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O Bilinguismo e o desenvolvimento de linguagem infantil

por | out 4, 2016 | 1 Comentário

Há muitas evidências científicas que mostram que o bilinguismo traz inúmeros benefícios para o desenvolvimento das crianças e que excedem o fato de ter fluência em um idioma. Em contrapartida, apesar de essa ser uma grande preocupação dos pais, desconheço qualquer pesquisa brasileira ou internacional que relacione alterações de linguagem ao bilinguismo.

Coluninha | Por Lílian Kuhn.

Com o aumento do número de instituições de ensino internacional/bilíngue no Brasil, muitas crianças têm sido inseridas desde a Educação Infantil em um contato com outra língua. Mas, na hora da matrícula, percebo que uma dúvida tem sido bastante recorrente: Será que expor o meu filho a outro idioma será prejudicial para o desenvolvimento da linguagem oral?

Leia também: Má alimentação pode prejudicar o desenvolvimento da linguagem.

A resposta: depende. O adequado processo de desenvolvimento de linguagem infantil envolve vários fatores, tais como sistema auditivo e neurológico íntegros, estruturas da boca passíveis de funcionamento e um ambiente social estimulador. E ainda que os fatores anteriores estejam adequados, pode ocorrer algum tipo de distúrbio em alguma das etapas do longo processo de desenvolvimento de linguagem.  Então, pensando em dois grupos de crianças distintos – com e sem desenvolvimento linguístico típico –, é possível ponderar que:

– Bilinguismo para crianças com desenvolvimento linguístico típico:

Como disse, não há nenhum estudo que relacione alterações de linguagem ao bilinguismo. Mas, ao ser exposto à segunda língua, a criança pode não falar tão rapidamente, mas isso não deve ser preocupante. Mesmo que o pequeno não se expresse tão bem na segunda língua, isso não significa que ele não esteja aprendendo. Como também acontece na língua materna, a primeira habilidade a emergir será a compreensão.  Em seguida, todo o processo tende a acontecer sem percalços.

– Bilinguismo para crianças com desenvolvimento linguístico atípico:

A American Speech-Language-Hearing Association (ASHA) – Associação Americana de Fala, Linguagem e Audição – afirma que não há objeções para a aquisição ou o aprendizado bilíngue​, independente da ​causa da alteração de linguagem da criança (Deficiência auditiva, Síndrome de Down, Dislexia, Autismo, entre outros). Apesar disso, muitos profissionais brasileiros sugerem que as crianças com desenvolvimento linguístico atípico não frequentem escolas e ambientes bilíngues. Isto porque aprender outra língua, quando ainda não se está fluente no português, pode ser mais custoso e sofrido, visto que as alterações de linguagem e fala existentes na aquisição da primeira língua estarão presentes também na segunda.

Então, se a sua criança não tem um desempenho linguístico esperado para a faixa etária se faz necessária uma avaliação fonoaudiológica. Apenas desta forma, será possível identificar os fatores envolvidos na alteração de linguagem e, juntamente com a escola e a equipe profissional, serão discutidas as vantagens e desvantagens dessa criança aprender uma nova língua. Ainda, é importante lembrar que a decisão final sempre deve ser dos pais.

Até a próxima!

Você também pode gostar de ler: Campanha genial fala sobre abuso infantil com as crianças.

Escrito por Lílian Kuhn
Fonoaudióloga com especialização em Audiologia e Mestrado e Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem. Há dez anos atende crianças e adultos com distúrbios de linguagem. *Autora convidada e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Leiturinha.
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1 Comentário

  1. dora carroll

    Oi Liliam!

    Meu filho tem desenvolvimento linguístico atípico, aos tes anos ele teve o diagnostico de autismo fechado.
    Nao desiste do portugues e meu marido continuou falando o ingles, sabiamos que o atraso de linguagem dele, era consequencia da condicao autista dele e nao do bilinguismo. Depois de alguns anos, quando ele ja tinha sete anos,nos mudamos pra Suecia. Aqui estamos ha dois anos. E desde que chegamos ele foi para uma escola local, onde comecou aprender o sueco.
    Claro no inicio teve resistencia, e pedia as professoras, porfavor falem em ingles. As professoras foram bem pacientes com ele, no inicio, ate ele esta adaptado, elas falavam ingles, nunca insistiram com osueco. Apois 6 meses na escola, elas foram introduzindo o sueco, de forma tranquila e ele foi aceitando.
    Hoje em dia ele esta bem nos tres idiomas,porem continua com o atraso severo de linguagem. Aqui ele ainda nao foi avaliado por uma fono. Talvez a avaliacao aconteca em Abril,mas ja sabemos que ele nao fara terapia.
    Bem nos estimulamos em casa, com muita leituras e brincadeiras dentro dos interesses dele.Vale cantar, assobiar, fazer de conta que choro, teatro etc. Para interagir vamos entrando no mundo dele, e assim trazendo ele para o nosso.
    Bem te escrevo, porque nos ultimos meses, ele esta bastante curioso, fazendo pergunta,como se diz isso em portugues mamae? Ele fala a palavra em sueco ou ingles e me pede pra dizer como se fala em portugues. O mesmo faz com o pai em ingles, e a escola comentou que ele tem feito isso tambem la.
    Tenho impressao de que ele esta desenvolvendo mais a linguagem. Gostarias de ideias para ajuda-lo nesta fase.
    O que acontece quando ele me pergunta,eu digo a palavra nos dois idiomas e cito exemplo, facil, usando liguagem curta, para ele entender, quando pode usar a palavra que estava querendo saber.
    Tem mais alguma coisa que eu possa fazer?
    Tambem durante o bedtime, quando leio pra ele, ele diz mamae, ler em portugues e o Liam ler em ingles, eu digo ok. Como lemos livros curtos, depois sento com ele, para contar a estorinha do livro. O que aconteceu? como aconteceu? onde aconteceu? e como ficarao os personagens,, felizm triste,etc-….

    Voce teria dicas para ajuda-lo
    Ah ele fara 10 anos em abril. agora comcou a me contar o que comeu na escola, com quem brincou?

    obrigada
    meu email e doracarroll@gmail.com
    tambem tenho facebook doracarroll

    Responder
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