A obesidade infantil vem crescendo no mundo todo e a estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que até 2025 chegue a 75 milhões de crianças no mundo. Ainda, vários estudos mostram que a obesidade infantil e dificuldades de aprendizado estão relacionados. 

Quais são as estatísticas dessa doença?

Os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a Pesquisa de Orçamentos Familiares revelaram que 33,5% das crianças de 5 a 9 anos e 21,5% dos adolescentes de 10 a 19 anos estavam com excesso de peso. Esse mesmo levantamento do IBGE aponta que uma em cada três crianças está acima do peso no país. 

As notificações do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional de 2019 revelam que 16,33% das crianças brasileiras entre 5 e 10 anos estão com sobrepeso. Cerca de 9,38% com obesidade e 5,22% com obesidade grave. Em relação aos adolescentes, 18% apresentam sobrepeso, 9,53% são obesos e 3,98% têm obesidade grave.

Quais são os fatores responsáveis pela obesidade infantil?

A obesidade tem origem em diversos fatores. Resulta da associação de questões genéticas e ambientais, como hábitos alimentares inadequados e estilo de vida sedentário. O fácil acesso a alimentos industrializados com alta densidade energética, e a redução da atividade física contribuíram para a elevação do número de indivíduos obesos no mundo. Isso atinge todas as idades e  níveis socioeconômicos.

Quais as consequências causadas pela obesidade infantil?

As consequências são muitas. Podemos citar desde a parte emocional, como baixa da autoestima e sofrimentos com bullying. Até mesmo problemas orgânicos como elevação das taxas de gordura no sangue, elevação da pressão arterial, Diabetes Mellitus, problemas ósteo articulares, entre outros. Pesquisas apontam que a obesidade infantil, quando instalada em idade precoce pode interferir no desenvolvimento do córtex pré-frontal e do córtex cingulado anterior. Ambas são partes do cérebro responsáveis pelo raciocínio e aprendizado do ser humano.

Se a criança ingere muitos alimentos processados e industrializados, que possuem baixo teor nutricional, deixa de consumir as vitaminas e minerais essenciais para o desenvolvimento neurológico. Cabe ressaltar que um indivíduo obeso na infância e na adolescência tem grande risco de permanecer acima do peso na fase adulta. Como consequência, pode sofrer uma redução na expectativa de vida devido ao aumento da probabilidade de desenvolver outras comorbidades, como a Síndrome Metabólica.

Como a prevenção pode ser realizada?

A prevenção deve ser feita a partir dos cuidados primários de saúde e o pediatra tem papel de destaque nessa ação. Deve fazer o monitoramento do peso e da estatura da criança. Caso verifique aumento excessivo de peso em relação à altura, deve realizar uma orientação nutricional com o objetivo de evitar o desenvolvimento da obesidade.

O quadro, uma vez instalado, é difícil de ser revertido

A prevenção e o tratamento da obesidade deve iniciar na família, pois a criança sempre segue o exemplo dos pais. Por isso é importante que a família faça as refeições na mesa, com pratos coloridos e ingredientes saudáveis, com legumes, hortaliças, cereais, frutas e sucos naturais.

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Profile photo of Elisabeth Amstalden

Médica Pediatra e Sanitarista, com formação em Terapia Comunitária, Psicanálise e PNL a fim de esclarecer sobre alguns assuntos do mundo da infância. * Elisabeth é nossa autora convidada e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Leiturinha.