Quem é pai e mãe sabe, se tem uma coisa que tira o sono de qualquer um é filho doente. E como informação nunca é demais, confira tudo o que você precisa saber sobre as temidas viroses na infância

Mas em primeiro lugar, o que significa “virose”?

Embora seja comumente utilizado, “virose” não é um termo médico adequado. Na verdade, ele se refere ao início dos sintomas de uma doença viral. 

Por que as viroses são mais comuns na infância?

Essas doenças virais genéricas se manifestam com mais frequência nas crianças, pois o organismo e o sistema imunológico ainda estão em desenvolvimento. Diante dessa vulnerabilidade, os milhares de vírus oportunistas provocam infecções que podem atingir prioritariamente o aparelho respiratório ou o trato gastrointestinal.

Em que época do ano as viroses são mais frequentes?

Os quadros virais na época do outono/inverno, geralmente são aqueles que se manifestam mais no aparelho respiratório. No verão, são mais comuns os vírus que atingem o trato gastrointestinal, e o nome correto é Gastroenterocolite Aguda (GECA), que são as viroses gastrointestinais.

Entenda mais sobre a Gastroenterocolite Aguda (GECA)

Gastroenterocolite Aguda significa a inflamação da mucosa do estômago e dos intestinos. As infecções intestinais associadas a quadros diarreicos são a segunda causa de mortes de origem infecciosa em todo o mundo. Assim, a gastroenterite viral é muito frequente e ocorre em distribuição mundial, além disso, afeta as diversas faixas etárias em todos os períodos do ano, embora eventualmente apresente picos sazonais.

A gastroenterite viral causa um significativo número de mortes nos países em desenvolvimento. Estima-se que apenas o rotavírus seja responsável pela morte de aproximadamente 500 mil indivíduos por ano. Geralmente todo o trato gastrointestinal é prejudicado, e o vírus, ao chegar ao intestino, ataca e destrói as células e vilosidades intestinais, que é o local onde são absorvidos os nutrientes que ingerimos. Sem essas células e vilosidades, ao ingerirmos algumas proteínas, como a proteína do leite de vaca, por exemplo, o quadro inflamatório do intestino piora, com aumento de diarreia.

Quais são os principais sintomas?

– Febre, mal estar e dores musculares podem estar presentes desde o início;

– Vômitos, geralmente nos dois primeiros dias e depois cessam;

– Dor abdominal, náuseas e diarreia, podem ser de intensidade e gravidade variável, dependendo do tipo de vírus.

Como se dá a transmissão? 

A transmissão ocorre pelo contato próximo, principalmente por mãos contaminadas pelo vírus, ou contato com as fezes e vômitos. Se uma higiene adequada das mãos não for feita após cada evacuação, o paciente pode contaminar roupas e objetos, facilitando a dispersão do vírus. Pais que não lavam as mãos adequadamente após cada troca de fraldas do filho também podem espalhar o vírus para o resto da família.

Alimentos preparados por pessoas doentes (principalmente se crus ou mal cozidos) ou águas contaminadas com fezes também são vias comuns de transmissão. A transmissão através do ar também é possível, principalmente por meio de gotículas de saliva durante a fala, tosse ou espirros. Também há suspeitas de que o vírus possa ser transmitido pelo ar através dos vômitos. Por isso, sugere-se que a limpeza dos vômitos seja feita não somente com luvas, mas também com máscaras.

Diagnóstico

Para o diagnóstico é importante a história clínica e o exame físico, não sendo necessário, na maioria das vezes, nenhum exame laboratorial e de imagem.

E o tratamento?

O tratamento consiste em hidratação oral, com soro padronizado. De acordo com orientação da OMS, a terapia de reidratação deve ser por via oral de três a sete dias, com evidente melhora nas primeiras 48 horas.

Não existe um medicamento específico para o tratamento dos vírus. Em alguns casos, pode-se associar medicamentos à base de zinco e lactobacilos, para ajudar na recuperação da flora intestinal.

Fica a dica para todas as faixas etárias!

– Higiene das mãos: lavar bem as mãos com sabão antes das refeições e sempre após manipulação de roupas e objetos contaminados;

– Higiene dos alimentos: sempre lavar bem frutas, verduras e legumes, e os utensílios a serem utilizados para o preparo e ingestão dos alimentos. Se a criança utilizar bicos e mamadeiras, estes devem ser fervidos após o uso.

– Reforçar a hidratação oral com os soros padronizados, pois essa medida evitará a desidratação, que é a complicação mais grave, que pode danificar órgãos como os rins, e pode ser fatal.

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Profile photo of Elisabeth Amstalden

Médica Pediatra e Sanitarista, com formação em Terapia Comunitária, Psicanálise e PNL. Muito feliz pelo convite do Blog Leiturinha, a fim de esclarecer sobre alguns assuntos do mundo da infância.