por si só já deixou de ser um desafio, e o conteúdo precisa ser o foco. Os leitores fluentes e críticos já apresentam uma cognição capaz de realizar abstrações, fazer conexões entre diferentes áreas do conhecimento e entre diferentes aprendizados. Também já compreendem figuras de linguagem rebuscadas, como a ironia, por exemplo. 

Logo, os livros que se entregam muito facilmente ao entendimento dos leitores, nessa fase, são descartados ou não são suficientemente convidativos, tornando-se desinteressantes. Os que têm mais chances de saírem da estante são aqueles que conseguem despertar atenção, curiosidade e se apresentam de forma inteligente. Sobretudo, são aqueles que não subestimam a capacidade de compreensão dos leitores infanto juvenis e que falam com eles de temas relevantes.

Lembre de você mesmo quando tinha essa idade

Basta se perguntar, na adolescência, qual livro mais marcou. Certamente foi aquele que fez você se conectar com seu eu mais íntimo, aquele que arrancou risadas e lágrimas. Que causou sentimentos profundos como raiva, tristeza ou uma profunda sensibilidade diante da vida, da qual você não falaria com mais ninguém. Os livros mais marcantes deixam algo depois que os lemos em nossa própria personalidade e a adolescência pede por livros assim.

Estar aberto a diferentes gêneros literários é uma habilidade a ser construída junto aos filhos, apresentando a eles essa variedade desde cedo. Se seu filho ainda não está tão propenso à leitura, comece apresentando a ele livros que o desafiam e que tenham por temática central algo que se aproxime de seus interesses.

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Mãe da Cecília, formada em Psicologia, especialista em Filosofia e Mestranda em Educação Profissional e Tecnológica. Sempre trabalhou com famílias, especialmente com os pequenos. Por esse amor ao universo afetivo infantil, hoje, na Leiturinha, ela colabora fortalecendo o vínculo das famílias leitoras através da experiência da literatura.