Com a chegada de um filho, é normal que as coisas mudem em um relacionamento. Ainda que não seja o primeiro filho, a cada novo acontecimento, presença e renovação,  abandonamos nosso eu anterior e damos lugar a novas formas de operar. Nos tornamos pais na medida em que deixamos aquilo que éramos para trás. Por mais que o trabalho, a casa e o parceiro sejam os mesmos, nunca mais seremos os mesmos com o passar do tempo. Por mais que tenhamos escolhido nosso companheiro para ser o pai ou a mãe dos nossos filhos e passar a vida toda juntos, , com a nova configuração, as coisas podem vir a mudar sim.. E com isso, pode surgir uma crise no relacionamento do casal.

Como lidar com as mudanças?

Nós mudamos, as contingências também mudam, e com isso, os afetos e os sentimentos também estão sujeitos a essas mudanças. Mas, não precisamos lidar de forma negativa a isso. É importante estarmos atentos a elas para que não ocorra de simplesmente empurrá-las com a barriga, como nossos pais costumavam dizer. 

Há uma série de indícios que nos mostram que precisamos urgentemente sentar e conversar com nossos parceiros. É necessário colocar as expectativas e os desejos mútuos em dia, às claras, para que não percamos o norte da relação. 

As crises da vida a dois

Por mais que a gente deseje, a vida não é uma linha reta e estável. Momentos ruins, infelizmente, sempre existirão.  Mas oscilações são necessárias para que sempre possamos resgatar a essência que nos mantém juntos aos nossos parceiros. Quando falamos disso muitas vezes não estamos tratando apenas do amor, mas sim dos objetivos que temos em conjunto. 

É necessário ter projetos e expectativas em comum. Estar junto  apenas em nome da criação de uma criança não é o cenário ideal. Essa não é uma missão simples, pelo contrário, muitas vezes esse será o maior desafio de um casal. Mesmo assim, é necessário ter outras metas para que  a parceria se mantenha frente às adversidades cotidianas (que não são poucas). 

Mas o que fazer quando não tem mais jeito?

Nos mantermos em uma relação tóxica, negativa e que já não tem mais momentos de felicidade, pode até parecer coerente quando colocamos esse objetivo em nome de um filho. Mas, podemos concluir que não é a melhor escolha. Muitas vezes uma relação conflituosa entre os pais pode muito mais prejudicar a saúde mental e emocional de uma criança, do que ser favorável a ela. Por isso, precisamos ter o bom senso de saber qual é o momento de, literalmente, separar as coisas para que não façamos o pior em nome do melhor. 

O momento em que não temos objetivos e projetos em comum, ou mesmo o respeito, é o sinal de que precisamos repensar a relação. 

Um término amoroso não tem que representar uma separação definitiva. Entre o casal sempre haverá uma ligação definida, um filho. Justamente por esse motivo que, às vezes, é preciso colocar um ponto final no modelo de relação existente para dar início a um novo elo, uma nova forma de se relacionar a dois. Assim, os prejuízos emocionais para a criança, serão evitados.  Novas possibilidades, vez em sempre melhores, poderão surgir na vida individual de cada um, fazendo bem para toda a família na sua configuração possível. 

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Faz parte da Equipe de Curadoria da Leiturinha, é formada em Psicologia e mãe do Caetano. Leitora compulsiva, é apaixonada em provocar emoção, despertar a fantasia, entreter e alegrar pequenos através da literatura. Acredita que quanto menor nosso tamanho, maior a criatividade!