Era uma vez … – Um rei! diriam de pronto os meus pequenos leitores.
Não, meninos, vocês se enganaram. Era uma vez um pedaço de madeira.

Um boneco de madeira que quer ser gente, um marceneiro que vira pai, uma fada azul…Não é preciso dizer mais para que o leitor descubra de qual história estamos falando. As aventuras de Pinóquio!

Famoso em todo o mundo, o boneco de madeira que quer virar gente inspirou adaptações literárias e cinematográficas. Mas a versão que deu origem a esse boneco tão popular foi publicada pela primeira vez em 1883, por Carlo Collodi. Ao contrário das adaptações, na versão original o foco da história não são as mentiras. Mas toda uma trama que faz com que o leitor se surpreenda com a complexidade de Pinóquio.  

O Pinóquio de Collodi

A história começa quando Gepeto ganha do amigo Cerejeira um pedaço de madeira falante. O presente foi dado em boa hora. Afinal Gepeto tinha um grande plano: esculpir uma marionete e viajar o mundo com sua atração. No entanto, mal Gepeto começa a trabalhar na madeira e já é decepcionado. Quando terminou as mãos do boneco, Pinóquio arrancou sua peruca. E finalizando as suas pernas, o boneco de madeira fugiu! Assim, Pinóquio dá largada a uma série de desventuras, iludindo o leitor e a própria Fada Azul, de que tomará outros rumos na vida.

Mas e a “moral da história”? 

As inconsequências de Pinóquio levam o boneco a espreitar a morte e quase não sair vivo por se recusar a tomar um remédio amargo. Egoísta e teimoso, Pinóquio se encanta com a mínima possibilidade de enriquecer sem fazer força, escolhendo sempre a diversão em detrimento ao trabalho. No entanto, não é sem avisos que Pinóquio faz suas escolhas. A Fada Azul, Gepeto e o Grilo Falante são a prova de que o boneco teve orientações sobre as consequências de suas ações. 

Por essas e outras razões, o leitor atento perceberá que as características do boneco se confundem com características do comportamento humano. Daí a afirmação de Benedetto Croce, filósofo italiano: “a madeira com a qual Pinóquio foi esculpido é a própria humanidade.”

Uma leitura que vale a pena 

As releituras são formas de nos aproximar dos clássicos. No entanto, na medida em que nos tornamos leitores fluentes e críticos nosso olhar já não é mais atraído por leituras efêmeras. Por isso, exigimos que as histórias nos provoquem, nos incomodem e nos apaixonem, caso contrário o livro é logo deixado de lado. Em As Aventuras de Pinóquio, o leitor encontrará todas essas emoções, hora raiva de Pinóquio, hora esperança em sua mudança e por aí vai. 

Como todo texto escrito, na obra o leitor tem autonomia para fazer suas escolhas e imaginar o Pinóquio como bem entender. Afinal, como um bom clássico o livro não fecha portas, mas abre janelas para a imaginação!

Para incentivar a leitura desde cedo com os melhores livros infantis para seu pequeno, faça parte do Clube Leiturinha!

Profile photo of Juliana Freitas

Formada em Psicologia, é apaixonada pela ciência e pelas artes literárias. Estuda o encontro entre a criança e o livro, a criança e o psicólogo e a criança e o mundo.