Os sentimentos na gravidez

A partir do momento em que a mulher se descobre grávida, uma série de sentimentos e emoções toma conta dela e de seus pensamentos. Alegria, satisfação, medo, insegurança, ansiedade, tudo ao mesmo tempo e em alta dosagem.

Tornar-se mãe não ocorre como uma consequência natural da gestação e do parto. É uma construção na vida da mulher, repleta de experiências e adaptações diante de mudanças físicas, questões hormonais e novidades que aparecem nesse período.

Todas as expectativas e incertezas a respeito do filho, e também da gestação, podem gerar na mulher ansiedade frente ao desconhecido, seja a primeira ou a quinta gravidez, já que cada gestação é única e diferente das outras.

Além disso, a transformação da filha em mãe, as mudanças corporais e a relação entre sexualidade e maternidade exigem da mulher uma nova forma de reorganização emocional que pode, muitas vezes, gerar angústias e dificuldades.

Você sabia que o estado emocional da mulher muda de acordo com o período da gravidez em que ela está?

Primeiro trimestre: normalmente, nessa fase os conflitos que aparecem podem ser associados à ambivalência de sentimentos e incluem pensamentos sobre o bebê, sua concepção, alterações de papéis (esposa, mulher, mãe, profissional) e medos diversos. A mulher fica mais regredida ou infantilizada, repleta de desejos e com vontade de ser cuidada.

Segundo trimestre: quando a mulher começa a sentir os movimentos do bebê, a relação entre mãe e filho é favorecida. Geralmente, a maior parte dos sintomas físicos desaparece, a barriga começa a aparecer e a gravidez ganha maior status de realidade, o que pode ocasionar sentimentos mais alegres a mulher. O segundo trimestre é visto por grande parte das mães como o melhor de toda a gestação.

Terceiro trimestre: é a reta final da gravidez, e, com a proximidade do parto, a mulher geralmente se torna mais suscetível às alterações emocionais. Podem ocorrer estados de ansiedade e depressão, distúrbios de sono, distanciamento da vida sexual, problemas de comunicação com o parceiro, cansaço físico e fobias, dentre outros. Algumas mulheres sentem medo do parto, da dor, de se separar fisicamente de seu filho… algumas podem começar ainda a ter questionamentos sobre a saúde do bebê.

Todos esses sentimentos são naturais e, de certa forma, a gestação inteira pode ser marcada por oscilações de humor. Cada mulher irá vivenciá-la de uma maneira bastante específica, mas é importante não se esquecer de que todo esse turbilhão emocional é normal e faz parte desse processo.

Como a mulher pode ser ajudada?

Quanto mais a gestante se sentir amparada e segura, melhor. Nos momentos de dúvida é importante que ela seja acolhida e encorajada diante do novo papel.

Também é válido que a mulher evite guardar as dúvidas e os receios só para si. Conversar com o parceiro, com as amigas e com outras mães pode ajudar.

Vale também lembrar que ela pode pedir ajuda profissional caso sinta necessidade, durante esse período. Um obstetra de confiança e um psicólogo podem auxiliar a mulher a vivenciar sua gestação de maneira mais tranquila e se a tornar mais confiante.

Instinto materno?

Ele existe, mas não é tudo… A maternidade é um constante aprendizado e nenhuma mulher nasce sabendo todos os detalhes. É no dia a dia que ela e o bebê poderão se conhecer, se descobrir e formar um vínculo entre eles.

Tempo, paciência e amor são as coisas que realmente contam!

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Profile photo of Flávia Carnielli

Mãe da Maria Clara, mestre em psicologia clínica, especialista em psicologia perinatal e formada em psicoterapia infantil. * Flávia é nossa autora convidada e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Blog Leiturinha.