(…) não vale à pena ler aos 10 anos um livro que não tenha o que dizer para quem o reler aos 50, em condições de fazer novas descobertas na releitura. (Ana Maria Machado, citando o autor C. S. Lewis, em seu livro: Como e por que ler os Clássicos Universais desde cedo)

Clássicos literários: verdadeiras heranças da humanidade

Era uma vez… Um cavaleiro andante, uma família de ursinhos, um boneco de madeira, um par de castiçais roubados, um amor proibido, uma capa vermelha, um coelho com pressa, uma esfinge, uma barata, um labirinto… Era uma vez um livro aberto, um leitor ávido, uma aventura épica! Atravessando gerações e com narrativas significativas e atemporais, os clássicos universais são verdadeiras heranças da humanidade, um direito dos pequenos leitores, uma viagem a universos sonhados e imaginados, porém igualmente reais e concretos, porque humanos.

Clássicos literários são aqueles que dialogam com questões profundas e universais, como a vida e a morte, o sagrado, o amor, os medos, a busca por verdades ou respostas, tudo isso sem perder de vista a emoção e a aventura, o poder de levar o leitor a uma viagem épica e inesquecível. Essa viagem nos leva para universos paralelos, ao mesmo tempo em que traz reflexões profundas sobre os mais variados assuntos. Além disso, os clássicos promovem um contato íntimo com o autor e seu tempo, trazendo de volta a atmosfera de séculos passados, de lugares distantes e pensamentos diversos.

Por que ler os clássicos para os pequenos?

Por tudo isso que eles representam (e muito mais!), e pela carga cultural que carregam, os clássicos, sejam eles infantis ou não, são uma verdadeira herança da humanidade, um tesouro acumulado que deveria estar ao alcance de todos. Ana Maria Machado, em seu livro “Como e por que ler os clássicos desde cedo” (2002), defende que os clássicos sejam lidos (ou narrados) para os pequenos desde cedo, não como algo forçado ou propositalmente instrutivo, mas como compartilhamento da memória afetiva de quem lê – contar histórias como ato de amor.

Como formas de apresentar os clássicos desde cedo, Ana Maria Machado (2002) aponta como possibilidade que os adultos primeiro se encantem eles próprios com as histórias e, depois, as transmitam. Para isso não é crucial a leitura da obra original, já que existem no mercado editorial ótimas releituras e adaptações. Além disso, falar sobre estes clássicos de forma espontânea, contando com suas palavras sobre aquela aventura memorável, já é também uma forma de introduzir os pequenos no universo literário e instigá-los a, mais tarde, buscarem por suas próprias mãos, aquelas leituras de forma mais completa.

Os Convidados de Senhora Olga: Contar histórias como um ato de amor

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Pensando em tudo isso, a Equipe de Curadoria da Leiturinha selecionou um livro especial para os pequenos leitores, Os Convidados de Senhora Olga, da Editora Jujuba. O livro, de autoria da italiana Eva Montanari, apresenta uma história costurada pelos personagens mais queridos e conhecidos do mundo todo, como o Homem de Lata, Pinóquio, Mogli, A Pequena Sereia e muitos outros!

Daniela Padilha, da Editora Jujuba, em conversa com a autora, nos contou que o título originalmente era “Adivinha quem vem jantar” e, somente depois, passou a ser o que viemos a conhecer. A seguir, Eva Montanari conta sobre o processo de criação desta obra:

Então ’Adivinha quem vem jantar’ foi publicado em Taiwan, Itália e França. A ideia era a do encontro de uma pessoa cega com a grande literatura e as visões que esses encontros despertam. De fato, nas ilustrações é representada a “visão” da Sra. Olga, e não a realidade (a neta que vai todas as noites para recitar uma história). Quando escrevi a história, não sabia quais romances incluir, e comecei fazendo esboços de vários romances (que depois acabaram nos finais dos livros -endpapers). Somente no final do processo escolhi as imagens mais significativas.

E você? Qual clássico literário marcou a sua vida? E qual você já transmitiu ao seu pequeno?

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Mãe da Cecília, formada em Psicologia, especialista em Filosofia, sempre trabalhou com famílias, especialmente com os pequenos. Por esse amor ao universo afetivo infantil, hoje, na Leiturinha, ela colabora fortalecendo o vínculo das famílias leitoras através da experiência da literatura.